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Zitur aproveita Via Algarviana para criar rede de alojamentos no interior do Algarve

É uma unidade hoteleira, mas a sensação com que se fica, ao lá entrar, é a de se estar numa casa de família. Na Vale Fuzeiros Nature Guest House, dificilmente sentimos que quem nos acolhe são funcionários. Joana Machado,  Micaela Viegas e Francisco Simões, todos eles algarvios, são, sobretudo, anfitriões, que nos abrem a porta e acolhem numa casa que cheira a ervas aromáticas e em que todos os elementos apontam para uma ideia: conforto em plena natureza.

Esta é a primeira das três pequenas unidades hoteleiras que a empresa Zitur – Zoom Investment Turismo vai instalar no interior do Algarve, perto da Via Algarviana, para aproveitar a procura crescente de turistas que querem experiências diferentes, longe dos grandes centros e fora da época alta, onde possam conhecer o Algarve genuíno. Depois de Vale Fuzeiros, perto de São Bartolomeu de Messines, vão nascer unidades em Alte e Silves, todas bem diferentes.

«Esta é a primeira fase de uma série de alojamentos ao longo da Via Algarviana, que é importante que corra bem, para que haja mais fases. Temos uma unidade muito vocacionada para o contacto direto com a natureza, que é esta de Vale Fuzeiros. Em breve, teremos outra dedicada a mostrar e permitir o contacto com as artes e tradições populares, a criar em Alte, e uma terceira que vai valorizar o património, a cultura e a história, a instalar em Silves», explicou ao Sul Informação Vítor Gonçalves, administrador da Zitur.

Na guest house que a empresa já abriu, o tema «são as ervas aromáticas, mas o contacto com a natureza vive-se de forma total, uma vez que o objetivo desta casa é esse». Estas plantas estão presentes em toda a propriedade e há um circuito pedonal de pouco mais de um quilómetro à volta da casa que leva os visitantes a conhecê-las no seu meio natural.

Por outro lado, a decoração interior também está ligada às ervas aromáticas. Na sala de estar, há frascos com plantas e quadros que explicam as suas propriedades e usos. Os nomes dos quartos, nove no total, também remetem para esta herança natural. E, claro, estão presentes nos pratos que são cozinhados para os visitantes, que até podem participar na sua confeção.

 

 

«Esta unidade está instalada num local fantástico. Abrimos em Abril de 2016 e estamos a dar os primeiros passos. Já tivemos muitos visitantes, temos clientes todas as semanas. Mas ainda há muito a fazer para aumentar o número de pessoas que acolhemos», considerou Vítor Gonçalves.

Olhando para a história deste investimento, percebe-se que este objetivo apontado pelo administrador da Zitur não é algo que é dito por dizer. Isto porque a aposta nesta unidade de alojamento está a ser feita por uma holding, sediada em Lisboa, que investe «em setores com potencial de desenvolvimento» e faz sempre apostas «adequadas às novas exigências do desenvolvimento».

«Os nossos investimentos são a pensar no futuro. Neste caso, é um nicho de turismo que se destina a um mercado enorme e em crescimento, já que é muito procurado pela população sénior da Europa, que quer sair dos seus países durante todo o ano, menos no Verão. Também procuram um turismo sustentável e equilibrado», segundo Vítor Gonçalves.

Aproveitando a existência da rota de percursos pedestres da Via Algarviana, uma infraestrutura cuja existência foi «determinante» para a atração deste investimento, a Zitur procurou confirmar a ideia que já tinha de que existia um grande potencial e foi ter com os principais operadores turísticos deste setor, a nível europeu.

Os agentes internacionais que trabalham com turismo de natureza e cultural confirmaram que este é um produto de elevado interesse e até deram dicas importantes para que o negócio seja um sucesso. Por exemplo, o tamanho das camas, que em Vale Fuzeiros têm dois metros de comprimento. «É frustrante para um caminhante do Norte da Europa, com quase dois metros, chegar ao alojamento e encontrar uma cama onde não se consegue esticar», ilustrou Vítor Gonçalves. Também houve o cuidado de garantir um chuveiro com boa pressão e fluxo e de instalar uma pequena piscina, entre outros.

 

 

A estratégia da Zitur assenta na criação de unidades com temas, que ajudam o visitante a ter um «contacto mais profundo com o que há nos territórios e participar dessas realidades».

Por outro lado, tenta garantir um ambiente tranquilo e intimista, como o que se encontra em Vale Fuzeiros, onde há apenas nove quartos. «Nós achamos que, para este tipo de turismo, temos de ter um número reduzido de quartos. Não faria sentido fazer aqui um hotel com 50 quartos. Fará sentido haver muitas unidades ao longo da Via Algarviana, mas todas elas pequenas, que permitam o contacto com a natureza e com as pessoas que trabalham cá, porque é isso que este tipo de turistas procura», considerou Vítor Gonçalves.

Em breve, a Zitur irá abrir uma nova unidade, no local onde funcionou, em tempos, a Pensão de Alte, que «também será uma unidade de alojamento local, com nove quartos». A holding portuguesa adquiriu o edifício, «que estava em ruínas», e encomendou um projeto de arquitetura a Frederico Valsassina, para o recuperar. «O projeto já foi aprovado e a obra deve começar nos próximos meses. Esperamos ter a unidade aberta no final de 2017», disse.

Seguir-se-á a unidade de Silves, também ela já bem encaminhada. «Ainda estamos a negociar um local, não está fechado. Mas o nosso objetivo é abri-la em 2018. A perspetiva, aqui, será o património histórico e cultural, já que Silves é um dos locais do Algarve onde esta riqueza se encontra muito bem expressa», contou.

Em todos os casos, procura-se que «a experiência da casa tenha a ver com a sua envolvente». Isso também se consegue com «uma boa equipa local», que é determinante para o sucesso dos projetos. «E nós temos uma equipa local excelente», assegurou Vítor Gonçalves.

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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