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Mafalda Veiga vem a Albufeira cantar «o lado positivo da vida»

Oito anos depois, Mafalda Veiga voltou a lançar um álbum, trabalho que vai dar a conhecer hoje, 11 de Fevereiro, no Auditório Municipal de Albufeira, num concerto agendado para as 21h30.

O álbum de originais “Praia” é o oitavo da compositora portuguesa e aquele que Mafalda Veiga considera ser o mais próximo de si. «Mais que do em nenhum outro disco, estes temas são um reflexo de quem eu sou como pessoa. Deixei-me escrever sem filtros», revelou ao Musicália/Sul Informação.

Ou seja, se nos outros discos poderia haver assuntos que não foram abordados «por um cuidado mais literário ou de temática», aqui abriu o caderno e colocou nos temas muito de si.

“Praia” está centrado no quotidiano das pessoas. Os temas estão interligados com os dias das pessoas de um modo alargado, «que é introvertido, que é extrovertido, que é mais alegre, irónico ou divertido, mas que também é mais profundo».

Mafalda Veiga revela que procurou afirmar o lado positivo, sensível, divertido (em alguns temas) que a vida tem, precisamente numa altura em que há demasiadas coisas a regredir. «Está tudo tão posto em causa que eu quis olhar para este trabalho e afirmar as coisas que são boas, que são positivas, que nos ligam pelo lado positivo, da felicidade e da sensibilidade e afastar qualquer vontade de escrever sobre situações mais negativas», enquadrou.

De resto, a escolha do nome para o trabalho tem uma relação direta com o significado que o local físico representa para Mafalda Veiga. «Estar na praia é desligar de tudo, desligar do mundo, e haver um espaço que se torna muito maior, um tempo que se torna muito mais leve, uma ligação comigo própria que é muito mais transparente, muito mais direta. É baseado nisso que tentei construir este trabalho».

Este sentimento da autora reflete-se nos temas e na relação que tem com eles, desde “Insónia”, que nos fala de uma realidade com que lida há muitos anos e a forma irónica como aborda essa questão, ou “Fado” onde revela um pouco mais de si e da relação com a música e com a capital.

«Tinha um tio que era guitarrista de Fado e foi um contacto (com a música) que aconteceu muito cedo e que me remete para muitas coisas de infância. Foi a primeira vez que escrevi um fado e deu-me um prazer enorme, coloquei nele toda a força e intensidade da relação que tenho com a cidade de Lisboa», contou.

A comunhão com os fãs  é aprofundada com uma edição especial, que inclui um caderno de histórias, escrito à mão por Mafalda Veiga, que contém notas e letras de músicas, memórias e fotografias tiradas pela artista. Este era um projeto que a compositora há muito desejava fazer e, e tendo em conta que só após ter sido concluído o disco é que entregou o resultado final à editora, algo que aconteceu pela primeira vez, pareceu-lhe ser esta a altura certa. «Tive mais liberdade na escolha dos formatos e no que queria fazer», explicou.

 

 

Sentindo a música como artista mas também como fã, Mafalda Veiga dá aos seus admiradores o que gosta de receber como apreciadora de outros: ter a possibilidade de conhecer o processo criativo, como é que as canções foram rascunhadas ou que opções foram feitas nos arranjos. «Quis partilhar toda essa intimidade da gravação de um disco e da sua gravação com quem gosta do meu trabalho, é uma vontade que eu sempre tive e que agora foi possível concretizar».

Apesar da notória paixão de Mafalda Veiga pela composição de música, 8 anos separaram “Chão”, o seu anterior álbúm, deste novo trabalho. Mas isso não significa que a compositora tenha estado parada: foi participando em diversos projetos e gravando com outros músicos, contribuindo, inclusivamente, para a coletânea “Zoom”, em 2011, onde apresentou um inédito.

A artista confessa que apesar de adorar compor, nem sempre lhe é possível encontrar tempo para se concentrar em novos temas. «Como eu faço letra e música e todas as composições, isso implica uma disponibilidade que nem sempre consigo ter, principalmente porque gosto de me isolar, o que obriga a não ter compromissos durante uma fase, nem prazos definidos, para que sinta uma liberdade de pensamento, de espaço e de tempo», contou.

A oportunidade de se isolar para compor acabou por surgir e dela resultou o álbum “Praia”. O disco conta com produção de Fred e da própria Mafalda e foi deixada a liberdade para se ir «experimentando e vendo o que ficava melhor», sendo que a procura dos músicos que nele iriam participar, foi sempre feito com método. «Fomos chamando os músicos em função dos ambientes que queríamos para as canções»

A secção rítmica ficou a cargo de Fred, numa fusão com o baixo de Miguel Barros ao qual se juntou também Marco Nunes, Miguel Barros e Ricardo Riquier. “Praia” teve ainda a colaboração especial de Frankie Chavez, Filipe Raposo, Dom La Nena, Ricardo Dias Gomes e Francis Dale.

Durante este processo, houve uma preocupação para que a produção ou os arranjos não se sobrepusessem «àquilo que as canções tinham de genuíno quando foram escritas».

As contribuições dos músicos convidados vieram a revelaram-se muito importantes e criativas para a construção e o resultado final do disco, cumprindo um dos objetivos do convite, «foram escolhidos porque a forma como tocam também me toca a mim, me diz alguma coisa» revela a artista.

Outra das escolhas intencionais na produção de “Praia” foi ter-se procurado que, na sua maioria, fosse tocado num só “take”, resultando num registo mais próximo do que é conseguido numa atuação ao vivo. «Em muitos canções há essa pulsação e essa respiração de estarmos todos a tocar ao mesmo tempo. É mais cru, mais direto, menos cerebral, mas tem um lado emocional que só assim que consegui e era o que eu queria», considera.

Ao vivo, Mafalda Veiga, é acompanhada por uma boa parte dos músicos que contribuíram para a gravação de “Praia”. O espetáculo deste sábado em Albufeira, vai ser, dentro do possível, muito similar ao que está a ser preparado para apresentar no Tivoli e na Casa da Música no início de Março, com o álbum a ser tocado na íntegra.

Mas há temas da carreira da artista que não vão faltar. Segundo Mafalda Veiga, com a ajuda dos músicos a que se juntou, foi fácil pegar nas outras músicas «com esta estética, um pop mais direto, um bocadinho mais alternativo, mais próximo da sensibilidade de escrever as canções e da energia que isso tem» e apresentá-las com uma roupagem nova.

Os bilhetes para o espetáculo custam 15 euros. Hoje, o dia do espetáculo, podem ser adquiridos no Auditório Municipal, das 19h30 às 21h15. Para mais informações ou reservas está disponível o número do telefone 289 599 645.

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