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Luaty Beirão vai à Secundária de Loulé despertar nos alunos a «preocupação com os direitos humanos»

Luaty Beirão é um dos mais mediáticos opositores ao Governo angolano de José Eduardo dos Santos, mas não vai ao Grande Auditório da Escola Secundária de Loulé, no dia 19 de Janeiro, às 10h30, «falar de política». O tema da sua conversa será os direitos humanos e o rapper luso-angolano vai fazer-se acompanhar por  José Marcos Mavungo, outro opositor ao poder em Angola.

Juntos, querem «despertar nos alunos essa preocupação» para um tema «que é transversal a todas as disciplinas».

Esta sessão surge do facto de a Escola Secundária de Loulé ter um Grupo de Estudantes da Amnistia Internacional. Aliás, a sul do Tejo, este é o único estabelecimento de ensino não-universitário que tem uma secção daquela associação que, a nível internacional, se preocupa com os direitos humanos.

Em declarações ao Sul Informação, Anabela Correia, professora e responsável por este Grupo de Estudantes, explicou que a ida a Loulé dos dois ativistas surgiu «do plano de atividades da Amnistia, que previa disponibilizar a presença do Luaty Beirão e do Marcus Mavungo para uma sessão».

Assim, «acolhemos a proposta e teremos aqui os dois a darem uma palestra sobre os seus casos em particular», acrescentou. Um dos pontos a abordar será o da liberdade de expressão: «ninguém gosta de ver ninguém preso por falta de liberdade de expressão. Nós também tivemos uma ditadura em Portugal e passámos pelo mesmo. É um tema muito interessante», considerou a professora.

Depois de divulgada a informação sobre a presença dos dois ativistas angolanos na escola de Loulé, até agora, já há «280 alunos inscritos», revelou ainda Anabela Correia. «Nunca pensei que isto despertasse tanto interesse», confessa. O mediatismo de Luaty Beirão, que foi várias notícia durante semanas, em Portugal e no mundo, devido à greve de fome que fez quando foi injustamente detido pelo Governo angolano, «também contribui» para este interesse dos alunos de Loulé.

Em Junho de 2015, Luaty Beirão, que, como rapper, usa o nome Ikonoklasta, foi preso, por estar a ler, em Luanda, com outros ativistas, o livro «Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura», do jornalista Domingos da Cruz. Em protesto contra a sua detenção arbitrária, e após meses na prisão, o músico fez 36 dias de greve de fome, entre 22 de Setembro a 27 de Outubro.

Luaty acabou por ser condenado a uma pena de cinco anos e seis meses de cadeia, mas, no final de Junho, foi libertado, assim como os restantes 16 ativistas.

O ativista luso-angolano lançou, há pouco tempo, o livro «Sou mais livre, então». Em entrevista ao jornal Observador, Luaty Beirão reconheceu que «no fundo, José Eduardo dos Santos escreveu este livro».

Mavungo foi, por sua vez, condenado, em Setembro de 2015, a seis de anos de prisão devido a um crime de rebelião contra o Estado, por ser um dos assinantes de uma manifestação contra «as violações dos direitos humanos e má governação em Cabinda».

Segundo o jornal «Rede de Angola», este ativista foi libertado a 20 de Maio de 2016.

Além desta palestra com os opositores angolanos, a Escola Secundária de Loulé tem outras atividades em curso, como a iniciativa «Maratona de Cartas», que pede «a alunos, professores e funcionários» que assinem e enviem cartas a diversos Governos a pedir a resolução de casos de direitos humanos que a Amnistia Internacional tem assinalado em todo o mundo.

Atualmente, os casos das cartas “a assinar” são, por exemplo, o de Edward Snowden ou o de Anni Alfred, uma criança albina do Malawai, país africano onde se acredita que os ossos das pessoas albinas têm poder mágicos e devem ser vendidos, uma crença que põe em risco a vida desta e de outras crianças.

 

Oiça e veja aqui a música de Luaty Beirão, aka Ikonoklasta:

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