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Quem se dedica ao Circo não o troca por nada

Não é uma vida fácil e as obrigações são muitas e variadas, mas três jovens artistas do Circo Mundial não a trocariam por nada. Andar com a casa às costas, de terra em terra, faz parte do seu ADN e assim é há gerações, nas respetivas famílias.

Axel Noronha, Carol Mariani e Dário Monteiro têm riso fácil e foi com muita descontração que falaram com o Sul Informação e com a Rádio Universitária do Algarve RUA FM, aproveitando a sua passagem em Faro, onde vão atuar junto às Piscinas Municipais hoje, sexta-feira, no sábado e no domingo.

Os jovens de 13, 19 e 23 anos, respetivamente, contaram como é viver e trabalhar num circo e como funciona o dia a dia dos que se dedicam a este espetáculo secular. Pelo meio, a ida à escola e as críticas crescentes ao uso de animais nos circos.

Os três convidados do programa radiofónico «Impressões» nasceram no seio de famílias que se dedicam a fazer circo há várias gerações e nunca conheceram outra vida que não esta. Neste momento, são membros de «uma comunidade» com cerca de 35 pessoas, que trabalham «juntos para um bem comum», cada qual dando o seu contributo em prol do Circo Mundial.

Na ribalta, Carol é trapezista e domadora de serpentes e crocodilos. Dário é malabarista e o jovem Axel é palhaço. «Nós somos todos um, estamos todos a trabalhar para o mesmo. Somos uma pequena comunidade que faz circo e que se junta para os espetáculos e que, fora do plateau, também estamos juntos», disse. «O circo é como se fosse uma empresa, se não ajudarmos todos, a coisa não avança», ilustrou Dário Monteiro.

Quando se é artista de circo, a vida passada na estrada, o que leva a alguma hesitação quando se pergunta se têm um local a que chamem casa. «Uma casa, física, que não tenha rodas?», pergunta,a rir, Carol Mariani. «Nós somos como o caracol, andamos sempre com a casa às costas, não temos uma morada fixa. Temos sim, uma morada para onde vai a nossa correspondência. Principalmente as multas!», revelou.

«Eu tenho casa no Pinheiro de Loures e temos uma quinta na Moita, onde guardamos material. Mas acabamos por não as usar muito», disse.

Como jovens artistas do chamado circo tradicional, pesa sobre estes jovens e outros ligados a esta arte a responsabilidade de inovar. Algo que passa não apenas pela criação de novos números, mas também pela adaptação às novas tecnologias, com a presença na Internet, nomeadamente na rede social Facebook.

«O Circo Mundial tem a vantagem de ter muita juventude e tentamos diferenciar um bocado e mudar. Embora o papel do circo tradicional na sociedade seja o mesmo, nós tentamos sempre evoluir e tentar mudar o conceito circo», disse Carol Mariani.

Agora, a escola move-se com os artistas de circo

Para quem vive sempre a mudar de terra, ir à escola pode ser algo complicado. Hoje em dia, com a Escola Móvel, as coisas não são tão complicadas. Axel beneficia deste método, em que as aulas são dadas pelo computador. «Temos um chat onde falamos coma professora e por onde ela manda trabalhos. E fazemos os testes no computador», descreveu.

«Até ao quinto ano, eu estudava de escola em escola, de terra em terra. Se estivesse aqui em Faro, vinha aqui à escola. Antes, estivemos em Olhão e estaria lá uma semana», explicou Axel.

Carol e Dário tiveram de viver com esta realidade muito tempo, apesar de ainda terem ido a tempo de estudar na Escola Móvel, que estrearam. Acabado o 9º ano, não pensam em estudar mais, até porque querem ficar sempre no circo.

«Quem nasce no ramo, raramente quer sair, pois nascemos com o bichinho. Eu já tive a experiência de sair por causa da escola, porque ainda não havia a Escola Móvel e sentia-me como peixe fora de água. Para mim, era um stress, tive crises de choro», disse, com Dário Monteiro a reforçar com um meneio de cabeça esta ideia.

«Estar fora do circo é algo esquisito, estamos habituados a viajar, a conhecer novas pessoas e até parece que estamos presos», disse o jovem malabarista.

Animais são bem tratados e o controlo é apertado

O uso de animais nos circos é cada vez mais contestado e há mesmo países, como o reino Unido, que ponderam a proibição do seu uso para estes espetáculos. Mas Carol Mariani, que tem um número com animais, recusa que haja maus tratos ou tratamento abusivo dos animais, pelo menos no Circo Mundial.

«As pessoas manifestam-se, e nós aceitamos. Para nós, circo tradicional é com animais, sempre assim foi. O nosso circo tem um veterinário próprio, que vem todos os meses vem de Espanha de propósito. Têm limpeza diária, higiene e saúde todos os dias. Temos um camião só com a carne designada para os tigres e outro com o feno», explicou.

Atualmente, o Circo Mundial viaja com tigres, serpentes, crocodilos, cães e póneis, mas já foram «muitos mais animais», mas o custo acabou por se demonstrar incomportável. «Demos animais a muitos zoos», diz Carol Mariani.

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