Valor do apoio pela proibição da pesca da sardinha «é ofensa completa»

Pescadores da frota de Cerco vão receber em 2019 metade da indemnização do ano passado

O Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul (STPS) considera que o valor da indemnização que o Governo vai dar aos profissionais da pesca do cerco pela interdição de captura da sardinha é «uma falta de respeito e uma ofensa completa para os pescadores».

Segundo uma portaria publicada na segunda-feira, dia 11 de Novembro, os profissionais da pesca do cerco terão direito a um apoio com o valor diário de 32 euros, durante 30 dias. Ou seja «960 euros, por uma paragem de mais de seis meses», salientou Josué Marques, do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul, em declarações ao Sul Informação.

Em 2018, foi decidido «um apoio por um período de 60 dias seguidos com um valor diário de 32 euros».

Ou seja, a verba que será dada este ano «é metade daquela que foi atribuída no ano passado, por um período de paragem semelhante».

O STPS já enviou uma comunicação aos pescadores para os informar sobre a decisão e criticar fortemente o Governo.

Os sindicalistas falam mesmo em «vergonha» e «escândalo» e num «atentado à dignidade de homens que todos os dias se fazem ao mar para o exercício da faina da pesca, uma profissão com um elevado índice de sinistralidade e de grande perigosidade».

 

Créditos: Depositphotos

 

«Estávamos convencidos que haveria um subsídio por 60 dias, como no ano passado. Fiquei escandalizado, quando vi a portaria», confessa o sindicalista.

Esta foi uma decisão tomada sem que os pescadores tenham sido ouvidos e pudessem apresentar os seus argumentos.

«Não houve diálogo nenhum. Fecham-se nos seus gabinetes em Lisboa e legislam com forte insensibilidade social. Isto é um facto consumado e nós gostamos pouco disso», considerou Josué Marques.

«Tenham algum respeito pelos pescadores!», pediu.

Esta situação, avisa, por seu lado, o sindicato, «põe em causa o futuro da pesca do cerco (sardinha)».

«Sem pescadores não há pesca. E sem rendimentos dignos não há homens para se fazerem ao mar. É preciso assegurar o presente o futuro da pesca em Portugal. É precisa uma outra política que valorize a pesca e os pescadores ao mesmo tempo que garanta a sustentabilidade dos recursos», avisou o STPS.

«A pesca está a viver dias aflitos, devido à falta de pessoal. Ainda ontem nos telefonaram a perguntar se sabíamos de algum marítimo disponível para embarcar. Não há! Essa embarcação terá ficado encostada, sem possibilidade de sair para o mar, como tem acontecido a outras», reforçou Josué Marques.

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