Lagos quer construir «100 a 150» casas para atacar problemas de habitação

Câmara conta investir largos milhões de euros em habitação social, casas a custos controlados e arrendamento a preços acessíveis

A Câmara de Lagos quer construir «100 a 150 fogos municipais» de habitação social e a custos controlados, nos próximos seis anos, para fazer face às dificuldades que munícipes de diferentes extratos sociais enfrentam para encontrar habitação.

O Sul Informação falou com Hugo Pereira, o recém-empossado presidente da Câmara de Lagos, que garantiu que a sua grande prioridade nos dois anos que faltam para acabar o mandato e nos quatro anos que se seguirem, caso venha a ser eleito, será, «claramente, a habitação».

«Aqui em Lagos e noutros grandes centros do Algarve, as autarquias têm de ter um papel muito ativo e nós estamos a preparar um pacote para avançar com a criação de um grande conjunto de habitações municipais», revelou.

«Num programa que temos já aprovado, estão projetados entre 100 a 150 fogos municipais, para se poder injetar no mercado casas a custos controlados, para poderem ser compradas, casas com rendas controladas, para poderem ser alugadas aos munícipes a preços justos, e habitação social», anunciou Hugo Pereira.

As primeiras casas deverão começar a ser construídas já em 2020.

«Neste momento temos praticamente prontos para ir para concurso dois projetos noutras tantas zonas, nomeadamente Sargaçal e Bensafrim. São entre 15 a 17 fogos e as peças estão já quase todas fechadas. No conjunto, custarão à volta de 2 milhões de euros», disse o edil lacobrigense.

«Queremos abrir concurso até final de 2019, princípio do próximo ano, para conseguirmos adjudicar e começar com a construção em 2020. Será obra para um ano e pouco e, se tudo correr bem, poderemos ter estas prontas em 2021», ano em que acaba o atual mandato, adiantou.

 

 

Mas «o grande bolo de infraestruturas» será criado num terreno que a Câmara negociou com uma cooperativa de habitação, «que fica em Lagos, junto à Escola Secundária Júlio Dantas [Cooperativa CHESGAL, na freguesia de São Gonçalo]», e cuja escritura de aquisição foi «assinada há cerca de duas semanas».

«Estamos a rever os projetos e julgo que durante o primeiro semestre do ano que vem os podemos ter fechados. A partir daqui, estaremos em condições de montar o calendário, para poder lançar concursos, porque a construção terá de ser faseada. Estamos a falar de 100 apartamentos, podemos ir até 12 ou 14 milhões de investimento. Terá de ser dividido em dois ou três blocos de cada vez».

Aqui, como nos dois terrenos em que as obras avançarão no ano que vem, a ideia é ter «um pouco de tudo: casas a custos controlados, habitação social e arrendamento. Estamos a fazer um raio-x das necessidades e da tipologia dos agregados, para se poder fechar o projeto de arquitetura e se poder adaptar uma coisa e outra».

A Câmara de Lagos também está de olho «em dois ou três terrenos, para alienar a custos controlados. Neste caso, será o mais fácil, pois só será necessário urbanizar, fazer os lotes e entregar. Também queríamos ter já alguns disponíveis até final deste mandato».

Esta aposta, que irá custar aos cofres da autarquia largos milhões de euros, surge numa altura em que as dificuldades em arranjar casa, para uma boa franja da população, são cada vez maior. E já não se trata de um problema das classes mais desfavorecidas, também a classe média sente dificuldade em encontrar habitação.

«Já não se fala apenas da população mais desfavorecida. Há aqui uma franja da população que é demasiado “rica” para ter acesso a habitação social, mas demasiado “pobre” para poder alugar casas aos preços que atualmente se praticam», enquadrou Hugo Pereira, em entrevista ao Sul Informação.

 

 

Isto é um problema transversal a cidades com mais turismo ou com universidades. «Há também o mercado das segundas habitações, de nórdicos, franceses e o novo mercado de pessoas que vêm do Brasil e têm poder de compra, o que acaba por inflacionar o valor das casas».

Isso leva a que, além das soluções públicas, a autarquia também esteja a trabalhar em parceria com o setor privado.

«Estamos a trabalhar com um promotor privado, para se poder vir a ter terrenos para se construírem casas, não digo a custos controlados, mas a um preço mais em conta. A ideia é desenvolver uma urbanização com 400 lotes, para autoconstrução, a preços mais do mercado tradicional, ditos mais normais», no Chinicato.

Os terrenos em causa «eram de uma urbanização que ficou por terminar e que estão parados há anos. Foi possível entre a Câmara e o promotor viabilizar aquela urbanização».

Dos muitos projetos, não será possível concluir todos neste mandato, nomeadamente os cem fogos em Lagos, «mas queremos ter tudo o mais avançado possível e alguma obra a decorrer» até 2021, concluiu Hugo Pereira.

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