Almodôvar amplia Museu e defende Centro de Interpretação nas Mesas do Castelinho

Festival Escritas do Sul prossegue até domingo, com programa variado

O Museu da Escrita do Sudoeste (MESA), em Almodôvar, vai ser ampliado, aproveitando espaços contíguos para criar uma sala de exposições e de formação, anunciou esta quinta-feira o presidente da Câmara Municipal daquele concelho do Baixo Alentejo.

António Bota falava durante a sessão de abertura do festival Escritas do Sul, que começou ontem e se prolonga até domingo, em Almodôvar.

O autarca defendeu ainda a necessidade de criar um centro de interpretação no sítio arqueológico das Mesas do Castelinho. «Trata-se de um local de grande interesse, que merece ser mais visitado. Mas as pessoas chegam lá e não têm informação», disse António Bota, dirigindo-se à diretora regional de Cultura do Alentejo, entidade responsável por aquele sítio arqueológico.

Em declarações ao Sul Informação, o edil almodovarense explicou que, no MESA, será aproveitada a área hoje ocupada por um pequeno lago exterior para aumentar o espaço do museu.

 

Na sessão de abertura, Bota disse um poema «do nosso António Aleixo», a propósito da necessidade de investir na valorização do património e da cultura: «Queremos ver sempre à distância/ o que não está a descoberto/ sem ligar importância/ ao que está aqui tão perto».

Ana Carmo, vereadora da Cultura da Câmara de Almodôvar, exprimiu a sua satisfação pelo facto de, depois do «interregno de 2018», o festival Escritas do Sul ter voltado a realizar-se este ano. «É com muito prazer que retomamos este festival, que pretende celebrar a Língua Portuguesa, envolvendo a comunidade de Almodôvar, mas também trazendo gente de fora ao concelho».

Trata-se, admitiu, de uma «versão reduzida» do festival, que em anos anteriores tinha tido o apoio de fundos comunitários através do Alentejo 2020, mas agora já não tem. «Esta versão mais reduzida sai inteiramente do orçamento da Câmara», acrescentou a vereadora Ana do Carmo.

 

O presidente António Bota admitiu, por seu lado, que este ano o festival tem «um programa à nossa medida e de acordo com a nossa capacidade financeira, sem os nomes muito sonantes da música ou da escrita».

E lançou mesmo o desafio aos técnicos e responsáveis da própria Câmara de Almodôvar para que «no ano que vem», o festival aposte nas «expressões dos alentejanos, em especial do nosso próprio concelho».

Sobre a defesa do património e dos valores locais, o autarca recordou o apoio que tem sido dado pelo Município à edição de livros de autores almodovarenses. Duas dessas obras serão lançadas precisamente durante o festival.

Ana Paula Amendoeira, diretora regional de Cultura do Alentejo, sublinhou a «ligação umbilical» que este organismo tem a Almodôvar, «pelo excelente património» do concelho, sobretudo «o sítio arqueológico das Mesas do Castelinho».

 

A responsável felicitou a Câmara de Almodôvar «pela escolha feliz do título do festival», «porque nos recentra logo naquilo que é importante no nosso sul» e porque tem como base a «ainda misteriosa» Escrita do Sudoeste, que tem tudo a ver com este concelho do Baixo Alentejo.

O festival Escritas do Sul, acrescentou, «vai buscar o seu mote à raiz da identidade desta região, ainda com muito para desvendar».

A diretora regional de Cultura defendeu que «o facto de o património ser ancestral não quer dizer que seja velho. É apenas antigo». Ora, salientou, «o que é antigo tem muitas virtualidades». «Há um caminho muito grande antes de nós, que é ancestral, às vezes milenar, como é o caso».

«As nossas raízes, aquilo que nos antecedeu, é sempre fator de modernidade e de futuro. Destruir o passado é hipotecar o futuro».

Ana Paula Amendoeira considerou, por isso, como «manifestação de muita inteligência e de estratégia cultural», o facto de o Município de Almodôvar apostar na cultura, nomeadamente através deste festival de quatro dias.

 

Sobre a falta de financiamento da edição atual do certame, aquela responsável frisou que «nem sempre o dinheiro é a razão que nos faz andar no melhor sentido». Prova disso é o «programa muito equilibrado, aliando entretenimento e lazer, misturando-os de forma feliz ao conhecimento e à reflexão».

«As questões do património arqueológico, da Escrita do Sudoeste, são um chapéu para esta iniciativa, muito importante porque é a partir daí que podemos construir o futuro», concluiu a diretora regional de Cultura.

Depois da sessão de abertura, a primeira tarde do Festival Escritas do Sul foi dedicada a palestras de investigadores como Amílcar Guerra, sobre as primeiras tentativas de decifrar a ainda indecifrada e misteriosa Escrita do Sudoeste, ou de Pedro Albuquerque, que analisou a possível origem do povo (os Tartessos?) que deu origem a essa escrita, cruzando as fontes clássicas com os dados da arqueologia.

Hoje à noite, haverá concerto dos Lucky Duckies no Cineteatro Municipal, depois de o dia ter começado com a presença do músico Carlão (que integrou os Da Weasel) numa sessão pensada sobretudo para os mais jovens, no âmbito do projeto de interculturalismo «Livres e Iguais».

 

Ao longo de quatro dias, o programa inclui palestras, concertos, dança, teatro, contos, poesia, uma visita guiada, exposições, apresentação de livros e mesmo a inauguração de uma escultura.

Amanhã, sábado, o dia começa com música para bebés, às 10h30, pela Orquestra Clássica de Almodôvar, na zona envolvente do Fórum Cultural da vila. Haverá ainda Dança clássica, pelo Conservatório Regional do Baixo Alentejo (12h00), visita guiada ao Museu da Escrita do Sudoeste, com animação (14h30), a apresentação de um livro, abertura da exposição alusiva e um momento musical com as Mondadeiras de Santa Cruz (16h30).

À noite, às 22h00, o Cineteatro acolhe uma representação teatral sobre a Escrita do Sudoeste, a cargo da Viv’Arte.

No domingo, 20 de Outubro, último dia do festival Escritas do Sul, às 16h00 será apresentado o livro «Poemas de uma Vida», de Otília Ferreira Branco, com momento musical a cargo da Tuna da Universidade Sénior de Almodôvar.

O programa termina às 17h00, no Fórum Cultural, com o concerto dos Poetas e a inauguração da exposição «12 Poetas 12 Poemas», com apresentação do respetivo CD.

Todos os eventos do Festival Escritas do Sul têm entradas gratuitas.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

 

Clique aqui para conhecer o programa em pormenor (PDF)

 

 

 

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