Transporte de passageiros para a Culatra do futuro pode ser feito em ferry solar

Sun Concept está também a trabalhar em desenvolver plataformas solares para os viveiristas

Catamarã da Sun Concept na Culatra | Foto: Rodrigo Damasceno

A Culatra quer mostrar que é possível viver apenas com energias limpas e, para isso, é preciso que também o transporte marítimo se adapte a esta realidade. A fórmula encontrada para atingir este objetivo envolve a empresa olhanense Sunconcept que poderá vir a criar embarcações solares para os viveiristas e um ferry, também ele solar, para o transporte de passageiros para a ilha.

André Pacheco, investigador do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve e coordenador da equipa de energias renováveis marinhas deste centro, adiantou ao Sul Informação que, no âmbito do Culatra 2030, «neste momento, temos dois projetos em curso: a criação de uma plataforma elétrico-solar para a atividade dos viveiristas» e também o desenvolvimento de um ferry elétrico-solar.

Segundo o responsável, «temos tido engenheiros da Sunconcept a desenhar, com os viveiristas, essa plataforma elétrico-solar, para que, depois, os mariscadores possam concorrer para a aquisição desses barcos».

A ideia passa por «criar uma opção competitiva que fosse implementada por todos os viveiristas. Estamos conscientes de que nem todos têm a capacidade económica de fazer essa opção de adquirir um barco solar mas, para isso, há o fundo Culatra 2030, um fundo de responsabilidade social e ambiental para a sustentabilidade da ilha da Culatra no futuro».

 

André Pacheco

«O que pretendemos é apoiar qualquer pessoa com um microcrédito para que possam dar passos na transição energética da ilha seja na mobilidade elétrica ou através da instalação de painéis solares nas casas, telha fotovoltaica ou combater a pobreza energética», acrescenta André Pacheco.

Além das vantagens diretas da utilização de barcos solares para a atividade dos viveiristas na Ria Formosa, há também vantagens indiretas: «por exemplo, poderíamos criar aqui uma ostra com carbono zero, criando uma marca diferente para esse produto», revela o investigador.

Já em relação à possibilidade de também o transporte de passageiros para a ilha ser feito através de uma embarcação solar, André Pacheco diz que o objetivo passa por «reunir os parceiros, como a Sun Concept, a Câmara de Olhão e as empresas que fazem o transporte, para abordarmos essa ideia, a forma de implementação e como poderíamos financiar a aquisição desse barco à Sun Concept».

André Pacheco acredita que isso «implica uma mudança de gestão». «Podia haver um passe para residentes, mas todas as visitas à ilha contribuiriam para custear parte desse barco. O resto poderia ser financiado através de fundos europeus para a mobilidade elétrica», explica.

A importância de assegurar o transporte sustentável de passageiros para a ilha é realçada porque «não basta fazer um projeto, com uma agenda de transição energética, para o Culatra 2030, para uma ilha sustentável, e depois não acautelarmos o transporte. É esse o exemplo que queremos dar para que, depois, possa ser replicado nas outras ilhas-barreira e nos transportes marítimo-turísticos em Portugal».

Estas ideias acabam por envolver a Sun Concept em mais um projeto ambicioso, mas nada que assuste a empresa algarvia.

«Desde a nossa génese, estamos habituados a desafios e a fazer mais e melhor. O salto de um barco de 7 metros para um de 12 [catamarã] foi abismal e agora queremos dar mais. Se forem desafios fáceis, perde um bocadinho a piada. Estamos muito habituados a desafios difíceis», conclui João Bastos diretor comercial da empresa.

 

Corrigido às 13h45 de 26 de Junho: Ao contrário da informação publicada pelo Sul Informação, André Pacheco já não é vice-diretor do CIMA, exercendo funções como investigador.

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