Amaral já tem «paz» para trabalhar por Castro Marim

O presidente da Câmara de Castro Marim, que foi hoje reempossado, quer pôr «uma pedra» sobre o passado recente de conflito com a oposição

«O passado passou. Conto com todos vós. Agora, seguem-se dias de paz e para trabalhar só pela positiva, em prol de Castro Marim», acredita Francisco Amaral, que tomou hoje posse para um novo mandato na Câmara castro-marinense, desta vez com maioria.

O edil de Castro Marim ganhou as eleições intercalares de dia 2 de Junho, realizadas para escolher o executivo camarário que governará até às próximas Autárquicas, em 2021, e motivadas pelo próprio Francisco Amaral, que renunciou à presidência que havia ganho em 2017, sem maioria.

A aposta em forçar novas eleições, depois de um ano e meio em que não faltaram polémicas e guerras políticas em Castro Marim, revelou-se certeira para o presidente entretanto reeleito e para a coligação PSD/CDS-PP que o apoia.

Assim, a tomada de posse do executivo, esta terça-feira, foi bem diferente da de há cerca de ano e meio. É que desta vez Francisco Amaral conta com dois elementos da sua lista no executivo, Filomena Sintra, que já antes era a vice-presidente da Câmara, e Victor Rosa, que se estreia. O PS elegeu, novamente, dois elementos, Célia Brito, a cabeça-de-lista socialista nas últimas eleições, e Vera Martins – que até era o terceiro elemento da lista do PS, mas que entra no executivo em vez de Vítor Esteves, presidente da Junta de Freguesia de Castro Marim.

 

Da esquerda para a direita: Victor Rosa (PSD/CDS-PP), Filomena Sintra (PSD/CDS-PP), Francisco Amaral (PSD/CDS-PP), Célia Brito (PS) e Vera Martins (PS)

 

O facto de liderar, a partir de agora, um executivo maioritário também levou a uma mudança de discurso, da parte de Francisco Amaral. «Passámos por um ano e meio muito difícil, em que, de algum modo, fomos boicotados na nossa ação. Penso que, com esta maioria absoluta, chegou a altura de vivermos num clima de paz e de tranquilidade e canalizarmos as nossa atenções para fazer aquilo que é necessário».

E o que não faltam são obras para fazer, algumas das quais «deviam ter sido feitas há décadas, como é o caso das de abastecimento de água e esgotos ao interior do concelho».

Esta é a grande prioridade de Francisco Amaral, mas há outras obras com as quais quer avançar rapidamente, como a revitalização «da rede de água da sede de concelho, que tem 60 anos e ruturas constantes», mas também o centro náutico da barragem de Odeleite, «que será um elemento de dinamização económica do interior do concelho».

Ciclovias que liguem a vila a diferentes lugares de interesse do concelho, Internet nas localidades do interior, a criação de um parque de autocaravanismo e de uma área empresarial são outros projetos na mente de Francisco Amaral.

 

 

Muitas destas obras, acusou o edil castro-marinense, «só não estão já em curso porque a oposição não deixou. Este ano e meio foi para esquecer. Perdemos muito tempo em guerrilha e a defender-nos de ataques ferozes».

Apesar das críticas ao PS, Francisco Amaral também deixou claro o desejo de virar essa página. «Vamos pôr uma pedra em cima do que se passou. Não há ressentimentos e conto com a oposição para nos ajudar e dar ideias, que de certeza também serão válidas», acredita.

A este discurso apaziguador não será alheio o facto de, apesar de ter ganho a maioria na Câmara, a coligação PSD/CDS-PP “Castro Marim + Humano” continuar em minoria na Assembleia Municipal.

«Espero que a Assembleia Municipal compreenda a mensagem dada pelos castro-marinenses nas eleições. O diálogo e a procura de consensos são importantes, mas também são importantes as decisões, que devem ser tomadas por quem o povo escolheu», avisou Francisco Amaral.

 

Fotos: Rodrigo Damasceno

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