Primeiro museu de arte digital da Europa nasce em Santa Catarina da Fonte do Bispo

Museu deverá abrir em 2020

Foto do projeto – Pedro Silva Arquitectos

O “Museu Zero”, o primeiro dedicado, em exclusivo, à arte digital em toda a Europa, vai nascer na Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo, aldeia do concelho de Tavira. O objetivo é «abrir em 2020» e o espaço terá exposições, com base na luz, imagem e som, bem como residências artísticas. 

O museu será criado nos antigos silos de cereais e armazéns anexos da Cooperativa, espaços atualmente desativados. Curiosamente, os próprios edifícios da antiga cooperativa já são, eles próprios, uma espécie de museu, uma vez que foram desenhados nos anos 50 por Manuel Gomes da Costa, arquiteto modernista.

A ideia partiu de Paulo Teixeira Pinto, antigo presidente do Banco Comercial Português (BCP), artista, colecionador de arte e residente em Santa Catarina da Fonte do Bispo.

As obras ainda não começaram, mas já há muito definido sobre o que será aquele espaço único na Europa.

 

Interior do futuro museu

«Está previsto criarmos um ciclo de duas ou três exposições anuais, feitas com base no som, imagem e luz. Estamos também com contactos nacionais e internacionais de artistas para fazer cá residências artísticas», explicou João Correia Vargues, presidente da Comissão Executiva do Museu, à margem de uma visita feita esta terça-feira, 29 de Abril.

O momento contou com a presença de Maria do Céu Albuquerque, secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, que visitou projetos apoiados por fundos comunitários, através do CRESC Algarve2020.

«Queremos que um artista de renome venha para cá, durante dois ou três meses, e conceba uma obra específica para o local», exemplificou João Vargues.

E a verdade é que até já há o interesse de artistas nestas residências. «Temos tido a comprovação direta, por parte dos criativos, que este território é um manancial de inspiração enorme. Esta paisagem, a etnografia, a música, o acordeão… Podemos valorizar o mundo rural algarvio e aproveitá-lo», disse ainda.

Além disto, também será criado um Serviço Educativo do Museu, com o objetivo de trabalhar com os mais novos. Neste sentido, já houve 10 sessões feitas em escolas, de promoção da arte digital.

Quanto às obras, que ainda não começaram, não vão destruir o atual espaço, mas, ao invés, usá-lo como um dos atrativos do Museu.

 

João Correia Vargues, Paulo Teixeira Pinto, Francisco Serra, Jorge Botelho e Maria do Céu Albuquerque

«O que vamos fazer é tirar equipamentos desnecessários que não serão precisos à polivalência do espaço. Depois, faremos alguns trabalhos ao nível dos revestimentos, vamos construir um outro edifício, anexo, e faremos a adaptação tecnológica de todo o espaço, ao nível de criação de redes de wi-fi, por exemplo», explicou João Vargues.

Os silos, que se erguem imponentes, vão manter-se, «mas vamos tirar partido deles», disse ainda o responsável.

O objetivo deste museu também é «ligar pessoas da cultura à agricultura» e vice-versa. «É algo que vai acontecer, com os sócios da Cooperativa, os clientes, os turistas. Queremos juntar isto e temos a certeza que todos vão ficar satisfeitos», referiu João Vargues.

A criação do Museu Zero implica um investimento de cerca de 1,9 milhões de euros. O valor é comparticipado, em 70%, por fundos comunitários do CRESC Algarve2020.

Na opinião da secretária de Estado Maria do Céu Albuquerque, este é um projeto que mostra como é que os fundos europeus podem «alicerçar o desenvolvimento regional».

 

Foto – Pedro Silva Arquitectos

O Museu Zero é, para a governante, um «grande projeto, arrojado e inovador». «Trabalha a criatividade e coloca-a ao serviço do território e de todos, sejam mais novos ou mais velhos. Aquilo que vemos aqui surgir é um fator distintivo para o território», acrescentou, em declarações aos jornalistas.

Jorge Botelho, presidente da Câmara de Tavira, pensa da mesma forma. «O que vai acontecer aqui vai atrair público, investimento e mostra que esta terra tem futuro», disse.

Este projeto já conta com parceiras do MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbekian, do Centro de Artes “Ars Electronica”, de Linz, na Áustria, e da Universidade do Algarve.

 

 

 

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