Peças do Museu de Arqueologia de Silves mostram-se no Museu do Oriente

Trata-se de objetos do quotidiano luxuoso dos povos muçulmanos que habitaram Silves

Frasco de vidro opaco, da coleção do Museu de Arqueologia de Silves – Imagem do catálogo da exposição

Nove delicadas peças do Museu de Arqueologia de Silves podem agora ser vistas no Museu do Oriente, em Lisboa, na exposição “Três Embaixadas Europeias à China”, patente até 21 de Abril próximo.

Trata-se de dois frascos em vidro translúcido, uma taça, também em vidro translúcido, um conjunto de três pequenos frascos em vidro opaco marmoreado, que deviam conter perfumes, e uma taça em cerâmica, todas peças datadas dos séculos XII ou XIII. Há ainda uma outra taça cerâmica, mais antiga, do século IX.

Estes objetos do quotidiano luxuoso dos povos muçulmanos que habitaram Silves naquela era foram descobertos em escavações arqueológicas feitas no Castelo de Silves e ainda na casa islâmica da Rua da Arrochela, também no centro histórico da cidade, pelo casal de arqueólogos Rosa e Mário Varela Gomes.

Os objetos do Museu de Silves figuram entre setenta peças de colecionadores privados, de instituições como o Arquivo Secreto do Vaticano, a Torre do Tombo, a Biblioteca Nacional e o Museu da Farmácia, entre outras, e do próprio espólio da Fundação Oriente.

 

Exemplo de algumas das peças, no catálogo da exposição

 

As pecinhas algarvias estão num dos três núcleos da exposição, o dedicado a Frei Lourenço de Portugal, nomeado embaixador ao Império Mongol pelo Papa Inocêncio IV em 1245, uma embaixada organizada pelo Vaticano em representação política de toda a Europa.

Em entrevista ao Sul Informação, Rosa Varela Gomes explicou que o que lhe foi «pedido pelo comissário científico da exposição foram peças de influência chinesa trazidas pelas comunidades muçulmanas».

A arqueóloga salientou que «entre as peças excecionais que estão nesta exposição, estão também as nossas pecinhas de Silves e isso é muito importante».

O próprio Museu do Oriente explica que a mostra inclui «um conjunto notável de objetos islâmicos de luxo, provenientes do sul de Portugal (uma parte do quais produzida no Médio e Próximo Oriente), mas idênticos aos encontrados ao longo do Oceano Índico, o que ilustra a circulação global de mercadorias e gentes no século XIII».

 

Carta do imperador Qianlong ao monarca D. José I, datada de 1753

 

Exposição dá a conhecer as “Três Embaixadas Europeias à China”

Protagonizada por portugueses ao longo de cinco séculos (XIII a XVIII), a história dos contactos político-diplomáticos entre a Europa e a China é dada a conhecer na exposição “Três Embaixadas Europeias à China”.

Trata-se de «uma história com múltiplos ciclos, avanços e recuos, entendimentos e ruturas, mas que teve como constante o protagonismo de vários portugueses, tais como Tomé Pires, Francisco Pacheco de Sampaio, e Lourenço de Portugal, explica o Museu do Oriente no seu site.

É em torno destes três protagonistas que se estrutura a exposição, por isso dividida em três núcleos, com cerca de setenta peças de colecionadores privados, de instituições como o Arquivo Secreto do Vaticano, a Torre do Tombo, a Biblioteca Nacional e o Museu da Farmácia, entre outras, e do próprio espólio da Fundação Oriente.

O núcleo dedicado a Frei Lourenço de Portugal, nomeado embaixador ao Império Mongol pelo Papa Inocêncio IV em 1245, sublinha o facto de esta ser uma embaixada organizada pelo Vaticano em representação política de toda a Europa. Registando este facto raro, estão duas bulas papais, uma das quais em documento original proveniente da Torre do Tombo e que data de 1245 e, a outra, uma reprodução do Arquivo Secreto do Vaticano.

Também para ver neste núcleo, um conjunto notável de objetos islâmicos de luxo, provenientes do sul de Portugal (uma parte do quais produzida no Médio e Próximo Oriente) mas idênticos aos encontrados ao longo do Oceano Índico, o que ilustra a circulação global de mercadorias e gentes no século XIII.

Dedicado a Tomé Pires e à sua embaixada à China, em 1517 – a primeira missão diplomática oficial de uma nação europeia à dinastia Ming -, o segundo núcleo aborda o percurso deste boticário/farmacêutico, autor da Suma Oriental, a primeira e mais completa descrição europeia quinhentista da Ásia, cujo manuscrito pode ser visto na exposição.

Ainda neste núcleo, destaque para os objetos que ilustram a profissão original de Tomé Pires, como os albarelos, o almofariz e as pedras de bezoar.

O terceiro núcleo centra-se na embaixada de Francisco Pacheco de Sampaio ao Imperador Qianlong, da dinastia Qing, em 1752, numa altura delicada para os interesses portugueses em Macau e na China.

Aqui é mostrada ao público, pela primeira vez em Portugal, a impressionante carta do imperador Qianlong ao monarca D. José I, datada de 1753 – com quatro metros de comprimento e escrita em três línguas: Manchu, Português e Chinês.

São ainda exibidas, neste núcleo, peças de arte chinesa do século XVIII, nomeadamente uma poncheira com imagens das feitorias de Cantão, pertencente à “Antiga Coleção Cunha Alves”, recentemente adquirida pela Fundação Oriente.

Em cada um dos três núcleos, o percurso biográfico dos três diplomatas é entendido no seu tempo e num contexto global, sobretudo europeu e asiático.

Integrada nas comemorações do Ano Europeu do Património Cultural, a exposição é comissariada por Jorge Santos Alves, professor e coordenador do Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa.

A mostra abriu a 8 de Novembro e pode ser vista até 21 de Abril próximo, no museu lisboeta.

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