Projeto LIFE promove voluntariado ambiental na floresta da Serra de Monchique

9º ERVAA- Encontro Regional de Voluntariado Ambiental para a Água terá lugar em Novembro em Monchique

Promover ações de educação e voluntariado ambiental, em especial em áreas da Rede Natura 2000 do concelho de Monchique, é o objetivo do protocolo assinado esta quarta-feira, dia 26, entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Câmara Municipal de Monchique e a associação ambientalista local «A Nossa Terra».

Esta parceria surge e é financiada no âmbito do projeto LIFE, denominado LIFE Volunteer Escapes – Volunteer with the European Solidarity Corps for Activities in Portugal with Ecological Sense, que foi apresentado no mesmo dia, em Faro, numa sessão que marcou o arranque da SEIVA – Semana de Educação e Iniciativas de Voluntariado Ambiental, promovida pela APA, através da ARH do Algarve.

Na assinatura do documento, Paula Noronha, da ARH do Algarve, explicou que este é «simbolicamente» o primeiro dos 16 protocolos a serem assinados com cada um dos municípios algarvios. «Monchique sofreu este Verão um duro golpe, com a catástrofe dos incêndios, por isso é simbólico que este primeiro protocolo seja assinado com esta autarquia», sublinhou aquela técnica.

Por seu lado, Rui André, presidente da Câmara de Monchique, recordou o facto de o seu município já participar, com outras entidades, em outros projetos LIFE, financiados pela União europeia, nomeadamente um denominado «Terra de Seixe», que incide sobre uma zona de fronteira entre o seu concelho e os vizinhos de Odemira e Aljezur.

Todos estes projetos, mas sobretudo o grande incêndio de Agosto, «desafiam-nos, a todos, a repensar o território, tornando-o mais resiliente». «Monchique tem que aproveitar esta oportunidade criada pelo incêndio para fazer um plano de alteração da paisagem e de ordenamento do território. Para isso, precisamos da ajuda de todos, até porque é preciso garantir a existência das mais variadas atividades económicas no território, desde a floresta de produção, para a extração de madeira, ao turismo de natureza, à agricultura e criação de animais, à manutenção e valorização de espécies tão emblemáticas como o carvalho-de-Monchique», acrescentou o autarca.

Quanto ao protocolo em si, que prevê ações estruturadas de voluntariado em prol da floresta e da natureza, Rui André espera que ele possa «servir de exemplo no futuro».

«Este protocolo vem promover um trabalho de parceria entre a APA, o Município e a associação A Nossa Terra, que é da sociedade civil, mas acima de tudo um voluntariado organizado, de modo a que esse trabalho dê mais frutos e que não seja apenas um voluntarismo».

Manifestando-se conhecedor das muitas pessoas que querem ajudar Monchique a recuperar do incêndio – e ainda que este protocolo tenha começado a ser trabalhado ainda antes do fogo de Agosto -, o presidente da Câmara defende a necessidade de «enquadrar voluntários». «Sou grande defensor do voluntariado, mas que ele seja organizado. O pior que pode acontecer é que os voluntários não estejam enquadrados».

Quanto aos futuros voluntários no âmbito do LIFE Volunteer Escapes, Rui André defendeu, em declarações ao Sul Informação, que «será pertinente a presença de pessoas que possam, pelo seu conhecimento até científico e experiência, dar um contributo para muito do trabalho que há por fazer».

Este projeto, acrescentou, pretende «criar pontes para pessoas que a nível académico fazem um percurso interessante, adquirem competências, mas depois não têm possibilidade de pô-las no terreno». Em Monchique, terão essa possibilidade.

Além disso, frisa o autarca monchiquense, fazendo alusão ao problema do despovoamento do seu território serrano, «quem sabe se um voluntário não pode passar a ser um residente».

Stephen Hugman, presidente de A Nossa Terra, uma das entidades que vai acolher e fornecer voluntários, recordou o trabalho que a sua associação tem feito na plantação de espécies florestais autóctones da serra. Plantar até é fácil, há sempre voluntários para o fazer, difícil é depois garantir a manutenção dessas áreas replantadas, explicou.

Mas A Nossa Terra há anos que garante a gestão de uma zona plantada com árvores autóctones. «Curiosamente, foi no aceiro que temos à volta dessa área que o incêndio de Agosto parou», disse Stephen Hugman.

Quanto a Mercês Ferreira, vogal do Conselho Diretivo da APA, sublinhou que «todos os projetos e desígnios da educação ambiental têm que estar de mãos dadas com o poder local».

Quais as ações a promover?

O protocolo assinado entre as três entidades – Câmara de Monchique, APA e A Nossa Terra – prevê que o voluntariado será promovido na monitorização da qualidade ecológica da água das ribeiras, monitorização e limpeza de linhas de água, controlo e remoção de espécies invasoras e plantação de espécies autóctones, criação e implementação de atividades de educação ambiental e de voluntariado e ainda participação em atividades de divulgação do voluntariado, em escolas e noutros contextos informais.

No âmbito da parceria, a APA irá promover, em Monchique, o 9º ERVAA- Encontro Regional de Voluntariado Ambiental para a Água, a ter lugar no Dia da Floresta Autóctone (a 23 e 24 de Novembro próximos).

O LIFE prevê igualmente que, na Primavera de 2019 e 2020, haverá em Monchique dois acampamentos de voluntariado ambiental, para os quais a Câmara deverá garantir o alojamento e alimentação.

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