Obras de reposição de areias na Praia dos 3 Irmãos já foram contratadas mas só começam em Outubro

O contrato de empreitada da dragagem do canal e barra da Ria de Alvor, com a reposição das areias retiradas […]

A presidente da Câmara Isilda Gomes com o ministro do Ambiente

O contrato de empreitada da dragagem do canal e barra da Ria de Alvor, com a reposição das areias retiradas na praia de Alvor Nascente (Três Irmãos), foi ontem assinado em Portimão, mas as obras só vão começar em Outubro, após a época balnear.

Ontem, numa cerimónia no Salão Nobre da Câmara de Portimão, que contou com a presença do ministro do Ambiente, o grande destaque foi dado à reposição das areias dragadas dentro da ria na praia ao lado, de modo a reforçar o seu cordão dunar e a repor o areal «em valores dos anos 60».

Para isso, o areal será aumentado em 30 metros de largura, numa intervenção que vai custar 2 milhões de euros, dos quais 1,96 milhões financiados através do POSEUR.

Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), explicou, mostrando imagens aéreas da praia ao longo das décadas, que, «desde os anos 60, tem havido uma erosão pronunciada», que resulta «de fenómenos naturais, mas também de [más] decisões e opções de ordenamento do território, que hoje estamos a tentar corrigir».

Por seu lado, o ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes sublinhou a aposta atual em soluções «de engenharia natural», em «obras sempre paralelas à costa» e não, como foi feito em determinada altura, com efeitos nefastos para a costa e as praias que ficam «descalças de areia», construindo esporões.

O governante frisou que as alterações climáticas «são um problema a que nos temos de adaptar e, ao mesmo tempo, ter capacidade para repor algumas das dinâmicas». Por isso, «o reforço e a reposição contínua das areias têm mesmo de ser feitos pela mão do homem».

O presidente da APA recordou também que esta é já a quarta intervenção que vai ser feita na praia de Alvor Nascente, salientando que «este tipo de intervenções tem de ser feito com regularidade».

A obra, que será feita em parceria com a DGRM, permitirá aproveitar os 250 mil metros cúbicos que serão dragados do interior da Ria de Alvor, para realimentar a praia. Será, por isso, «uma obra útil do ponto de vista da praia, da duna e da ria», garantiu Nuno Lacasta.

A presidente da Câmara de Portimão manifestou a sua satisfação pelo facto de a obra avançar, em duas frentes, resolvendo os problemas de assoreamento da Ria de Alvor, mas também de segurança da praia. «Há um ano e tal, houve uma reunião descentralizada da Assembleia Municipal em Alvor e o tema foi a alegada incapacidade do Governo para resolver esta questão. Nós votámos contra a moção. E aqui está a prova de que o Governo está a trabalhar de forma afincada na obra», disse a autarca.

Sublinhando que as recentes tempestades «vieram dar razão à necessidade do reforço do cordão dunar», Isilda Gomes frisou a importância estratégica que as praias têm para a economia do seu concelho e da região. «Na Páscoa, tivemos ainda mais contadores e consumidores de água que no ano passado em Agosto. Isso prova que os turistas continuam a considerar-nos como um destino de excelência», com as praias da Rocha e de Alvor «num patamar que nos deixa muito orgulhosos».

Por outro lado, salientou a presidente da Câmara, «também os nossos pescadores estão felizes, porque estamos a juntar o útil ao agradável, dando outras condições de segurança e navegabilidade à Ria de Alvor».

O ministro do Ambiente terminaria frisando que se trata de «uma empreitada tão importante para a preservação ambiental e para a melhoria das praias». «Os portugueses querem lá saber quem é que tem de tratar da praia, de quem é o passadiço. Querem é que as coisas estejam bem tratadas e a funcionar», acrescentou João Pedro Matos Fernandes.

Além destas dragagens na Ria de Alvor, com reposição das areias na praia para reforço do cordão dunar, o governante recordou outras duas semelhantes em curso no Algarve – as dragagens das barras da Fuzeta e da Armona, na Ria Formosa.  Trata-se, disse, de apenas três das inúmeras «intervenções nas centenas de quilómetros de costa que o país tem».

«O POSEUR já aprovou 47 operações de proteção ambiental do litoral, são 110 milhões de euros investidos no litoral, 65 quilómetros de costa com estas empreitadas, dos quais 20 já estão concluídos».

O ministro do Ambiente garantiu que o objetivo geral das intervenções é «devolver esta costa pelo menos da forma como a encontrámos e, se possível, ainda melhor». Para isso, defendeu, há que «reduzir a pressão humana direta sobre a costa». «Já foi feito o último hotel sobre a costa!», frisou Matos Fernandes, acrescentado que agora «resta-nos fazer melhor, para podermos garantir a fisionomia da linha de costa».

Na mesma cerimónia na Câmara de Portimão, foi ainda assinado, entre a APA, o Fundo Ambiental e a autarquia, o contrato que garante 65 mil euros para a recuperação dos estragos no litoral causados pelos recentes temporais.

Ainda ontem à tarde, o ministro do Ambiente inaugurou a ETAR da Companheira, em Portimão, obra de 13,8 milhões de euros que se destina a aumentar a qualidade da água na ribeira de Boina e no estuário do Arade.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

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