ETAR da Companheira inova na área ambiental com secagem solar das lamas e reutilização de efluentes tratados

A nova ETAR da Companheira, em Portimão, hoje inaugurada, vai ser inovadora em termos ambientais: as lamas, que são um […]

A nova ETAR da Companheira, em Portimão, hoje inaugurada, vai ser inovadora em termos ambientais: as lamas, que são um subproduto do tratamento dos efluentes, terão secagem solar e talvez possam vir a ser usadas na indústria devido ao seu poder calorífico.

Além disso, será criado um parque fotovoltaico para consumo próprio, assim como está em estudo a reutilização das águas dos efluentes tratados, para rega, lavagens e para a produção de energia.

Esta «verdadeira economia circular», como lhe chamou João Nuno Mendes, presidente do Grupo Águas de Portugal, foi anunciada esta terça-feira, durante a inauguração da nova estrutura, pelo administrador da empresa Águas do Algarve (AdA), responsável pela construção e gestão da ETAR.

Joaquim Peres revelou que a AdA tem estado a estudar, com a Agência Portuguesa do Ambiente, a implementação da «secagem solar destas lamas», processo que «permitirá reduzir o seu volume de água de 85% para 15%». Isso, acrescentou, permitirá «pagar a construção da estufa de secagem».

Um dos «desafios» é definir o que fazer com essas lamas secas. «Estamos a fazer estudos com universidades, nomeadamente a Universidade de Coimbra, para estudar o poder calorífico deste subproduto». Depois, caso a investigação dê bons resultados, o «desafio seguinte» será «interessar algumas indústrias» para virem a utilizar as lamas secas como fonte de energia.

«Outro desafio» da nova ETAR da Companheira é, segundo Joaquim Peres, o da energia. Por isso, numa zona antes ocupada por uma das lagoas da ETAR antiga será instalado um parque fotovoltaico, «para consumo próprio e utilização» na infraestrutura.

Quem sabe, salientou, por seu lado, o presidente do Grupo Águas de Portugal, se os novos veículos da frota elétrica das Águas do Algarve não virão a ser «abastecidos com energia aqui produzida».

Joaquim Peres falou ainda de outro desafio ambiental, o da reutilização das águas dos efluentes tratados. Atualmente, salientou, são «um bem à nossa disposição, que estamos a rejeitar», a desperdiçar. Mas essas águas poderão ser reutilizadas «para regas, para lavagens e até para produzir energia». Daí que outro dos projetos que será agora implementado na ETAR da Companheira seja a instalação de «turbinas nas condutas de rejeição» dos efluentes tratados, para produção de energia.

Mas não se fica por aqui a aposta da nova estrutura no ambiente. Nas lagoas da antiga ETAR, agora desativadas, a Câmara de Portimão, que cedeu o terreno para a implantação de toda a estrutura, quer criar um parque ambiental.

Isso mesmo foi dito por Isilda Gomes, presidente da autarquia, na cerimónia de inauguração. Virando-se para o administrador das Águas do Algarve, a autarca anunciou: «dentro de 15 dias, vamos começar a trabalhar» no projeto do Parque Ambiental.

Enquanto tudo isto não avança, a verdade é que a nova ETAR já começa a ter efeitos benéficos no ambiente: quando estiver a funcionar em pleno, vai melhorar a qualidade do ar, ao eliminar, como se espera, o mau cheiro proveniente da antiga estação de tratamento. Mas vai também melhorar a qualidade da água na Ribeira de Boina e as condições ambientais do estuário do rio Arade.

Tudo benefícios que, além de terem reflexos na qualidade de vida, também os terão na principal atividade do Algarve, o turismo, como sublinhou Isilda Gomes.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

 

Clique aqui para ver imagens aéreas da nova ETAR da Companheira, em Portimão.

 

 

 

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