Nuno Júdice em conversa singular e conspirativa com João Ventura

Depois da primeira “conversa singular” com Lídia Jorge, o Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA) promove, na próxima sexta-feira, 29 de […]

Nuno JúdiceDepois da primeira “conversa singular” com Lídia Jorge, o Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA) promove, na próxima sexta-feira, 29 de Julho, às 18h30, na Casa Manuel Teixeira Gomes, a segunda conversa do ciclo Gente Singular.

Desta vez, João Ventura conversará com o poeta, ficcionista e ensaísta Nuno Júdice, nascido na Mexilhoeira Grande, sobre o seu mais recente livro A Conspiração Cellamare, a novela que traz o poeta de volta ao território da prosa, ele que, por defeito ou comodidade, nos habituámos a arrumar, em lugar de destaque, entre os que mantêm viva e singular a poesia portuguesa.

De acordo com a nota emitida pelo ICIA, a proposta para esta segunda sessão será, então, percorremos com Nuno Júdice os corredores do palácio Cellamare, em Nápoles, cruzando-nos com muitos dos hóspedes ilustres que por lá passaram – Caravaggio, Sade e Goethe, entre outros – e com inúmeras pequenas histórias das suas vidas, no que se espera ser uma viagem literária e cultural pela Europa dos últimos três séculos, intercalada com episódios, uns reais e outros ficcionais, da vida do autor, inviabilizando a ideia de estarmos perante um romance histórico como, aliás, o narrador-autor esclarece logo no começo do livro: “O meu problema inicial era que eu não queria escrever um romance. Seria uma mistura de géneros, entre o diário, as memórias e a ficção…”

Como diz João Ventura, “o móbil subversivo desta conspiração literária, na qual Nuno Júdice nos quer envolver enquanto leitores activos, é o tecer de um subtil exercício ficcional ancorado num cenário napolitano com um fundo histórico, desdobrado em associações, cruzamentos e bifurcações, ora reais ora imaginárias, de que o autor se serve para consumar a sua vontade de contar e contar-se a si próprio, desconstruindo a narratividade linear do romance herdado do século XIX”.

“E porque – acrescenta João Ventura – neste livro são constantes as digressões do autor em torno de temas com fundo histórico ou da biografia real ou inventada, para além de algumas especulações genealógicas e de história local que a trama ficcional convida a questionar, não deixaremos de puxar para esta “conversa singular” alguns temas actuais que encontramos pendurados nas (entre)linhas desta novela singular.

Nuno Júdice nasceu na Mexilhoeira Grande, Algarve, em 1949. Formou-se em Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa. É professor associado da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou.

Desempenhou as funções de Conselheiro Cultural e diretor do Instituto Camões, em Paris (entre 1997 e 2004). Dirigiu, até 1999, a revista Tabacaria da Casa Fernando Pessoa.

Em 2009, assumiu a direção da revista Colóquio-Letras da Fundação Calouste Gulbenkian.

É autor de uma vasta obra que abarca a poesia e a prosa. Tem recebido os mais importantes prémios literários, tanto em Portugal como no estrangeiro. Os mais recentes foram o Prémio Reina Sofia de Poesia Ibero-Americana (Madrid), Património Nacional e Universidade de Salamanca, em 2013, o Prémio de Poesia del Mundo Latino (Universidade de Aguascalientes, México) em 2014) e o Prémio Argana da Maison de la Poésie de Marrocos, já em 2015.

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