«É uma vergonha» obras na EN125 não serem prioritárias para o Governo

O presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve Jorge Botelho considerou «uma vergonha» que a requalificação da EN125 tenha […]

O presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve Jorge Botelho considerou «uma vergonha» que a requalificação da EN125 tenha ficado de fora dos investimentos prioritários em infraestruturas do Governo para 2014.

Em causa, o facto de esta obra não se encontrar entre os 30 projetos de obras públicas prioritários identificados pelo Grupo de Trabalho para as infraestruturas de elevado valor, criado pelo Governo.

Apesar de já se saber que não há dinheiro no próximo Quadro Comunitário de Apoio para financiar estradas no Algarve, Jorge Botelho defendeu que o Governo terá de arranjar verbas para concluir a EN125, nem que seja por «uma via diferenciadora de Fundos Nacionais».

«Não havendo dinheiro nos Fundos Comunitários, o Governo terá de resolver esta questão de outra forma. Porque, senão, nós deixaremos de ter a capacidade de ser o grande motor económico na área do Turismo», considerou, lembrando estatísticas recentes que apontam que a região é responsável «por 35 por cento das dormidas turísticas» a nível nacional.

«Se não queremos perder esta galinha de ovos de ouro, temos de requalificar as redes, ou os turistas vêm cá, veem que isto não está bom e não voltam. Não podemos estar a trabalhar, por um lado, e a jogar o sucesso pela janela, por outro», avisou o também presidente da Câmara de Tavira.

Jorge Botelho foi o convidado desta semana do programa radiofónico «Impressões», dinamizado em conjunto pelo Sul Informação e pela Rádio Universitária do Algarve RUA FM. A entrevista foi para o ar esta quarta-feira e poderá ser ouvida na íntegra no sábado, às 12 horas, em 102.7 FM ou no site da RUA FM.

Nesta conversa, além dos desafios que são colocados às autarquias da região e a Tavira, em particular, nos próximos anos, Jorge Botelho aproveitou para deixar claro que não aceita que as obras na EN 125 sejam indefinidamente adiadas.

«Temos uma Via do Infante em que ninguém passa (…) e uma EN 125 onde todos passam. E com o piso a deteriorar todos os dias, com acessos e viadutos por acabar, parece que isto deixou de ser Portugal e passou a ser só durante dois meses [no Verão] Isto está profundamente errado», considerou.

«A obra [na EN 125] está parada e já devia estar completa desde 2012. Este Algarve não pode ser só dois meses de praia e o Governo tem que ter a ideia que há que combater a sazonalidade. E isso faz-se, muitas vezes, com a requalificação de infraestruturas estruturais e fundamentais para a região», acrescentou.

«Sobre o relatório dos eixos estruturantes, parece-me bem que se vá ao encontro da ferrovia e da eletrificação da Linha do Sul. Agora, tem é de ser definido que tipo de ferrovia. Mais ligeira? Mais modular? Mais intermodal? Que tipo de ferrovia?», questionou.

«Porque, se é para fazer adaptações nos comboios que temos agora, quando há terras, como Loulé e Albufeira, em que as estações ficam a quatro ou cinco quilómetros, não sei se isso serve», acredita. «Parece-me que, nos dias de hoje, o adequado seria uma solução mais ligeira [como um metro de superfície]. Mas isso é uma questão para definir», acrescentou.

Quanto à aplicação dos fundos comunitários, uma questão que foi discutida no início desta semana entre as autarquias e outras forças vivas da região com o ministro Poiares Maduro, Jorge Botelho lembrou que «este é um trabalho que está agora a começar».

«O Acordo de Parceria foi agora entregue em Bruxelas, ainda estamos a definir os eixos temáticos aqui para o Algarve, embora muitos venham formatados de Bruxelas. Agora, temos de ver qual é a realidade, mas esperamos que lá para setembro esteja tudo claro», disse.

No período de financiamento europeu que vigora de 2014 a 2020, a intermunicipalidade vai ser valorizada, ou seja, a AMAL e outras associações de municípios existentes no Algarve terão um papel importante.

«Sozinhos também será possível, mas será mais fácil em conjunto, até pelas dificuldades financeiras que muitas autarquias atravessam. Em conjunto, conseguiremos desenvolver projetos âncora para a região, em que cada um dos municípios poderá completar a sua parcela de responsabilidade», acredita.

 

 

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