Mais de 100 silos medievais descobertos durante obras do Centro Histórico de Ourique

Silos medievais, vestígios de uma antiga igreja e respetivo cemitério foram descobertos durante as obras

Mais de uma centena de silos medievais foram descobertos durante as obras de requalificação do Centro Histórico da vila de Ourique, que foram acompanhadas por uma equipa de arqueólogos.

Estes trabalhos «trouxeram à luz do dia um conjunto de importantes testemunhos patrimoniais reveladores da história de Ourique, da população e dos seus hábitos comunitários de outros tempos», revelou a Câmara Municipal daquele concelho do Baixo Alentejo.

No quadro do desenvolvimento da intervenção de valorização do território do Centro Histórico da Vila de Ourique, nas ruas de acesso ao “castelo” foram descobertos mais de 100 silos medievais.

Estes silos são cavidades esculpidas na rocha do subsolo, com formas semelhantes a talhas e com dimensões que variam entre profundidades de 1 a 3,6 metros e diâmetros entre 0,70 e 2,40 metros.

Segundos os arqueólogos, originalmente, estes silos ou covas de pão, como são referidas nos documentos da época, eram utilizados como contentores de cereais.

A partir dos séculos XVI/XVII, com o abandono dessa função de armazenamento, passaram a ser usados como lixeiras domésticas.

Será essa a razão pela qual foram encontrados nos silos vestígios de louças de cozinha, louças de mesa, vidros, conchas, ossos de animais variados e objetos metálicos como uma espada, alfinetes, anéis, moedas, botões e dedais.

Noutra localização, na Praça do Município, foram encontrados os alicerces de um grande edifício, correspondendo eventualmente à Igreja Matriz que existiu até ao século XVIII.

Na envolvente da referida igreja, como era prática usual até há cerca de um século, descobriu-se o antigo cemitério, tendo os trabalhos arqueológicos já identificado cerca de 20 esqueletos sepultados em decúbito dorsal (de barriga para cima) e de frente para nascente, conforme os rituais funerários cristãos.

Após as escavações, o trabalho prosseguirá com o tratamento, a análise e o estudo dos materiais arqueológicos recolhidos, para a obtenção de mais informações sobre o passado ouriquense.

Durante os trabalhos de campo têm sido realizados modelos 3D dos achados arqueológicos a partir de levantamentos fotogramétricos, que permitirão a apresentação digital dos silos e das sepulturas, num impulso que resultará em melhores condições de valorização do património histórico e da sua divulgação pública.

O Município de Ourique, a ATALAIA-Associação dos Amigos da Cultura e das Artes, que desenvolve os trabalhos de arqueologia, e o Centro de Arqueologia Caetano de Mello Beirão, irão apresentar publicamente os achados arqueológicos encontrados.

Afirmando-se «consciente da importância da memória na configuração da identidade de uma comunidade e de um território», o Município de Ourique revela que «continuará a conjugar nas suas ações o passado, o presente e o futuro».

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