Loulé tem um novo monumento e é feito de papel

Há um novo monumento em Loulé e é feito de papel. O catálogo da exposição “Loulé: Territórios. Memórias. Identidades”, que […]

Há um novo monumento em Loulé e é feito de papel. O catálogo da exposição “Loulé: Territórios. Memórias. Identidades”, que está patente desde Junho no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, foi apresentado na passada semana e vai eternizar a mostra que dá a conhecer sete mil anos de riquezas arqueológicas daquele concelho algarvio.

A dimensão do livro e do trabalho que retrata foi deixada bem clara na cerimónia de celebração dos 30 anos de elevação de Loulé a cidade, durante a qual a publicação foi apresentada. «Este catálogo é um verdadeiro monumento. Vai-nos permitir fazer escolhas mais acertadas, no futuro», resumiu o presidente da Câmara Vítor Aleixo.

A sessão contou com a presença de representantes das diversas entidades envolvidas neste projeto, nomeadamente de António Carvalho, diretor Museu Nacional de Arqueologia, e de Duarte Azinheira, diretor da Unidade de Publicações da Imprensa Nacional Casa da Moeda, e, claro, do presidente da autarquia.

Para o responsável máximo pelo espaço museológico onde a mostra está patente até ao fim do ano, este «é um documento essencial, pois ficará para memória futura, no dia em que a exposição for desmontada. É um catálogo com toda a informação relativa à exposição: com todo o projeto museográfico, com os 504 bens culturais que são apresentados na mostra, com as respetivas fichas descritivas e fotografias».

A publicação conta ainda com textos dos comissários e de autores convidados, entre os quais a escritora algarvia Lídia Jorge, que escreve o texto de abertura do catálogo, e o investigador Octávio Mateus, que dissertou «sobre os fósseis que apareceram na Rocha da Pena, aqui em Loulé».

António Carvalho, Diretor do Museu Nacional de Arqueologia

«São, no fundo, as memórias de sete mil anos de história. Vai desde o Neolítico até à Idade Média, que está muito bem representada pelas Atas de Vereação, que datam de 12 de Dezembro de 1384 e são as mais antigas de Portugal», salientou António Carvalho.

Outra coisa «absolutamente essencial» são as imagens da própria exposição, que já foi visitada por «mais de cem mil pessoas». Isto «porque um dia, quando estivermos a celebrar, por exemplo, os 100 anos de elevação de Loulé a cidade, dificilmente haverá alguém que a tenha visto. Desta forma, teremos um registo da mostra, da sua museografia e também dos rostos louletanos, dos doadores e dos guardiães dos sítios arqueológicos, que o nosso colega Pedro Barros [Projeto Estela/Escrita do Sudoeste] fotografou», referiu o diretor do Museu Nacional de Arqueologia.

Para Vítor Aleixo, a exposição é «admirável e extraordinária, pela riqueza da informação e pela capacidade que tem de nos surpreender». «Eu próprio estava longe de ter a perceção de quão grande é a riqueza arqueológica existente no nosso território. Há achados de praticamente todas as épocas», ilustrou o autarca.

O livro que resulta da exposição sintetiza «os últimos cem anos de investigação arqueológica, em Loulé». E, nas suas «600 e muitas páginas», haverá «muitas pistas para investigações futuras», acredita o presidente da Câmara louletana.

Esta ideia foi reforçada por Duarte Azinheira, da Imprensa Nacional Casa da Moeda. «Este é um catálogo absolutamente monumental. Penso que não estarei errado se disser que é o maior catálogo que fizemos até hoje. E tem um valor incrível, porque demonstra o Estado da Arte da arqueologia e de todas as ciências afins. Este é um livro que viverá muito para lá da exposição, tem todas as condições para se tornar um clássico para todos os que se interessam pela temática da arqueologia e, claro, por Loulé», disse.

Duarte Azinheira, diretor da Unidade de Publicações da Imprensa Nacional Casa da Moeda

De fora do catálogo, ficaram «as sensações, as emoções», algo que, para António Carvalho, só é possível ter «indo à exposição». A boa notícia é que a mostra continuará patente «até final do ano», ou seja, ainda há muito tempo para a visitar.

«Foi um trabalho de muita gente. Formámos, desde o início, uma equipa mista, que juntou técnicos do Museu Nacional de Arqueologia e da Câmara de Loulé. E vamos continuar a trabalhar na exposição, com os serviços liderados por Dália Paulo, para que todos os louletanos, que são cerca de 70 mil, possam visitá-la», disse o diretor do espaço museológico lisboeta.

Segundo António Carvalho, «a mostra tem sido muito bem aceite por um público nacional e internacional, mas sobretudo aceite e participada pelos próprios louletanos».

A Câmara de Loulé tem vindo, de resto, a promover «viagens sucessivas, com especial enfoque na juventude» e , segundo o presidente da autarquia, vai continuar a fazê-lo.

Até porque há quem queira lá ir uma segunda vez. «Ainda há pouco o senhor vereador me transmitiu que a população do Ameixial vai lá voltar no dia 27 de Fevereiro», contou o diretor do Museu Nacional de Arqueologia.

Quem estiver interessado em adquirir o catálogo pode fazê-lo «no Museu, nas lojas da Imprensa Nacional (Lisboa, Porto e Coimbra) e na loja online da Imprensa Nacional, onde pode ser encomendado e será entregue em qualquer ponto do país, em 24 ou 48 horas. Mais tarde, também será encontrado nas principais livrarias do país», segundo Duarte Azinheira.

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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