Promontório de Sagres tem site, app, ibeacons, filme e novo livro sobre o Infante

O Promontório de Sagres já tem um sítio na internet, uma aplicação (app), ibeacons, um filme de divulgação muito virado […]

app-mobile-1O Promontório de Sagres já tem um sítio na internet, uma aplicação (app), ibeacons, um filme de divulgação muito virado para os jovens e um novo livro sobre o Infante D. Henrique, em quatro línguas. Tudo isto foi lançado na sexta-feira passada, na Fortaleza, na mesma ocasião em que foi descerrada a placa de Marca do Património Europeu.

O site, já disponível clicando aqui, a app, ligada ao sistema de ibeacons, para garantir a navegação perfeita dos visitantes sobre o património e a história do Promontório de Sagres, lugar mítico da História de Portugal e do Mundo, transportam o monumento mais visitado do Algarve (mais de 360 mil visitantes em 2015) e um dos preferidos dos turistas a nível nacional, para o século XXI, como disse Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura.

Quanto ao livro «Henrique, o precursor da globalização», da autoria do historiador, professor universitário (e romancista) João Paulo Oliveira e Costa, «um dos maiores conhecedores da figura do Infante», é editado em quatro línguas – português, francês, inglês e alemão – e destina-se a contar, de forma «rigorosa mas acessível» a história do Infante de Sagres.

Rui Parreira, diretor de serviços dos Bens Culturais da Direção Regional de Cultura do Algarve, salientou o facto de Sagres ser um dos poucos locais portugueses já classificados como Marca do Património Europeu, ou seja, como «um dos lugares que tiveram um papel especial na construção da Europa».

«Sagres é Marca não tanto por aquilo que efetivamente aqui aconteceu, na realidade foi apenas o local onde o Infante D. Henrique tinha a sua casa senhorial e que escolheu para morrer, mas por ser um lugar de mitos. Criou-se todo aquele mito de que Sagres teria sido o centro das Descobertas e é por esse papel mais mítico que verídico que é reconhecido a Sagres um papel importante na construção da Europa», explicou Rui Parreira.

É também neste âmbito que surge o novo livro sobre o Infante, para ter «uma obra de divulgação, que fosse ao mesmo tempo de referência».

João Paulo Oliveira e Costa, o historiador responsável pela obra, numa palestra fascinante que levou a audiência a descobrir algumas facetas menos conhecidas – e até controversas – do Infante, começou por salientar que o livro faz a «desmistificação de muito daquilo que se conta a propósito» dessa figura incontornável da História de Portugal e do Mundo.

 

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Lançamento do livro «Henrique, o precursor da globalização», com (da direita para a esquerda) João Paulo Oliveira e Costa, Alexandra Gonçalves e Rui Parreira

 

«Há quinhentos anos, Sagres era o fim do mundo, em frente tínhamos o Mar Oceano, que ainda nem nome tinha e que assustava», salientou o autor. «Aquilo que Sagres tem de extraordinário é que o Senhor de Viseu e da Covilhã escolhe este local, pede-o à coroa para aqui fixar a sua vila, não apenas uma povoação, mas a sua casa, à romana».

Apresentando o Infante D. Henrique como «um homem que conseguia ser a ponte de negociação da família, um homem de compromissos, um militar que preferia sempre a negociação à guerra», mas também um «manipulador» e o «homem que muda a história de Portugal, da Europa e do Mundo», João Paulo Oliveira e Costa salientou que é «a figura com toda esta versatilidade que tento retratar neste livro. É este Infante, que, com esta mundividência e personalidade única, morreu aqui em 13 de Novembro de 1460».

Tal como o livro, também o site e a aplicação (e tudo o que a ela está ligado) são financiados por uma candidatura da Direção Regional de Cultura a fundos comunitários (PO Algarve, FEDER e Turismo de Portugal).

Ana Neves, da Imagetic, que desenvolveu toda a componente tecnológica do projeto, explicou que «mais do que um site, trata-se de uma plataforma interativa», aliás uma Plataforma Digital Integrada do Promontório de Sagres.

O projeto desenvolvido pela Imagetic envolveu a criação do website, da aplicação mobile (Android e iOs), e a ativação e interação externa com conteúdos georreferenciados, através de Ibeacons, pequenos pontos (do tamanho de uma moeda e dotados de bateria que lhes garante uma autonomia de três a cinco anos) colocados ao longo da fortaleza e do promontório, que enviam notificações automáticas para quem descarregou a aplicação e se passeia no local, fornecendo toda a informação sobre esses pontos de interesse.

A diretora regional de Cultura salientou que «este sistema já é muito utilizado em museus, mas em espaços exteriores nem por isso. No Algarve, é o primeiro sistema do género».

Para descarregar a aplicação, gratuita, basta ir ao novo site do Promontório de Sagres, ou às lojas da Google (para Android) ou da Apple, embora, neste último caso, e por «razões estritamente burocráticas», apenas esta semana se preveja que a app ficará disponível.

 

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Descerramento da placa da Marca do Património Europeu na Fortaleza de Sagres. Da direita para a esquerda: Luciano Rafael, Alexandra Gonçalves e Rui Parreira

 

Quanto ao filme, «À descoberta do Promontório de Sagres», que pode também ser visto no novo site do Promontório, feito pela produtora B’lizzard, faz a ponte entre as tecnologias de ponta desenvolvidas e utilizadas pelos portugueses no tempo dos Descobrimentos e a época atual, nesta história da globalização que começou nos tempos do Infante D. Henrique. O filme é muito voltado «para um público jovem, que se quer atrair cada vez mais à Fortaleza de Sagres», salientou Alexandra Gonçalves.

Depois da «estreia mundial do filme», falado em português e legendado em espanhol e em inglês, seguiu-se o descerramento da placa da Marca do Património Europeu.

A este propósito, em declarações ao Sul Informação, a diretora regional de Cultura recordou ter estado, na semana passada, em Viena, no Congresso Internacional sobre Conservação, Salvaguarda e Valorização de Edifícios Históricos, a convite da organização, para apresentar «o caso de Sagres como exemplo da importância da educação para a salvaguarda do património cultural e do envolvimento da comunidade, através do DiVaM», o programa de eventos promovido ao longo do ano nos monumentos algarvios.

Do congresso, saiu a ideia de criar uma associação dos monumentos que são Marca do Património Europeu e de lançar também um Dia dos Sítios com esse estatuto, revelou.

O congresso internacional decorreu no palácio do imperador Maximiliano I em Viena, também ele Marca do Património Europeu, tal como Sagres. E Alexandra Gonçalves salientou o facto de o imperador austríaco ser «sobrinho-neto do Infante D. Henrique», uma coincidência que poderá dar lugar a iniciativas comuns entre o Algarve e Viena. Assim haja dinheiro para garantir a contrapartida nacional para uma candidatura conjunta ao programa Europa Criativa.

 

Veja aqui o novo vídeo «À descoberta do Promontório de Sagres:

 

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