Só o Ambiente não viu muro de betão ilegal construído no Farol à vista de todos

Muro de grandes dimensões terá sido construído para proteger uma casa…só não se sabe por quem e com que autorização

Uma estrutura em betão com cerca de 30 metros de comprimento, metro e meio de largura e meio metro de altura foi construída ilegalmente, nos últimos dias, no núcleo do Farol da ilha da Culatra, à vista de todos, a poucos passos da Ria Formosa, em pleno Parque Natural.

A estrutura foi construída, sem pedir autorização a ninguém e portanto de forma ilegal, junto a uma casa situada bem perto do cais flutuante do núcleo do Farol. Ainda assim, não parece ter havido grandes preocupações em esconder os trabalhos, já que até cofragens foram usadas, bem como grande quantidade de betão, o que implicou o transporte de material para a ilha.

No Farol, toda a gente fala da obra, que foi feita à vista de todos, mas ninguém parece saber – ou quer dizer – quem foi o seu autor. O Sul Informação sabe que, quando foram demolidas algumas casas naquela zona, no âmbito da intervenção de renaturalização promovida pela Polis Ria Formosa, foi também retirada uma fiada de lixo e entulho que estava naquela mesma zona. Esse monte de entulho era considerado pelos habitantes daquela zona como uma espécie de enrocamento para a proteção das casas. Desde a sua retirada, as pessoas têm pedido, sem sucesso, que ali fosse construído um muro de proteção.

Esta é, no fundo, uma situação semelhante à que aconteceu em 2013, quando a população da Culatra resolveu construir um heliporto, sem autorização de ninguém. O heliporto ainda lá está, seis anos depois de ter sido construído e continua tão ilegal como de início.

Apesar da construção do muro de betão ter acontecido numa zona bem visível da ilha, as autoridades competentes, contactadas pelo nosso jornal, afirmam não saber de nada.

 

 

Contactado ontem à tarde pelo Sul Informação, Castelão Rodrigues, diretor regional do Algarve do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), disse não ter ainda conhecimento da situação.

O mesmo responsável assegurou que, pelo menos desde que assumiu funções, em Maio, não houve qualquer pedido de licenciamento de uma obra desta natureza no núcleo do Farol.

Sem pedir autorização ao ICNF, que tutela o Parque Natural da Ria Formosa, não se pode avançar com nenhum tipo de intervenção nas ilhas-barreira. E, neste caso, se tivesse sido pedida autorização, é duvidoso que fosse dada, tendo em conta o tipo de obra feita.

No entanto, Castelão Rodrigues acrescentou que, sendo esta uma zona «onde se aplica o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) do Sotavento»,  a jurisdição «é da Agência Portuguesa do Ambiente (APA)».

O Sul Informação também falou com José Pacheco, diretor da APA no Algarve, que, embora não soubesse dar informações sobre este caso específico, por se encontrar fora do serviço devido a motivos de saúde, aconselhou a contactar…o ICNF, por se tratar de «uma ilha-barreira».

O diretor da APA diz que o ICNF, sabendo já do assunto – através do nosso jornal -, «há-de oficiar e nós iremos ter isso em consideração».

O Sul Informação pretendia também saber quem pagou esta obra, que terá custado largas centenas, senão milhares de euros. Mas, sem se saber quem a fez,  também não se consegue saber quem a pagou.

O nosso jornal, a conselho de José Pacheco, pediu mais esclarecimentos aos serviços regionais da APA. Uma fonte desta entidade disse que «só muito recentemente» a Agência Portuguesa de Ambiente tomou «conhecimento da construção» e que «ainda se desconhece quem é o seu autor». «Os serviços irão avaliar a situação», garantiu a mesma fonte.

Entretanto, mesmo à beirinha da ria, numa zona de influência das marés, bem perto do extremo da ilha da Culatra, lá está, para quem o quiser ver, este muro de betão, aparentemente construído…por obra e graça do Espírito Santo.

 

Fotos: Hugo Rodrigues | Sul Informação

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