Rota Serrana de parques quer atrair autocaravanistas ao interior do Algarve

Ao todo, serão investidos mais de 2,2 milhões de euros

Objetivo é acabar com o autocaravanismo selvagem e criar um verdadeiro produto turístico

Uma Rota Serrana com 14 parques de apoio, situados ao longo da Estrada Nacional 124 e de alguns eixos de atravessamento, como a EN2, quer atrair os autocaravanistas ao interior do Algarve. Três deles, em São Bartolomeu de Messines, Cachopo (Tavira) e São Brás de Alportel, estão já a avançar.

Ao todo, serão investidos mais de 2,2 milhões de euros, num projeto global promovido pela associação In Loco e pela Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), através do seu PADRE, o Plano de Ação para o Desenvolvimento dos Recursos Endógenos, e apoiado pelos fundos comunitários do CRESC Algarve 2020.

Esta Rota Serrana, porém, terá uma lógica um pouco diferente da RAARA, a já existente Rede de Acolhimento ao Autocaravanismo na Região do Algarve, uma vez que, segundo explicou Artur Gregório, presidente da In Loco, além de oferecerem todas as condições para acolher as autocaravanas – nomeadamente o tão necessário local para despejo e tratamento dos resíduos sólidos e líquidos – as novas áreas «não serão parques de estacionamento, mas verdadeiros equipamentos turísticos».

Em entrevista ao Sul Informação, Artur Gregório salientou a «oportunidade» que o autocaravanismo pode ser para os territórios de baixa densidade do interior da região. «Há, claramente, no Algarve, motivos de atração para o autocaravanismo, mas até agora a rede de apoio tem-se situado apenas ao longo do litoral. O que queremos é transformar o impacto que este tipo de turismo tem em impacto positivo, levando os autocaravanistas para locais estruturados, oferecendo uma rede de equipamentos no interior que permitam aliviar a carga sobre o litoral».

Mas, sendo a In Loco uma associação de desenvolvimento local, esta Rota Serrana será constituída por «equipamentos ligados ao território». «Propusemos às Câmaras avançar-se para um projeto de promoção destes parques enquanto equipamentos turísticos, situados num determinado território. Para isso, o desafio passa por desenhar conteúdos, que falem dos produtores locais, do património a visitar, ou dos restaurantes». Ou seja, frisa, «queremos criar um destino turístico».

«Os holandeses, alemães, ingleses, franceses que nos visitam em autocaravana não querem apenas um sítio com condições e seguro para estacionar. Querem conhecer o território, saber o que há para visitar, que compras podem fazer de produtos locais, onde se situam os restaurantes. É isso que a Rota Serrana lhes irá também oferecer», acrescentou o presidente da In Loco.

O projeto, na sua generalidade, visa o «alargamento e a consolidação de uma rede de equipamentos de apoio ao autocaravanismo, através da criação de diversas áreas para o acolhimento dos turistas com apetência para a exploração de recursos associados à natureza e ao património cultural, dinamizando a atratividade do território e a sua visitação».

Para divulgar não só a rede de equipamentos, como a oferta turística complementar, o projeto da Rota Serrana prevê mesmo a criação de uma «plataforma na internet para o produto turístico», que se constitua como «uma ferramenta para os turistas».

A Rota Serrana, que será apresentada oficialmente, pela primeira vez, na Bienal de Turismo de Natureza que decorre de amanhã até domingo (dia 24), em Aljezur, prevê então a criação de 14 áreas de apoio ao autocaravanismo – uma em Alcoutim, outra em Aljezur, quatro no concelho de Loulé (Alte, Benafim, Salir, ao lado das piscinas, e Ameixial), duas em Silves (São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra), três em Monchique (Monchique, Alferce e Marmelete) e ainda uma em Tavira (Cachopo, no antigo campo de futebol).

Muitos dos locais escolhidos, explicou Artur Gregório, «são sítios onde os autocaravanistas já paravam, mas agora passarão a ter muito melhores condições para o fazer». E um dos principais objetivos é «não afastar os parques das localidades, uma vez que queremos potenciar os serviços complementares que as comunidades podem oferecer».

Para já, foram aprovadas as primeiras três candidaturas, para a execução das áreas de Messines, a mais avançada, já em fase de obra, Cachopo e São Brás, estas últimas com as obras a avançar em breve. Ao todo, nestas três áreas, que envolvem as Câmaras de Silves, Tavira e São Brás de Alportel, serão investidos 590 mil euros, com uma comparticipação comunitária do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) de 70%.

No caso do concelho de Silves, e como explicou a autarquia em nota de imprensa, «foi alvo de candidatura a criação de uma área de serviço de autocaravanas (ASA) para 30 lugares (5,45 x 8) em São Bartolomeu de Messines, com possibilidade de expansão que inclui receção, placard informativo, estação de serviço, vedação e espaços ajardinados, instalações sanitárias, pavimentação redes de água e iluminação pública».

Com uma área total de cerca de 5.500 metros quadrados, esta ASA integra a primeira fase de intervenção no espaço, onde se localizará ainda o Terminal Rodoviário e o espaço de Feiras, Mercados e Eventos/Parque de estacionamento automóvel, constantes das restantes duas fases.

Silves é, aliás, o município que está mais avançado na estruturação da oferta para o autocaravanismo, uma vez que até já aprovou um regulamento para a atividade.

Em Outubro passado, também foi apresentada a candidatura para outro parque no concelho silvense, o de São Marcos da Serra, bem como em Alcoutim, situado na vila. Ambas as candidaturas estão agora em avaliação, revelou Artur Gregório.

As restantes nove candidaturas, para as áreas restantes, terão de ser apresentadas, em princípio (e se não houver alargamento do prazo) até 30 de Abril próximo, uma vez que todo este investimento destinado à Rota Serrana terá de estar concluído «até ao final do quadro atual, ou seja, 2020 a 2022».

Tendo em conta que, ao contrário da RAARA, que integra parques de campismo e caravanismo e algumas áreas de serviço, esta nova rede no interior da região é apenas promovida e operada pelas autarquias, «os preços a praticar nesses equipamentos serão simbólicos», apostando em atrair turistas, que irão também usufruir dos «serviços complementares oferecidos pela comunidade».

O que se pretende, reforçou o dirigente da In Loco, é criar uma oferta que «seja instrumento de adaptação do Algarve para este tipo de turismo».

E haverá mesmo procura para estes novos equipamentos? A rede de áreas de serviço para o autocaravanismo a instalar no interior, salientou, «só será sustentável se oferecer aquilo que os turistas estão dispostos a remunerar», ou seja, «se houver confiança dos utilizadores» não só na qualidade e nos standards dos equipamentos, como na rede de serviços complementares, turísticos e outros, à sua volta.

O objetivo, acrescentou Artur Gregório, é «fazer uma mudança de paradigma» e «conseguir ter uma oferta estruturada e uma promoção estruturada do Algarve enquanto destino turístico para o autocaravanismo, num prazo de três, quatro anos».

Apesar de separadas, até pelas suas características, a RAARA e a nova Rota Serrana deverão, em breve, integrar uma só plataforma online, que contemple toda a oferta estruturada.

Face à constatação do caos que se vive em algumas zonas do Algarve, com as autocaravanas estacionadas de qualquer forma, despejando esgotos e lixo em todo o lado, destruindo coberto vegetal em parques naturais, Artur Gregório considerou que «a fase da atuação das autoridades só deve avançar quando tivermos uma rede de áreas de serviço para apoio ao autocaravanismo, no litoral e no interior. Aí não haverá desculpas dos autocaravanistas e terão de cumprir as regras!»

«O que queremos é transformar o Algarve num destino de qualidade para o autocaravanismo sustentável, apostando na qualificação da oferta e na sua promoção», concluiu o presidente da In Loco.

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