Obras na 5 de Outubro preparam baixa de Olhão «para os próximos 20 anos»

António Pina diz estar preocupado com o lento andamento das obras

Foto: Ana Gravanita|ETIC_Algarve

Estão a criar constrangimentos à circulação e até a prejudicar o negócio de quem ali tem estabelecimentos. Ainda assim, as obras que estão a decorrer na Avenida 5 de Outubro são vistas pelo presidente da Câmara de Olhão como algo necessário, que vai preparar a baixa da cidade para «os próximo 20 anos».

Atualmente, o trânsito faz-se apenas numa faixa e Nascente-Poente, nesta avenida, que corre paralelamente à Ria Formosa, na zona ribeirinha da cidade, passa pelos Mercados Municipais e é ladeada por dezenas de restaurantes e de outros estabelecimentos comerciais.

Os carros estão a ser desviados para um local que era, antes, destinado ao estacionamento, pelo que também aqui há constrangimentos.

O autarca António Pina não esconde «alguma preocupação» em relação à velocidade com que esta intervenção está a avançar. Apesar de estar a ser realizada no espaço público de Olhão, a obra é da responsabilidade da Sociedade Polis, o que não impede a Câmara de seguir os trabalhos «de muito perto», assegurou o edil olhanense ao Sul Informação.

«Ao levantar o alcatrão, para fazer as infraestruturas subterrâneas, encontraram-se ligações ilegais, onde os esgotos estavam misturados com águas pluviais», explicou.

Entretanto, «já foi resolvida a maioria das situações encontradas», muitas vezes recorrendo «ao tamponamento».

 

Foto: Rafaela Viana – ETIC_Algarve

«Isso atrasou um pouco o andamento desta primeira fase. Também nos preocupa a capacidade de resposta do empreiteiro. Tem estado à espera de materiais, alguns dos quais são muito específicos, como a pedra de Escarpão e o sienito», revelou António Pina.

Também a falta de mão-de-obra tem impedido o responsável pela execução da obra de avançar mais rapidamente, uma situação que, diz o autarca, «tem afetado a generalidade das empresas que trabalham com a Câmara».

Isto leva a que haja, neste momento, «alguns atrasos em relação ao que estava previsto», numa altura em que, em quase toda a extensão da Avenida 5 de Outubro, boa parte do alcatrão está levantado.

«Quem tem sofrido mais são os comerciantes. Reconheço que esta intervenção possa estar a diminuir as vendas. Mas espero que, numa segunda fase, as coisas melhorem muito», disse o presidente da Câmara de Olhão ao Sul Informação.

Quando as obras acabarem, António Pina não tem dúvidas que todos reconhecerão que as dificuldades sentidas nos cerca de seis meses de duração dos trabalhos valeram a pena.

«Estamos a preparar a baixa de Olhão para os próximos 20 anos. Era insustentável continuar com as esplanadas como estavam. A solução passava por fazer esta obra ou por as encerrar», considerou.

 

Foto: Ana Gravanita – ETIC_Algarve

Agora, será criado «um espaço onde apetece estar e onde não há restrições à circulação». É que a obra prevê que o passeio, do lado dos restaurantes, seja aumentado em quase três metros, o que permitirá regulamentar o tamanho das esplanadas, com benefícios para comerciantes e transeuntes.

Em contrapartida, a avenida perde uma faixa. Isso implicará a perda de estacionamento – uma das faixas, até agora, era destinada ao estacionamento em paralelo – ou que a circulação se faça apenas num sentido. Quando o projeto foi apresentado, em 2017, António Pina admitia que a opção por ter uma faixa dedicada à circulação ou ao estacionamento podia alternar, consoante a altura do ano.

Falando em locais para estacionar, esse é outros dos problemas que enfrentam aqueles que acorrem à Baixa de Olhão.

Neste campo, António Pina salientou que, além do Parque do Levante, foram criados «mais de 60 lugares», nomeadamente com a permissão temporária de estacionar em cima do passeio dos dois jardins que ladeiam os Mercados Municipais.

Está previsto que a intervenção que a Polis está a levar a cabo na avenida 5 de Outubro termine «no final de Abril», prazo que o presidente da Câmara de Olhão acredita que se cumprirá.

«Esta primeira fase é a mais trabalhosa. A seguir, é pôr o chão, o que será mais rápido», considerou.

 

Fotos da intervenção na Avenida 5 de Outubro:

Fotos: Ana Gravanita e Rafaela Viana|ETIC_Algarve

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