Poesia instala-se “a Sul” e é para todos

No “Poesia a Sul” a festa faz-se com literatura, mas também com música, teatro, artes plásticas e outras expressões artísticas

É um festival de Poesia e feito com poetas, mas é pensado de forma a que todos possam desfrutar dele e inclui muitas outras artes. O “Poesia a Sul” começa já amanhã, sexta-feira, e vai celebrar este género literário não só em Olhão, mas também em Lagos, Castro Marim e Ayamonte, na vizinha Espanha, até 28 de Outubro.

Durante dez dias, o público é desafiado a celebrar a poesia das mais variadas formas: com aqueles que a escrevem e com ela escrita e falada, mas também através de outras expressões artísticas, como cinema, teatro, artes plásticas, literatura, filosofia, desenho e música.

Esta multiplicidade de artes indica aquilo que a organização do Festival Internacional “Poesia a Sul” pretende, com este evento. «O público pode esperar o mesmo que oferecemos nas anteriores edições, talvez com mais gente e com uma dimensão internacional mais vincada. Mas vamos manter o mesmo timbre de sempre, o de um festival que é inclusivo», revelou ao Sul Informação Fernando Cabrita, comissário do festival.

É que, realçou, este «não é um festival de artistas consagrados, embora eles também tenham cá lugar, nem de poetas malditos, em contencioso com o mundo, apesar de haver alguns que possam estar, nem de gente que nunca editou, embora esteja lá quem nunca tenha editado, nem de poetas ideológicos e ligados a partidos, embora também haja poetas comprometidos neste festival».

«Sobretudo é uma reunião de pessoas que se revêem neste tipo específico de literatura e que o façam da sua forma pessoal, sem que sejamos nós, a organização, a fazer qualquer juízo de valor sobre o que é bom ou mau. Isso há muito quem faça, mas há um crítico especial, que é o tempo, que fará essa distinção com mais acerto do que nós», resumiu Fernando Cabrita.

Fernando Cabrita

Como nos três anos anteriores, a 4ª edição do evento vai contar com a presença de muitos poetas, alguns dos quais bem conhecidos do grande público. Este tem sido, de resto, um apanágio do “Poesia a Sul”, por onde já passaram nomes como Manuel Alegre ou Gastão Cruz e contará este ano com os portugueses Teresa Rita Lopes, Casimiro Brito, Maria Teresa Horta e Maria do Rosário Pedreira, só para dar alguns exemplos, já que «há muitos outros menos consagrados, que não é por isso que deixam de ter lugar».

De além fronteiras, virão Catherine Dumas (França),  Manuel Moya (Espanha),  Iris Violeta Pujol (Porto Rico), Márcia Souto (Brasil), Uberto Stabile (Espanha), Chi Trung (Vietname), Antonio Orihuela (Espanha) e Yasmina Tippenhauer (Colômbia), entre outros.

Do vasto programa, que pode ser consultado online, Fernando cabrita destaca a peça de Teatro “Buenas Noches Sosiego”, que o Auditório Municipal de Olhão acolherá no sábado, dia 20 de Outubro, às 21h30. «Esta é uma homenagem do país basco ao Fernando Pessoa, protagonizada por Iker Ortiz de Zarate, um excelentíssimo ator basco», explica o comissário do “Poesia a Sul”.

«No dia 27, também sábado, teremos um colóquio de homenagem João Lúcio, que inspira o festival este ano, em que se celebra o centenário da sua morte. Escolhemo-lo não só por ser um poeta da casa, mas porque é um dos introdutores do modernismo literário em Portugal», acrescentou,.

Tudo isto, diz Fernando Cabrita, só faz sentido se o público aderir. Daí que lance um apelo aos algarvios e andaluzes para que apareçam. «São as pessoas que têm o papel mais importante, no meio disto tudo, porque se não aparecerem, não vale a pena», declarou, ao Sul Informação, o comissário do evento.

Buenas Noches Sosiego

Em 2018, o “Poesia a Sul”, que nasceu e tem sido realizado em Olhão, é marcado pela expansão a outros territórios, nomeadamente para os concelhos algarvios de Lagos e Castro Marim, mas também para Ayamonte. O festival irá, igualmente, a «algumas freguesias» do município olhanense.

Como contou Fernando Cabrita na conversa que manteve com o Sul Informação, este alargamento da influência territorial do evento resultou de convites que foram dirigidos «aos organizadores do  “Poesia a Sul” e não aos poetas que cá estarão».

«Isto significa que conseguimos instituir uma marca e demonstra o nível de amadurecimento que atingimos e uma consolidação que temos vindo a fazer», considerou o comissário do festival.

O que também é um sinal da consolidação do evento é o apoio que chega do programa “365Algarve”, que é «um reconhecimento daquilo que temos vindo a fazer».

Apesar de não ter motivado uma alteração no programa, «que seria sempre o mesmo», já que eventuaisproblemas que pudessem surgir teriam sido resolvidos, «com o apoio da Câmara de Olhão, como sempre aconteceu», este apoio do “365Algarve” permitirá «fazer uma divulgação maciça do festival, através de outdoors e distribuindo publicidade e propaganda no Algarve e na Andaluzia. Creio que isso vai fazer a diferença, no que toca à participação do público».

O festival não se restringe à poesia

A inclusão do “Poesia a Sul” neste programa cultural, promovido em conjunto pelas secretaria de Estado do Turismo e da Cultura, também estará ligada ao que o festival conseguiu, em apenas três anos.

«Tem sido muito frutuoso, desde logo porque, em três anos, conseguimos a geminação do festival internacional “Poesia a Sul” de Olhão, que é uma cidade com 40 mil habitantes, com o festival de internacional de poesia de Marraquexe, que é uma cidade com um milhão de habitantes. E é uma relação de igualdade. Isto permitiu-nos trocar experiências, colocar edições nossas em Marrocos e trazer cá poetas marroquinos. Também estamos geminados com o festival de Aracena, em Espanha, que apesar de ser uma localidade com menos população que Olhão, é apelidada pelos espanhóis como a “muy culta Aracena“», ilustrou Fernando Cabrita.

Com cerca de 70 participantes confirmados, oriundos de 16 países, o “Poesia a Sul” tem programados eventos culturais em vários locais de Olhão, nomeadamente o Auditório Municipal, o Arquivo Municipal António Rosa Mendes, a Sociedade Recreativa Progresso Olhanense, a Re-Criativa República 14, a Câmara Municipal de Olhão, o Jardim João Lúcio, o Museu Municipal – Edifício do Compromisso Marítimo, a Galeria Sul, Sol e Sal, os Mercados Municipais, o Caíque Bom Sucesso ou alguns dos bares dos mercados, para além das iniciativas em Castro Marim, Lagos e Ayamonte.

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