Rota Vicentina promete «dois passos para a liberdade»

Uma caminhada de curtos 3,5 quilómetros serviu, esta sexta-feira, para inaugurar a Rota Vicentina, que, no total, percorre 340 quilómetros […]

Uma caminhada de curtos 3,5 quilómetros serviu, esta sexta-feira, para inaugurar a Rota Vicentina, que, no total, percorre 340 quilómetros na Costa Sudoeste alentejana e algarvia, partindo de Santiago de Cacém, passando ainda pelos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo, para terminar no Cabo de S. Vicente.

O passeio foi percorrido ao final da tarde, por um grupo de cerca de três dezenas de pessoas, menos de metade das que, pouco antes, tinham participado na apresentação oficial desta rota pedestre promovida pela dinâmica Associação Casas Brancas.

A Rota Vicentina, dividida em dois percursos – o Caminho Histórico, pelo interior, com 241 quilómetros e treze etapas, e o Trilho dos Pescadores, pela costa, com 115 quilómetros -, pretende, como salientou Marta Cabral, da Associação Casas Brancas, «afirmar a região enquanto destino internacional de turismo de Natureza».

É que, sublinhou, os turistas do Centro e Norte da Europa – em especial da Inglaterra, Alemanha, França, Holanda -, que procuram este tipo de caminhadas, têm aqui não só um percurso de grande qualidade, devidamente sinalizado e fácil de seguir, mas também um verdadeiro «produto turístico estruturado», que, tendo como pretexto os percursos pedestres, oferece soluções de alojamento, de restauração, de observação da natureza ou de atividades de animação turística.

Sara Serrão, associada das Casas Brancas e responsável pela unidade de alojamento «Cerca do Sul», no Brejão, recordou ao Sul Informação que «no Norte da Europa, o turismo de natureza movimenta milhões». E é uma parte desses milhões que quem vive e trabalha ao longo da Rota Vicentina espera agora atrair, em especial na chamada época baixa, quando as temperaturas são mais apropriadas para o turismo de Natureza.

A costa alentejana, por ser ainda relativamente desconhecida, tem «o atrativo da novidade», para além da sua «beleza única». Tudo isso, em conjunto com a qualidade e diversidade dos alojamentos, da restauração e gastronomia, constitui um produto turístico que tem «potencialidades fantásticas». «Foi isso que levou os empresários turísticos de toda esta zona a aderir ao projeto», garantiu Sara Serrão.

Uma opinião partilhada por Clara Caiado, da Herdade do Telheiro (Odemira). «Nós temos na costa alentejana uma riqueza imensa, ao nível da paisagem e do espírito alentejano. Mas faltava-nos o marketing, para darmos a conhecer este produto único. A Rota Vicentina pode ser o que nos faltava para darmos esse salto».

«Ainda há pouco tempo tive um cliente holandês que me dizia que já tinha saudades do escuro, de ver as estrelas todas do céu», acrescentou a empresária.

«O facto de sermos uma novidade torna a Rota Vicentina apetecível para a imprensa internacional especializada, mas também para empresas, por essa Europa fora, que vivem da oferta de percursos de caminhada», disse, por seu lado, Marta Cabral.

Para já, estão já definidos 200 dos 340 quilómetros da Rota Vicentina, ligando Santiago de Cacém a Odeceixe, na fronteira com o Algarve. O troço que falta, até ao Cabo de S. Vicente, é da responsabilidade da associação Almargem – que promove a Via Algarviana, à qual esta nova rota se vai interligar.

Anabela Santos, da Almargem, revelou ao Sul Informação que o troço algarvio da rota está já definido no terreno. «Ainda esta semana estivemos lá, com o João Mariano, a fazer a reportagem fotográfica do percurso». Anabela garante que, em setembro, quando começar a época propícia a caminhadas, o troço algarvio da Rota Vicentina já estará concluído e devidamente assinalado, no terreno, com a sinalética e os painéis informativos próprios.

Vítor Proença, presidente da Câmara de Santiago de Cacém, um dos muitos autarcas dos concelhos atravessados pela rota presentes na apresentação oficial, e ainda por cima anfitrião, manifestou o seu «enorme contentamento» pela concretização de um projeto que o seu município «abraçou desde o início».

E salientou o facto de se tratar de um projeto lançado por uma associação que reúne empresários ligados ao turismo e às atividades com ele relacionadas, «investidores privados que apostaram e continuam a apostar na nossa região».

Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo, também fez questão de estar presente. «Este projeto tem o segredo de um bom produto turístico: é que, quando se vem cá, já não se quer partir. E quer-se depois regressar», disse.

A secretária de Estado elogiou ainda a forma como, através da Associação Casas Brancas, os empresários da costa alentejana «souberam ganhar escala e posicionar-se no mercado», nomeadamente do turismo de natureza.

Resultado de uma candidatura a fundos comunitários, que reúne a Associação Casas Brancas, a Associação Almargem, municípios, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo, a Rota Vicentina representa um investimento de 540 mil euros.

Em curso, está o processo de homologação, pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, do Caminho Histórico, para que possa ser integrado na GR11, uma grande rota de percursos pedestres que liga Sagres a São Petersburgo, na Rússia.

A Rota Vicentina tem em preparação um Guia de Campo, que conterá toda a informação útil sobre os percursos. Mas Marta Cabral confessa que este guia está ainda «um pouco atrasado».

Mais adiantado está o mapa à escala 1:50.000, que está a ser preparado pelo Instituto Geográfico do Exército, e que conterá, pela primeira vez, os dois trilhos e demais pontos de apoio (alojamentos, restauração).

Enquanto nada disso está pronto, os interessados em descobrir estes trilhos poderão descarregar no sítio na internet da Rota Vicentina o mapa de todas as etapas e coordenadas GPS, bem como todos os demais pormenores. Mas Marta Cabral garante que é possível realizar as caminhadas sem recurso a esta tecnologia. «O percurso está bem assinalado e é muito intuitivo», assegura.

Por isso, boas caminhadas!

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