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Combate à sazonalidade, no Algarve, faz-se a pé e de bicicleta

Apresentação Cycling e Walking AlgarveO Algarve vai apostar forte na estruturação do nicho turístico dos ciclistas e das caminhadas e quer ter oferta preparada para o próximo Inverno, para combater a sazonalidade.

Um grupo alargado de parceiros, entre entidades públicas e privadas, assumiram hoje, quinta-feira, em Faro, o compromisso de dinamização do Plano de Desenvolvimento Cycling & Walking Algarve 2016/19, para animar a região nos meses fora da época alta.

A ideia central deste plano é organizar aquilo que já existe, criar um produto vendável e divulgá-lo, para que este seja um produto que contribua, efetivamente, para o combate à sazonalidade. É que, apesar de existirem infraestruturas, algumas de «classe mundial, como a Rota Vicentina», e «um enorme potencial», o mundo ainda não sabe.

Esta foi a conclusão do estudo que deu origem ao plano agora apresentado, encomendado pela ANA Aeroportos de Portugal à TDI – Tourism Development International. Os consultores internacionais Peter Mac Nulty e James Chilton estiveram na sede da Região de Turismo do Algarve (RTA), para apresentar os resultados do levantamento que fizeram, desde Setembro de 2015, sobre o potencial da região para este tipo de turismo.

E concluíram que, apesar de o Algarve ter condições ideais para vender esta oferta turística, há muito que fazer para se tornar um player, nomeadamente nos mercados emissores mais relevantes, entre os quais se contam a Alemanha, o Reino Unido, a Holanda, a França e a vizinha Espanha.

O que é preciso é estruturar a oferta, criar sinergias entre os atores no terreno e adotar uma estratégia de comunicação conjunta e forte, na qual será fundamental um bom site, não apenas informativo, mas também interativo, onde seja possível, por exemplo, fazer reservas e planear uma viagem, antes de sair de casa, defenderam os especialistas internacionais.

Rota Vicentina_novos percursos_2

É isto que os muitos parceiros que se juntaram em torno deste projeto, a nível local, mas também central – Turismo de Portugal e secretaria de Estado do Turismo – querem fazer. Segundo Filipe Silva, representante do Turismo de Portugal, que coordena este plano, a ideia é já ter oferta estruturada, que possa ser vendida, «no Inverno de 2016/17».

Para que isso seja possível, é preciso, desde logo, «uma intervenção prioritária nas quatro rotas âncora», a Rota Vicentina, a Via Algarviana, a Rota do Guadiana e a Ecovia do Litoral, não só para a manutenção e melhoria das vias, mas também na colocação «de sinalética integrada, em harmonia com os padrões europeus».

Serão as Câmaras do Algarve, através da AMAL, a levar a cabo este trabalho, condição base para se poder oferecer o produto, fora de portas. A AMAL, o Turismo de Portugal, a Associação Turismo do Algarve e a RTA são os quatro vetores principais desta estratégia, que é, ainda assim, mais abrangente, e integra mais de uma dezena de entidades.

Este plano, frisou a secretária de Estado do Turismo Ana Mendes Godinho, terá de ir além «de um mero protocolo». «Não acredito em acordos que não saem do papel», disse. Algo que está confiante que não acontecerá, neste caso.

«Neste plano, estão contempladas 35 ações muito concretas, com uma verba e timings bem definidos associados. Vou andar atrás do coordenador do projeto todos os dias, para ver o que está a acontecer», assegurou Ana Mendes Godinho.

Por outro lado, saudou a iniciativa da ANA Aeroportos, que esteve na origem deste processo. Segundo Rui Ribeiro, representante desta empresa, a entidade gestora dos Aeroportos, em Portugal, sentiu que estava na hora de ser proativa, na busca de soluções para combater a sazonalidade.

«O tráfego, no Aeroporto de Faro, em Janeiro, é seis vezes inferior ao registado nos meses de Julho e Agosto», ilustrou. Daí que tenham encomendado este estudo, associando-se ao Turismo de Portugal, à RTA e à ATA. Foi deste trabalho conjunto que nasceu o Plano de Desenvolvimento Cycling & Walking Algarve 2016/19.

Assinatura Protocolo Plano Cycling e Walking Algarve

Num primeiro momento, o principal esforço terá de ser desenvolvido pelas autarquias, já que a valorização e uniformização do produto terá de ser feita, antes de se poder avançar para a parte de divulgação e venda.

«As Câmaras, coordenadas pela AMAL, assumem aqui um papel fundamental. Na prática, estamos a trabalhar há meses neste protocolo e na divisão de trabalhos, para transformar o Algarve numa verdadeira região que seja atrativa durante todo o ano», segundo o presidente da AMAL Jorge Botelho.

«O que nós vamos fazer é recuperar os caminhos, pô-los em condições de serem referenciados e vendáveis lá fora, nos mercados emissores. E vamos tratar da sinalética e trabalhar noutras dimensões deste projeto, como o site, os pontos wi-fi, os mapas e, também, trabalhar junto das comunidades, para criar pontos de referência», acrescentou. Tudo isto terá de ser feito «rapidamente, até ao final do Verão».

A partir daqui, poder-se-á avançar para o material promocional, nomeadamente o sítio na internet. «Para o site ser feito, é preciso, antes de tudo, saber o que há no terreno. Assim que isso seja uma realidade, trabalharemos com o Turismo de Portugal, no sentido de o vender, não como gato por lebre, mas com ofertas concretas», disse, por seu lado, o presidente da RTA Desidério Silva.

O responsável máximo pelo Turismo algarvio lembra que este é um «processo para três anos», pelo que, no final no Verão, não deverá estar ainda totalmente estruturado. «Este é um projeto importante para posicionar estes dois produtos, como uma oferta consistente, da região. Isto também vêm na sequência de várias ações que vimos a promover, em relação ao ciclismo e caminhadas. Eu próprio já assumi muitas vezes que é preciso dinamizar a região entre Outubro e Maio e estes produtos têm um papel importante», concluiu.

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