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teatro das figuras

Uma proposta do Partido Socialista para a criação de matadouros móveis que sirvam regiões onde não existam matadouros convencionais, como é o caso do Algarve, foi aprovada pela Assembleia da República ontem, sexta-feira, dia 18.

No Algarve, os produtores pecuários há muito que exigem uma solução, depois de o único matadouro convencional ter sido encerrado há mais de 15 anos, por questões de higiene e saúde pública.

Na prática, o projeto de resolução «recomenda ao governo a criação de uma linha de financiamento de matadouros móveis para as regiões mais afastadas dos matadouros convencionais, como o Algarve, ou onde há maior números de pequenos produtores pecuários».

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Com a proposta agora aprovada, abre-se a porta para a utilização de matadouros móveis, já utilizados noutros países, como a Espanha, que, segundo os signatários da proposta, entre os quais se contam os deputados eleitos pelo Algarve Jamila Madeira, Jorge Botelho e Luís Graça, «são uma solução inovadora e mais económica que a construção e gestão de uma estrutura física e que vai ao encontro das necessidades dos produtores algarvios».

Por outro lado, aponta o Grupo Parlamentar do PS, «a distância entre o local da exploração pecuária e o matadouro em muitos pontos do país é muitas vezes superior a 100 quilómetros, o que impacta nos custos acrescidos para o produtor, na limitação da liberdade de comercialização dos pequenos produtores, na perda de qualidade e de oferta de produtos regionais e no esvaziamento do mercado local e de proximidade».

«Para fazer face a estes constrangimentos, com impactos muito significativos para os pequenos produtores, os deputados socialistas defendem a criação de uma rede de matadouros móveis, compostos por um ou mais camiões TIR equipados com tecnologia de ponta para abate de animais, com elevados protocolos de higiene», descreve o PS/Algarve.

«Os matadouros móveis são uma solução inovadora para satisfazer as necessidades específicas dos produtores pecuários, especialmente em regiões onde não existem matadouros fixos, como é o caso do Algarve ou onde estes estão demasiado longe das explorações pudendo ser utilizados como solução complementar», afirma o deputado Luís Graça, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS.

A localização dos matadouros no Continente apresenta uma distribuição diversa das regiões de produção: A Sul do Tejo há 6 matadouros: 4 no Alentejo, 2 na Península de Setúbal e nenhum no Algarve, «o que de acordo com o INE, mostra que os números de abates por espécie e por NUT são muito diferentes dos números da produção».

Jamila Madeira, Jorge Botelho e Luís Graça reconhecem que um matadouro móvel «apresenta múltiplas vantagens como maior facilidade de acesso, menores custos de investimento e operação, maior flexibilidade para atender a diferentes locais e necessidades dos produtores e preservação de raças autóctones ameaçadas».

«O anterior governo, liderado por António Costa, criou um grupo de trabalho, com técnicos da extinta direção regional de agricultura do Algarve, que foi reunindo com os produtores da região e preparando a legislação necessária para a regulação dos matadouros móveis em Portugal, trabalho que consideramos que não se pode desperdiçar e que o atual Governo deve proceder à sua publicação», defende Luis Graça.

A proposta socialista foi aprovada com o voto contra do PAN e as abstenções do PSD, Chega e CDS-PP.

 

 



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