Inverno foi «extremamente quente e seco»

Foi o segundo Inverno mais quente desde 1931

O Inverno que agora terminou foi «extremamente quente e seco» em Portugal Continental e o segundo mais quente desde 1931, apenas ultrapassado pelo de 1990, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Ao nível do valor médio da temperatura máxima, o Inverno de 2019/2020 atingiu os valores mais altos de que há registo: 15,67 °C, o valor mais alto desde 1931, «com uma anomalia de +1.92 °C em relação ao valor normal 1971-2000», segundo o mais recente Boletim Climatológico Sazonal do IPMA, relativo aos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro.

Fevereiro de 2020 foi, de resto, o mais quente desde 1931.

O mesmo documento dá conta que o valor médio da temperatura média do ar cifrou-se em 11 graus, com uma anomalia de +1.47 °C.

«O valor médio da temperatura mínima do ar, 6.33 °C, também foi superior ao normal, +1.01 °C, sendo o 3º valor mais alto desde 2000. Valores de temperatura mínima do ar superiores aos deste Inverno ocorreram em cerca de 20% dos anos, desde 1931», acrescentou o instituto.

No que toca à precipitação, foi inferior ao habitual, cifrando-se em 78% do valor médio.
Ao todo, caíram em Portugal Continental 275.1 mm de chuva. «Valores da quantidade de precipitação inferiores aos deste inverno ocorreram em cerca de 40% dos anos, desde 1931», explicou o IPMA.

Temperaturas mais elevadas que o normal e menos chuva do que é habitual – o mês de Dezembro foi muito chuvoso, mas Janeiro e Fevereiro não – agravaram a situação de seca, como o Sul Informação já havia dado conta.

Também o IPMA salienta que a situação de seca meteorológica nas regiões do Baixo Alentejo e Algarve «se foi intensificando gradualmente até ao final de Fevereiro», sendo agora extrema em boa parte do território destas duas regiões.

 

Evolução da seca

 

Inverno de 2019/2020 em números:

– 3º valor mais alto da temperatura máxima do ar em Dezembro de 2019 (desde 1931); foram ultrapassados em algumas estações meteorológicas da região Sul os anteriores maiores valores da temperatura máxima do ar para o mês de Dezembro;

– Precipitação persistente e por vezes intensa e vento forte durante o mês de Dezembro devido à passagem das tempestades Daniel (15 a 17), Elsa (18 a 20) e Fabien (21 a 22); na estação meteorológica da Guarda o valor de precipitação em 24 horas ocorrido no dia 16, 141.9 mm (00h00-24h00), corresponde ao extremo diário absoluto; na estação de Pampilhosa da Serra registou-se o maior valor de rajada, 150 km/h, no dia 19.

– Fevereiro de 2020 foi o mais quente desde 1931 e o valor da temperatura máxima do ar foi o mais alto desde 1931; foram ultrapassados os maiores valores da temperatura máxima do ar para o mês de Fevereiro em cerca de 40% das estações meteorológicas da rede IPMA;

– Situação de seca meteorológica nas regiões a sul do Tejo, sendo de realçar a maior severidade e persistência nas regiões do Baixo Alentejo e Algarve. A situação de seca foi intensificando-se ao longo do inverno e no final de Fevereiro, de acordo com índice PDSI, a percentagem do território nas diferentes classes era a seguinte: 0.8 % chuva moderada, 9.1 % chuva fraca, 37.5 % normal, 11.0 % seca fraca, 15.1 % seca moderada, 19.2 % seca severa e 7.3% seca extrema.

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