Problemas na Ecovia do Litoral resolvidos até 2020 ou 2021

A Ecovia do Litoral do Algarve, apesar de precisar de muito investimento para ficar 100% utilizável, é a base da rota europeia Eurovelo 1, na região algarvia

O «potencial é incrível», mas ainda há muito a afinar na Ecovia do Litoral que liga Sagres a Vila Real de Santo António, num total de 214 quilómetros. O troço faz parte da EuroVelo 1, uma rota ciclável transeuropeia que começa na Noruega, e, até «2020, 2021», os problemas da Ecovia vão estar resolvidos, garante Jorge Botelho, presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve. 

Tornar esta EuroVelo 1, que tem mais de 9000 quilómetros, numa rota turística de excelência é o objetivo do workshop internacional do projeto “Atlantic on Bike” que começou esta quarta-feira, 17 de Outubro, em Faro. Para debater esta questão, estão reunidos, na capital algarvia, representantes da Noruega, Irlanda, Reino Unido, França e Espanha.

No Algarve, a rota passa pelo troço da Ecovia do Litoral e, para Jorge Botelho, «cada vez mais, o turismo de natureza e a mobilidade suave são motivos de atração das pessoas todo o ano».

«Os municípios estão interessados nisso e está mais do que provado que a aposta neste tipo de projetos de parceria europeia fará com que a visibilidade do Algarve seja ainda maior», considerou o presidente da AMAL, à margem da sessão de abertura do workshop.

Só que, reconheceu, «ainda há problemas» na Ecovia. Por exemplo, no troço entre Olhão e Tavira, o utilizador é empurrado para a EN125, sem condições de segurança. Na zona de Lagos (e entre este concelho e o futuro traçado em Portimão), há pontos perigosos, em que o ciclista é obrigado a atravessar a linha férrea. A sinalética, em muitos percursos da Ecovia, também não é a melhor, porque está velha, vandalizada ou desapareceu.

«Há pontos para fazer melhor em termos de piso e até da redefinição da rota. Há reuniões a decorrer nessa matéria. A questão da sinalética integrada também é essencial», disse Jorge Botelho.

Para corrigir estas deficiências da rota, há um fundo de 6,2 milhões de euros, do Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável (PAMUS) do Algarve, que será, «em grande parte», usado para melhorar a Ecovia do Litoral, que integra a Eurovelo 1.

A ideia é que, em 2020 ou 2021, se possa «ir de Vila Real de Santo António a Sagres numa via limpa, bem sinalizada e sem constrangimentos de atravessamento. Reconhecemos que há problemas, por isso ainda vamos investir. Este assunto é, cada vez mais, motivo de trabalho e preocupação dos executivos municipais porque reconhecem a sua importância», disse o também presidente da Câmara de Tavira.

Certo é que noutros países, como a Noruega, o projeto já está mais avançado. O próprio uso da bicicleta está enraizado há mais anos. «Num projeto com tantos países, as velocidades não são as mesmas», reconheceu Jorge Botelho que, no futuro, acredita que será possível qualquer turista partir da Noruega e acabar a rota em Sagres.

Para o presidente da Região de Turismo do Algarve, a aposta na Ecovia do Litoral é «uma das estratégias de diversificação da oferta turística do Algarve fora da época alta».

«Estamos a apostar no turismo de natureza. Queremos um turismo mais sustentável e o Algarve tem fantásticos recursos naturais», disse João Fernandes ao Sul Informação. 

E foi isso mesmo que os participantes neste workshop puderam testemunhar na tarde de ontem, num passeio de bicicleta por um troço da Ecovia do Litoral.

O percurso, que o Sul Informação também fez, começou junto à Praia de Faro e passou pelo Ludo, até à Quinta do Lago, sempre ao longo da Ria Formosa, num troço de cerca de seis quilómetros. No final, as caras de felicidade eram muitas, assim como eram também algumas as pernas doridas…

 

Veja o resumo do passeio dos participantes no workshop pela Ecovia, da praia de Faro à Quinta do Lago:

 

Fotos: Pablo Sabater e Pedro Lemos | Sul Informação

 

 

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