Investigadores de energias marinhas da UAlg tentam milhões da Europa

CIMA da UAlg junta-se a gigantes tecnológicas ibéricas e candidata ao Horizonte 2020 projeto de teste de tecnologia de energia das marés

A equipa de energias renováveis marinhas do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve está a preparar uma candidatura ao programa europeu Horizonte 2020, para conseguir financiamento para testar um novo protótipo demonstrador de tecnologia de extração de energia das marés.

O grupo de investigação, coordenado por André Pacheco, juntou-se à portuguesa CEIIA e à espanhola Tecnália e conseguiu já passar à segunda fase do programa europeu, uma linha de financiamento gerida diretamente pela Comissão Europeia, que pretende dar um impulso a grandes projetos de inovação e desenvolvimento de tecnologia.

O novo protótipo está a ser construído «com o know how ganho no projeto SCORE», que a equipa liderada por André Pacheco está a desenvolver há dois anos, contou ao Sul Informação o investigador do CIMA. No SCORE – Sustainability of using Ria Formosa Currents On Renewable Energy production, foi testada na Ria Formosa tecnologia inovadora, abrindo a porta para voos mais altos.

«Estamos, neste momento, a preparar outro teste na Ria Formosa, com um protótipo melhorado em relação ao que testámos agora. Fizemos uma candidatura ao Horizonte 2020, passámos à segunda fase e estamos a aguardar uma resposta para saber se temos financiamento», resumiu André Pacheco.

A candidatura será feita em parceria com a CEIIA, do Porto, e com a Tecnália, de Espanha, que são duas das maiores empresas de engenharia e de inovação da Península Ibérica.

Ou seja, o CIMA vai bem acompanhado para esta aventura, com a vantagem de estar acordado, à partida, «que todas as patentes que forem criadas ficam na Universidade do Algarve».

Para chegar ao restrito lote de projetos que passaram à segunda fase do Horizonte 2020, foi preciso passar «por um processo de avaliação bastante competitivo».

«Estamos a terminar a candidatura, algo que temos de concluir até ao dia 22 de Agosto. Se conseguirmos captar este financiamento, vamos dar mais um passo na promoção da Ria Formosa como um local privilegiado de teste de protótipos demonstradores de tecnologia ligada à energia azul», acredita André Pacheco.

O investigador da UAlg falou com o Sul Informação à margem da conferência “Blue Hub – Serviços e tecnologias para o Crescimento Azul”, promovida pelo CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg no dia 20 de Julho, no âmbito dos projetos europeus “PROteuS”, “Pelagos” e “Maestrale”.

A iniciativa visou dar o pontapé de saída para a criação de um cluster azul no Algarve, onde cabe a energia azul, mas também a segurança marinha, pensando não só na dinâmica empresarial, mas também na transferência de tecnologia.

E, no caso da parceria do CIMA com as duas gigantes tecnológicas ibéricas, o que se pretende é, precisamente, «fazer a transferência de tecnologia».

Para André Pacheco, «há um enorme potencial aqui na Universidade do Algarve e nos centros de investigação da nossa academia de apoiar o desenvolvimento de novos testes de protótipos demonstradores. A região do Algarve, em particular a Ria Formosa, é um laboratório natural fantástico».

«Temos, aqui no Algarve, cada vez mais empresas  e centros de investigação que trabalham na área do mar e que colaboram entre si. Isso dá-nos um capital bastante importante e é algo que temos de explorar com mais dinamismo, o que, felizmente, está a acontecer», acrescentou.

Mais do que potencial ao nível da criação de conhecimento, há também «um enorme negócio nesta área, «principalmente agora que se deu o Brexit». É que, atualmente, o centro de testes europeu, o European Marine Energie Centre, está sediado na Escócia. Ou seja, é um local ao qual ainda não está claro como irá ser a acessibilidade nos próximos anos.

Entretanto, a União Europeia tem um projeto para a criação de uma infraestrutura de testes reais e demonstradores, o Marinerg-i, no qual o Wavec – Centro de Energia de Ondas é o representante português. «Nós temos estado nas reuniões para cimentar a proposta da Ria Formosa como local de teste», revelou ao Sul Informação o investigador algarvio.

A aprovação da candidatura que o CIMA e os seus dois parceiros empresariais estão a fazer ao Horizonte 2020 poderá dar «uma grande ajuda» a este desígnio, mas o principal trunfo foi «o facto de termos sido pioneiros a fazer isto aqui na Ria Formosa, com o projeto SCORE».

André Pacheco aproveitou para realçar que a atração deste centro para a região «tem de ser uma aposta da universidade, não pode ser apenas de um centro de investigação».

«Temos de pensar naquilo que é a carreira de investigador na Universidade do Algarve. Temos de ter recursos, não podemos, de repente, perder a equipa de energias renováveis marinhas que temos estado a construir nos últimos cinco anos, por não conseguirmos assegurar o financiamento dos membros desse grupo», ilustrou.

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