Monchique reabilita troço urbano da Ribeira do Ambrósio para evitar que catástrofe de 1997 se repita

A 26 de Outubro de 1997, um verdadeiro dilúvio abateu-se sobre o concelho de Monchique. As ribeiras transbordaram e, no […]

Foto de arquivo das enxurradas em Monchique em Outubro de 1997, publicada no Facebook de Rui André

A 26 de Outubro de 1997, um verdadeiro dilúvio abateu-se sobre o concelho de Monchique. As ribeiras transbordaram e, no centro da vila, a Ribeira do Ambrósio saiu do seu leito subterrâneo e inundou o Largo dos Chorões. 20 anos depois, para evitar que a situação se repita, o troço urbano deste curso de água vai receber obras no valor de 359 mil euros para a sua requalificação.

A Câmara de Monchique assinou, no dia 7 de Fevereiro, o termo de aceitação da candidatura feita ao PO SEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, para a realização de trabalhos de limpeza do troço urbano da ribeira, quer ao nível da desmatação, como da limpeza dos sólidos carreados pelas últimas cheias, que nunca foram removidos.

Alem destes trabalhos, serão criadas estruturas para diminuir a entrada de sólidos no túnel de drenagem, para a regularização do leito e margens da ribeira com muros de pedra e soleiras em betão armado e serão reparadas as infraestruturas que estão em mau estado.

Rui André com João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, na assinatura do termo de aceitação da candidatura

Rui André, presidente da Câmara de Monchique, lembra o dia 26 de Outubro de 1997 como um dos «mais aflitivos da nossa história recente».  A inclinação das ribeiras originou uma rápida propagação da onda de cheia. As enxurradas transportaram blocos de sienito, areia, lama, troncos de árvores, tendo sido destruídas pontes, estradas e até casas, um pouco por todo o concelho. No entanto, as imagens que ficaram na memória são as do Largo dos Chorões, completamente “virado do avesso”.

Segundo o autarca, esta obra de reabilitação da ribeira funciona como «uma forma de adaptação às alterações climáticas, que originam fenómenos cada vez mais extremos e para os quais são necessárias medidas eficazes ao nível da prevenção e gestão dos riscos associados», como a desobstrução, regularização e controlo de cheias.

A Câmara de Monchique explica que, nesta altura, «devido aos mais diversos fatores (intempéries que assolaram o concelho em Outubro e Novembro de 1997, a vaga de incêndios do Verão de 2003 e mais recentemente as intempéries ocorridas nos meses de Outubro/Novembro de 2006), a rede hidrográfica entrou em colapso ou tornou-se vulnerável face às agressões da natureza e afigura-se urgente a sua recuperação».

Levantamentos de campo feitos pelos Serviços Técnicos da Câmara de Monchique, em conjunto com a APA-ARH Algarve e, mais recentemente, por técnicos de gabinetes externos, encontraram «diversas patologias, entre elas estruturais, que deverão ser corrigidas de forma a mitigar os riscos de inundação, de colapso da infraestrutura, de edifícios sobre a mesma e arruamentos», acrescenta a Câmara de Monchique na memória descritiva do projeto, a que o Sul Informação teve acesso.

Rui André lembra que «esta ribeira e o troço em que iremos intervir faz parte das zonas críticas de inundação previstas na carta de zonas inundáveis da WISE – Water Information System for Europe, pelo que a reabilitação do sistema de drenagem é fundamental e necessária com vista à melhoria do escoamento e vazão das secções hidráulicas, de modo a assegurar também a sua regularização e consequente prevenção dos efeitos das cheias no núcleo urbano consolidado de Monchique».

De acordo com a candidatura apresentada, o início dos trabalhos no terreno está previsto para o próximo mês de Maio e a empreitada deve terminar em Novembro.

 

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