Providências cautelares adiam demolição de 16 casas no Farol e nos Hangares. Oito «vão já abaixo»

A Sociedade Polis Ria Formosa tomou posse administrativa de mais oito casas em núcleos da Ilha da Culatra, quatro no […]

Polis a tomar posse de casas nos Hangares/Imagem de Arquivo

A Sociedade Polis Ria Formosa tomou posse administrativa de mais oito casas em núcleos da Ilha da Culatra, quatro no Farol e outras tantas nos Hangares, este terça-feira. Providências cautelares apresentadas por donos de outras 16 casas que tinha sido notificados para as entregar impediram a entidade de reclamar 22 habitações, como estava inicialmente previsto.

Os técnicos da Polis voltaram hoje à Ilha da Culatra, no concelho de Faro, acompanhados por um contingente policial com cerca de 40 elementos, e, como havia acontecido na primeira leva de tomadas de posse, foram recebidos por dezenas de pessoas, que tentaram impedi-los de tomar posse das casas.

Apesar das palavras de ordem gritadas e de alguns momentos de tensão, a posse administrativa das casas que não entraram com novas providências acabou por acontecer. «Amanhã, já devem começar a trazer as máquinas, para as deitar abaixo», disse ao Sul Informação, inconformado, Feliciano Júlio, presidente da Associação da Ilha do Farol de Santa Maria.

Esta associação, bem como a de Moradores dos Hangares, tinham vindo a fazer um esforço, desde a chegada das últimas cartas da Polis, para evitar que as casas fossem entregues à Polis. E a solução voltou a passar pelos tribunais, tendo em conta que, apesar das tentativas, os representantes dos proprietários das casas não conseguiram chegar à fala com o ministro do Ambiente.

Segundo Feliciano Júlio, entre as casas que foram hoje tomadas pela Polis, uma é de primeira habitação, situada nos Hangares. «Vão demolir a casa da rapariga, que não tem para onde ir. Isto não se justifica, no século XXI. Vão criar uma sem-abrigo», lamentou.

O presidente da associação do Farol assegurou, ainda, que, no seu núcleo, foi marcada para demolir «uma casa que tem um recurso a decorrer no Tribunal da Relação de Évora». E, garante, apesar «do tribunal dizer que este recurso tem efeito suspensivo», a Polis «não quis acatar essa ordem».

Agora, diz Feliciano Júlio, as associações vão «aguardar quais serão os desenvolvimentos».

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