13 espantalhos alertam para preservação do património material e imaterial de Loulé

O coreto, o mercado de sábado, mas também a amendoeira e as portas quinhentistas. 13 “Espantalhos Guardiões” mostram, um pouco […]

Foto de Jorge Graça

O coreto, o mercado de sábado, mas também a amendoeira e as portas quinhentistas. 13 “Espantalhos Guardiões” mostram, um pouco por toda a cidade, o património material e imaterial de Loulé, alertando para a necessidade de o preservar.

Assim é a mostra, promovida pela Casa de Cultura de Loulé, inaugurada, no passado dia 3 de Fevereiro. O objetivo é «divulgar e sensibilizar para a preservação de património material e imaterial menos conhecido e valorizado da cidade de Loulé».

«Os espantalhos, que tem como missão defender as frutas e colheitas dos predadores, cumprem aqui a função de alerta para as ameaças a que está sujeito património relevante na memória e construção da identidade da cidade de Loulé, mantendo-se até final do mês de Fevereiro nos locais onde foram colocados».

Também até final de Fevereiro, os cidadãos são estimulados a participar, enviando comentários e sugestões sobre património por si identificado, manifestando ainda a sua eventual disponibilidade, para participar em iniciativas que visem a sua salvaguarda e valorização.

Para ver, num mapa, onde estão os espantalhos clique aqui.

 

Património para o qual alertam os espantalhos:

Fonte da Cássima:

«Lugar associado a uma das lendas mais relevantes do património imaterial da cidade – a Lenda da Moura Cássima – recordando o período de ocupação islâmica e o seu legado. Risco do lugar vir a desaparecer por desconhecimento do seu valor, por não se encontrar devidamente sinalizado e preservado».

Centro Histórico de Loulé:

«Calçadas de cariz medieval. Arruamentos, edificado e materiais construtivos que mostram diferentes períodos da história da cidade. Risco de, em operações necessárias de requalificação para melhoria da mobilidade e da habitabilidade, se destruir elementos relevantes para compreender a identidade do lugar e da cidade».

Sistema de levadas e de gestão de água:

«Abundância de água e o seu potencial para irrigação dos campos a sul da cidade. Sistema de levadas e regras de gestão da água. Recursos e infraestruturas que mostram a importância da envolvente para o crescimento da urbe. Risco de continuar o processo de degradação há décadas em curso, desaparecendo por completo o que são marcas da memória do uso de um território vivo e trabalhado».

Palácio da Fonte da Pipa e sua envolvente:

«Palácio do século XIX, de assinalável valor, pela sua arquitetura, pelos espaços ajardinados, pelo que foi a pintura do seu interior, jardins e espelhos de água da sua envolvente. Risco de perda completa de um património histórico-cultural único, depois de em Janeiro de 2017 um incêndio ter destruído a cobertura do palácio e o que restava das magníficas pinturas do seu interior».

Noras e Engenhos:

«Era das noras com os seus engenhos que se extraía a água que regava fruteiras e hortícolas, particularmente a norte e nascente da cidade. São testemunhos da ocupação do território e da atividade humana. Há o risco de virem a desaparecer todos os exemplares destas infraestruturas ainda em atividade há 50 anos e que são elementos relevantes para compreender a evolução tecnológica na extração e uso da água».

Ofícios – Sapateiro, Ofício Representativo:

«Os diferentes ofícios mostram-nos como em cada um deles, com o domínio das técnicas, mulheres e homens são capazes de transformar matérias-primas em peças criadas em função das necessidades. Loulé foi uma cidade de ofícios e de entre eles, destacavam-se os sapateiros. Gradualmente, os ofícios têm vindo a desaparecer substituídos por novas tecnologias e produtos. Com a sua extinção, perdem-se saberes sobre matérias-primas e técnicas dominadas localmente. É a autonomia de cada local que se perde».

Mercado dos Produtores: 

«Aos sábados, na envolvente do Mercado Municipal, o chamado mercado dos produtores é visto como forma de comprar produtos frescos, de qualidade, diretamente aos produtores. Ganha o consumidor pela qualidade dos produtos e o produtor pelo escoamento, a melhor preço, do resultado do seu trabalho. A crescente mistura entre produtores que comercializam o resultado da sua produção, os vendedores que apenas comercializam e ainda outros vendedores que misturam os produtos da sua produção com outros que são adquiridos nos mais diversos locais, inclusive em grandes superfícies, põem em risco o que deveria ser um espaço nobre de comercialização direta do produtor ao consumidor».

Edifícios, conjuntos edificados e elementos construtivos – Chaminés, Platibandas, Ferragens:

«Este é um edifício que simbolicamente representa os muitos que existem na cidade, integrando conjuntos edificados, ou ainda elementos construtivos que ressaltam pelas formas trabalhadas em chaminés, platibandas, gradeamentos em ferro, portas em madeira, janelas, cantarias… São elementos que personalizam a cidade. A falta de sensibilidade, a ânsia de rentabilização do solo, a ausência do seu levantamento e de ações de sensibilização para a compreensão dos valores e a sua salvaguarda, leva-nos à sua perda gradual».

Coreto: 

«O coreto representa o núcleo da cidadania de um aglomerado desde o século XIX, local onde a comunidade se reunia para ouvir as suas Bandas Filarmónicas, símbolos da cultura, da política e da sociedade da época. O coreto já esteve localizado no atual Largo Gago Coutinho. Na localização atual perde a sua função, sendo uma rotunda a meio das placas da Avenida, quando deveria ser espaço para concertos por bandas filarmónicas, de rock e outras. Um laboratório de apresentação à população de bandas musicais de todo o género. A sua não relocalização para espaço onde cumpra a sua função leva à sua banalização e eventual futura destruição».

Jardim Manuel da Mana e Bairro de S. Francisco:

«Já foi espaço de mercado onde se comercializavam não só os produtos do campo, como também artesanato e outros bens necessários à atividade agrícola. Está inserido no Bairro de S. Francisco que ainda preserva a estrutura de produção industrial com a habitação. Há o risco de todo este conjunto continuar a degradar-se e de intervenções de reabilitação que possam vir a ser realizadas não compreenderem e não respeitarem a memória deste conjunto, de grande representatividade na vida e história da cidade no século passado».

Portas Quinhentistas: 

«As portas quinhentistas, de chanfro, são elementos importantes na e para a história da cidade, marcas de um período, integrando o património do concelho. Algumas das três portas identificadas correm o risco de desaparecer, perdendo-se um valor patrimonial que é simultaneamente um recurso educativo e turístico».

Lavadouro Público:

«Representa a história social da cidade, um espaço de encontro e de trabalho, que marcou uma época. É um elemento marcante para compreender a evolução de Loulé. O seu estado de abandono, atualmente emparedado, não permite a sua visibilidade, o que pode levar à sua demolição no futuro».

Amendoeira:

«A amendoeira integra, com a alfarrobeira, a figueira e a oliveira as árvores do pomar misto de sequeiro. Árvores adaptadas ao nosso solo e clima. Caracterizam a nossa paisagem e facultam-nos frutos de elevado valor, nas mais diversas utilizações. A amendoeira, em particular, está associada às lendas e à imagem da região. A amendoeira tem vindo gradualmente a desaparecer dos nossos campos, perdendo dimensão os mantos de amendoeiras floridas, visíveis no final do Inverno. À medida que vão secando é património que se vai perdendo».

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