Portugal e Espanha insistem na navegabilidade do Guadiana até ao Pomarão

Uma candidatura que visa garantir a navegabilidade do Guadiana até ao Pomarão foi apresentada por Portugal e Espanha à nova […]

Rio Guadiana Dia da EuropaUma candidatura que visa garantir a navegabilidade do Guadiana até ao Pomarão foi apresentada por Portugal e Espanha à nova geração de fundos comunitários destinados à cooperação transfronteriça e a resposta deverá chegar antes do final de 2016.

O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve David Santos durante as celebrações do Dia da Europa na região, em que se aproveitou para mostrar o impacto que a integração na União Europeia causou no Baixo Guadiana, desde que Portugal e Espanha aderiram à comunidade, há 30 anos.

Uma iniciativa que se focou muito na cooperação transfronteiriça, aproveitando a existência de uma Eurocidade que junta Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António à espanhola Ayamonte. Ao longo do dia, foram mostradas algumas das obras cofinanciadas, estruturantes para os diferentes municípios, entre as quais a da Navegabilidade do Guadiana entre a foz e Alcoutim.

Nesta nova fase do programa, muito orientada para o desenvolvimento económico, revelou ao Sul Informação David Santos, «já foram apresentadas diversas candidaturas» que envolvem Portugal e Espanha. Entre elas, o presidente da CCDR do Algarve salienta a da navegabilidade do Guadiana até ao Pomarão, que considera que poderá ter um forte impacto na economia deste território.

«O projeto inicial era ir até ao Pomarão, mas verificou-se que a verba disponível no anterior quadro comunitário de apoio não era suficiente. Assim, fez-se o reajustamento, avançamos com a navegabilidade até Alcoutim e, agora, apresentámos nova candidatura que prevê garantir que as embarcações consigam chegar ao Pomarão, através da dragagens e balizamento do canal, mas também a criação de ancoradouros, onde os barcos tenham acesso a energia elétrica e água», revelou.

«Isto será muito importante para a dinamização da economia, já que vai permitir criar empresas na área da restauração, serviços, dormidas, a dinamização do património cultural e histórico, bem como do artesanato», enumerou.

«A decisão deve ser tomada entre Outubro e Novembro. A unidade de gestão está sediada em Madrid, nós damos o nosso parecer. As candidaturas que foram apresentadas superam em seis vezes a dotação que saiu neste aviso, pelo que algumas deverão ficar de fora. Esperemos que esta candidatura do Guadiana tenha bom sucesso», considerou David Santos.

Dia da Europa 2016 CCDRA

Além desta primeira intervenção no Guadiana, «que  foi a primeira Via Rápida deste território», em que além do balizamento do canal de navegação, se efetuaram dragagens,  foram muitas as obras públicas que transformaram esta zona do Sotavento Algarvio e do Sul de Espanha.

Desde logo uma autêntica revolução no que toca a redes viárias e no saneamento, mas também equipamentos de utilidade pública, como bibliotecas, infraestruturas desportivas como piscinas e campos de jogos, espaços empresariais e industriais, entre muitos outros.

Quem cresceu neste território, lembra-se bem de como as coisas eram, antes da entrada de Portugal para a União Europeia. «Quando estudava em Faro, levava um dia inteiro para chegar a Alcoutim. Hoje, demoro menos de uma hora», lembrou o alcoutenejo Francisco Amaral, que é o atual presidente da Câmara de Castro Marim.

Também o presidente da Câmara de Alcoutim Osvaldo Gonçalves salientou a importância dos fundos europeus, para melhorar a qualidade de vida no seu concelho. Sem os fundos estruturais, muita da oferta pública que há neste município do interior dificilmente existiria.

Parte destes investimentos chegaram pela via da cooperação transfronteiriça, já que o Interreg é um Programa Operacional que financia, exclusivamente, projetos que envolvam diferentes regiões da UE.

António Melo antigo contrabandista

E, já que se falava da cooperação entre Portugal e Espanha, aproveitou-se para apresentar o livro «O contrabando tradicional na fronteira luso-espanhola do Baixo Guadiana», sessão que contou com o octagenário António Melo, que, apesar dos seus 81 anos, mantém bem viva a memória dos tempos em que se dedicou ao contrabando e mostrou, igualmente, ser um excelente contador de histórias.

Além das memórias de António Melo, foi dada voz a Rafael Cáceres, antropólogo e professor universitário de Sevilha, que escreveu um dos capítulos do livro, bem como ao professor da Universidade do Algarve António Covas.

As celebrações do Dia da Europa e do Dia da Eurocidade foram uma iniciativa organizada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), Programa Operacional Regional CRESC ALGARVE 2020, Centro Europe Direct do Algarve, Enterprise Europe Network e EURORREGIÃO Alentejo-Algarve-Andaluzia e contaram com a parceria da Eurocidade do Guadiana, da Associação Odiana e do Jornal do Baixo Guadiana como media partner

 

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