Paróquia de Portimão vai abrir ATL social para crianças de famílias carenciadas

Depois da Cantina Social, que desde esta segunda-feira está a servir 20 refeições por dia, a Paróquia da Matriz de […]

cantina social_1Depois da Cantina Social, que desde esta segunda-feira está a servir 20 refeições por dia, a Paróquia da Matriz de Portimão quer agora abrir um ATL social, para acolher as crianças de famílias «que não têm condições para as ter noutras instituições».

O anúncio foi feito no domingo, pelo Padre Mário Sousa, pároco de Portimão, durante a cerimónia de inauguração e bênção da Cantina Social pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas.

O Padre Mário, perante as centenas de pessoas que encheram o salão situado no rés-do-chão do antigo edifício da Caixa Agrícola de Portimão, onde agora funcionam os vários serviços da Cáritas Paroquial e o Agrupamento de Escuteiros, anunciou que, «quando for possível passar a catequese para o primeiro andar deste edifício e libertar a casa da Rua do Arco», será criado neste segundo espaço o ATL. «Com o voluntariado da comunidade paroquial, queremos responder a mais esta necessidade», acrescentou.

«Há quatro anos, quando começaram a chegar à paróquia tantas pessoas desesperadas com uma situação em que nunca se tinham visto, de desemprego e algumas já de miséria, naturalmente que a Igreja não podia ficar insensível». Foi então fundada a Cáritas Paroquial, «que vive com o trabalho, o empenho e os recursos de cada comunidade» e que, «neste momento, auxilia mais de 200 famílias todos os meses, abrangendo um universo de 700 pessoas».

No ano passado, acrescentou o Padre Mário, «em colaboração com o Banco Alimentar contra a Fome, distribuímos 67 toneladas de alimentos, 6000 peças de vestuário e 35 mil euros de donativos exclusivamente da comunidade paroquial» e, com a colaboração da Cáritas Diocesana, foram pagos 8000 euros de rendas de casa «para as pessoas não serem despejadas».

Há ainda a Loja Solidária, que agora passa a funcionar nas novas instalações da Cáritas Paroquial, no rés-do-chão do edifício da antiga Caixa Agrícola.

Padre Mário Sousa
Padre Mário Sousa

Mas, sublinhou o pároco, «sentimos a necessidade de ir mais longe», porque «há gente, sobretudo aqui neste centro antigo da cidade, que passa dias e dias sem uma refeição quente. São pessoas que, por causa da idade, da doença, das dificuldades económicas, passam mal».

A Cantina Social começa por servir 20 refeições diárias, ocupando as instalações de um pequeno restaurante que foi adquirido pela Paróquia ao lado do edifício da Cáritas, e que custou 50 mil euros. O investimento necessário não ficou por aí, uma vez que foi preciso comprar uma câmara frigorífica, que custou «quase 10 mil euros» e já está montada na cave do edifício, no armazém dos alimentos, onde também foi montada uma passadeira, para evitar que os voluntários tenham de subir e descer as escadas carregados.

Para assegurar a confeção das refeições diárias, há 33 voluntários que aí trabalham, de um total de 90 voluntários que colaboram com a Cáritas de Portimão. «Naturalmente que mais gente precisa de refeições, mas temos de ir estendendo o pé à medida do lençol».

O Padre Mário aproveitou para agradecer à Junta de Freguesia «a colaboração e empenho», manifestados, por exemplo, através da colaboração dos funcionários da Junta «no arranjo de tudo isto».

D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve
D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve

Mas também a Cáritas «colaborará com um projeto da Junta que se chama “Tão Perto de Ti”, em conjunto com o Bombeiros Voluntários, e que passa por levar as refeições a casa de quem não se pode deslocar, bem como prestar os cuidados de saúde básicos a esta população que, às vezes, está muito esquecida».

Álvaro Bila, presidente da Junta de Freguesia de Portimão, recordou que a criação de «uma cantina no centro da nossa cidade era e é um projeto deste executivo, por isso quando o Padre Mário o apresentou, foi por nós abraçado desde a primeira hora». Para mais porque, sublinhou, se trata de um equipamento que se destina «a todos os cidadãos, independentemente da sua orientação religiosa».

Salientando a «função social de tudo isto», o Padre Mário disse: «as pessoas não comem ideias, têm fome todos os dias. Ao Estado competirá criar medidas que resolvam estruturalmente a situação, mas nós não podemos dizer às pessoas: “venham para a semana”. As pessoas têm fome hoje e têm de dar de comer aos seus filhos naquele dia».

Também o Bispo do Algarve se referiu à questão da responsabilidade do Estado. «Há quem pergunte: Este dever não compete ao Estado, alguns diriam até, exclusivamente? É evidente que sim. Mas não cabe ao Estado substituir-se àquilo que os cidadãos podem e devem fazer. Cabe ao Estado harmonizar, regular e legislar, de maneira que este serviço se preste», disse D. Manuel Neto Quintas.

Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão
Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão

Também presente na cerimónia esteve Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão, bem como todos os vereadores, mesmo os da oposição (João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda, Nelson de Freitas, da CDU, e José Pedro Caçorino, da coligação Servir Portimão), à exceção do vereador Pedro Castelo Xavier, hoje um independente, mas eleito pelo PSD e que integra o executivo permanente.

A presidente Isilda Gomes disse que «seria muito bom que não tivéssemos de estar aqui nesta cerimónia hoje, pois isso significaria que não tínhamos cidadãos a sofrer com a carência mais básica, que é a carência alimentar».

«40 anos depois do 25 de Abril ainda temos gente que passa mal, que não tem dinheiro para comer, para pagar medicamentos, para pagar a renda», lamentou a autarca.

Por isso mesmo, «constatando a dificuldade dos cidadãos», a Câmara de Portimão criou a «rede de emergência municipal, que apoia hoje mais de 800 famílias», integrando o trabalho da Cáritas Paroquial.

«Na área social, nas reuniões de Câmara estamos sempre de acordo, votamos sempre da mesma forma», garantiu a autarca. Uma afirmação que até nem é inteiramente verdade e por razões algo insólitas.

Os vereadores
Os vereadores

É que, recentemente, na reunião de Câmara em que foi discutida a permuta do edifício da antiga Caixa Agrícola, que pertence ao Município, com um terreno da Igreja, de modo a garantir à Paróquia instalações permanentes para desenvolver o seu trabalho social, a proposta foi aprovada apenas por maioria, com um voto contra. A favor, votaram a presidente Isilda Gomes e os vereadores permanentes Joaquim Castelão Rodrigues e Ana Figueiredo, todos eleitos pelo PS, bem como o vereador do Bloco de Esquerda, João Vasconcelos. Nelson de Freitas, da CDU, absteve-se. E o único voto contra pertenceu a Pedro Castelo Xavier, que até integra o executivo permanente…

A proposta de permuta, aprovada por maioria na Câmara, será agora submetida à Assembleia Municipal, onde deverá passar sem problemas.

No edifício da antiga Caixa Agrícola, depois de já lá ter funcionado a escola ETIC_Algarve, atualmente a Cáritas está a funcionar na rés-do-chão e na cave, os escuteiros ocupam o 2º andar, enquanto o 1º andar, agora vago, será em breve usado pelas 800 crianças que frequentam a catequese.

«Todo este espaço movimentará, por semana, mais de 2000 pessoas. É muita gente! É bom a nível social, mas também para trazer vida a este centro histórico que está tão abandonado», sublinhou o Padre Mário Sousa, na inauguração da Cantina Social.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues/Sul Informação

 

 

 

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