IBM vai ajudar Faro a potenciar a Economia do Mar no concelho e região

Faro vai ser a primeira cidade portuguesa a entrar no restrito grupo de cidades do Smarter Cities Challeng da IBM, […]

Faro vai ser a primeira cidade portuguesa a entrar no restrito grupo de cidades do Smarter Cities Challeng da IBM, que procura potenciar o desenvolvimento sustentável de núcleos urbanos em todo o mundo.

Um projeto ligado à economia do mar apresentado pelo município algarvio mereceu a confiança da multinacional, que vai trazer especialistas em diversas áreas à região para ajudar a dinamizar projetos públicos e empresariais neste setor, anunciaram a autarquia farense e a IBM Portugal numa Conferência de Imprensa conjunta que teve lugar hoje, terça-feira.

A nível mundial, há apenas cem cidades que vão beneficiar do programa da IBM. Faro faz parte das 31 cidades escolhidas no concurso este ano, o terceiro desde o nascimento da iniciativa, juntando-se às 64 que já antes beneficiavam do apoio da IBM, que no global ascende aos 50 milhões de dólares. Em 2012 foram escolhidas cinco cidades europeias, entre as quais Faro.

O projeto liderado pela Câmara de Faro envolve diversos parceiros regionais, públicos e privados, numa plataforma que extravaza as fronteiras do municipio que a lidera. O apoio que a IBM vai dar a Faro está avaliado em 400 mil dólares e consistirá na contratação de especialistas, desenvolvimento de estudos, cedência de conhecimento e no acompanhamento dos diversos projetos que surjam no âmbito da iniciativa, que não terão de ser exclusivamente de empresas da capital algarvia.

Como ilustrou o presidente da IBM Portugal António Raposo de Lima, trata-se de trazer «um conjunto de especialistas, de melhores práticas e propriedade intelectual que possam ser colocadas ao serviço daqueles que quiserem criar valor» em atividades ligadas à economia do mar.

Logo de início, a IBM trará à região um grupo de especialistas que, ao longo de três semanas, vai «avaliar, analisar e recomendar melhorias estruturais na cidade que a tornem um lugar melhor para trabalhar e viver». As empresas também podem aproveitar para perceber como podem tornar-se mais eficientes.

Do trabalho efetuado por esta equipa, «resultam, normalmente, projetos concretos», tendo em conta a experiência nas outras cidades que beneficiam do programa. Iniciativas que são acompanhadas pela IBM, que ajudará não só numa fase inicial, que até pode passar «por provas de conceito», mas também acompanhará a sua evolução, posteriormente. «O resultado final depende muito daquilo que os atores locais quiserem fazer, de até onde querem chegar», acrescentou.

 

O projeto é de Faro e da região

O presidente da Câmara de Faro Macário Correia, assumiu que, com a aposta da IBM, recai sobre os que estão ligados ao projeto «uma responsabilidade enorme».A Câmara de Faro assume um papel de dinamizadora e organizadora da iniciativa, em ligação com os demais parceiros, cuja participação é fundamental. «Se fossemos apenas nós, o projeto não teria qualquer viabilidade», considerou o autarca.

A dimensão regional do projeto está bem patente nas entidades públicas que a ele se associaram, como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e a Universidade do Algarve e das várias empresas a ele ligadas, como a Companhia de Pescarias do Algarve e as empresas ligadas à plataforma Maralgarve.

«Este projeto não será a solução para todos os problemas do Algarve», nomeadamente para a elevada taxa de desemprego existente, considerou Macário Correia, mas pode dar um contributo para isso e, principalmente, para a criação de mais valor.

«Fazemos muita coisa ligada ao mar de forma artesanal. [Com a ajuda da IBM] talvez haja condições de aplicar aqui evoluções tecnológicas que podem levar ao aparecimento de novas ideias», exemplificou Macário Correia.

Além destes parceiros privados iniciais, o projeto tem o objetivo «de associar outras empresas», garantiu Macário Correia. E, apesar de o projeto só ter inicio em 2013, representantes das entidades públicas e privadas do projeto já reuniram hoje com a IBM, numa sessão de trabalho preparatória.

 

«Não há contrapartidas» comerciais exigidas pela IBM

O programa Smarter Cities nasceu, segundo explicou António de Lima, numa ótica de responsabilidade corporativa da multinacional e não contempla nenhuma dimensão de negócio com as cidades apoiadas. «Não há contrapartidas ligadas a esta distinção. Não vamos ter de comprar material à IBM, nem há nenhuma relação comercial escondida», assegurou, por outro lado, Macário Correia.

O que há é uma «aposta de uma entidade de prestígio», a IBM, num projeto que mostrou ter argumentos suficientes para convencer o júri internacional, que engloba personalidades externas, do concurso Smarter Cities Challenge.

António Lima frisou que não esteve ligado ao processo de seleção e não escondeu a satisfação por ver uma empresa portuguesa distinguida. «Foi a primeira vez que conseguimos, em conjunto, trazer para Portugal uma iniciativa deste calibre e dimensão, em termos qualitativos», ilustrou.

Para o responsável máximo da multinacional em Portugal, o que terá feito a diferença para que Faro fosse uma das cidades escolhidas foi «a capacidade de liderança» que os responsáveis pelo projeto demonstraram, na exposição feita ao júri e o «nível de compromisso assumido por todas as entidades envolvidas».

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