A igreja matriz de Sines foi, sábado, dia 24 de março, palco do arranque da 8.ª edição do Festival Terras Sem Sombra, num concerto a todos os títulos memorável que uniu algumas das mais belas vozes da cena operática internacional, os solistas María Bayo, María José Montiel, Alexandre Guerrero e Damián del Castillo, interpretaram Petite Messe Solennelle, de Rossini.
O público, que ultrapassou as quatro centenas de pessoas, aplaudiu de pé a interpretação do quarteto acompanhado pelo Coro Nacional de São Carlos, os pianistas Marta Zabaleta e Miguel Borges Coelho e ainda Kodo Yamagishi no harmónio.
Coube ao maestro Giovanni Andreoli segurar na batuta que deu o arranque ao 8.º Festival Terras Sem Sombra, o maior do seu género em Portugal e um dos festivais que marca o roteiro europeu de música sacra.
O Terras Sem Sombra veio dar nova vida aos monumentos religiosos da cidade de Sines num fim-de-semana preenchido de atividades dedicadas à música, património e biodiversidade.
Nas palavras de José António Falcão, diretor do Departamento do Património da Diocese de Beja e responsável pela organização do Festival, esta é, de resto, “uma terra com pergaminhos quanto à vida musical, onde o amor à música permaneceu”, como demonstrou a igreja matriz totalmente lotada, onde pequenos e graúdos – incluindo muitos turistas nacionais e estrangeiros – assistiram à “manifestação suprema do génio de Rossini”.
O Festival Terras Sem Sombra continuou no domingo, em plena Praia da Oliveirinha, com um passeio pedestre de observação da zona entre-marés do litoral rochoso marinho.
A ação contou com o apoio do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade de Évora e o Município de Sines, e teve como objetivo alertar os participantes para a necessidade da salvaguarda do litoral.
Músicos, espetadores e membros da comunidade local aceitaram o desafio que contou ainda com a presença do professor Mário Ruivo, figura pioneira dos estudos oceanográficos em Portugal e condecorado com o “Prémio Internacional Terras Sem Sombra 2011”. Os olhares curiosos dos participantes incidiram sobre o comportamento, predação e ciclos de vida das espécies autóctones da costa litoral alentejana.