Primeira dessalinizadora do Algarve é um sucesso há 16 anos

Na sua máxima capacidade, a dessalinizadora produz 800 metros cúbicos por dia, servindo sete hotéis no Grupo Pestana

Visita à dessalinizadora do Grupo Pestana em Alvor – Foto: Beatriz Bento | Sul Informação

«Finalmente», comenta o hoteleiro Pedro Lopes sobre a construção da dessalinizadora, em Albufeira, que servirá toda a região. O Grupo Pestana foi o primeiro a ter uma infraestrutura do género em Portugal Continental, visitada na manhã desta quinta-feira, 6 de Julho, e que atualmente serve sete hotéis em Alvor (Portimão).

A ida à dessalinizadora do Grupo Pestana fez parte de um conjunto de visitas técnicas no âmbito da conferência “Resiliência Hídrica no Algarve – o nosso propósito comum”, que juntaram técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente, Águas do Algarve e também da Comissão Europeia.

A ideia de construir uma dessalinizadora no Algarve nasceu por alturas da «seca de 2005», conta Pedro Lopes, administrador do Grupo Pestana no Algarve.

«Ficámos muito preocupados porque, logo nessa altura, apercebemo-nos de que isto não ia correr bem se não fossem tomadas medidas», acrescenta.

A solução era inovadora: em Porto Santo (Madeira), o grupo hoteleiro já tinha uma dessalinizadora desde os anos 80, mas, no Continente, não havia nenhuma.

«Na altura, fizemos várias visitas: fomos ao Sul de Espanha, às Canárias, à Grécia e ficámos surpreendidos como já havia uma série de infraestruturas destas a funcionar. Hoje, têm cada vez mais e não são suficientes», comenta.

Depois dos estudos, a dessalinizadora começou a funcionar, em Alvor. Corria o ano de 2008 e a experiência correu logo «muito bem».

 

Pedro Lopes, CEO do Grupo Pestana no Algarve – Foto: Beatriz Bento | Sul Informação

 

Em 2015, 2016, a situação hídrica no Algarve melhorou, de tal forma que a dessalinizadora foi desativada… até ao início de 2023.

«Eu até diria que estamos agora numa crise ainda maior do que essa de 2005 que nos levou a avançar com este investimento», comenta Pedro Lopes.

Na sua máxima capacidade, a dessalinizadora produz 800 metros cúbicos de água por dia, servindo sete hotéis do Grupo Pestana, todos na zona de Alvor. A água é usada tanto para rega de jardins, como para enchimento de piscinas e lavagens.

«No fundo, nós temos aqui um backup. Podemos continuar a ter jardins e zonas verdes e, se faltar água no Algarve, nós temos água para nós. Ponto final, parágrafo», diz o administrador do Grupo Pestana.

Para Pedro Lopes, não há dúvidas de que a futura central dessalinizadora regional, que será construída perto da praia da Rocha Baixinha (Albufeira) e terá a capacidade de tratar 16 hectómetros cúbicos (hm3) de água, por ano, podendo atingir os 24, numa segunda fase, é uma boa notícia.

«Devíamos ter começado a fazer dessalinizadoras há 20 anos. Quando vemos os modelos de Barcelona e Chipre, vemos que é o que pode acontecer no Algarve. Ainda bem que estamos a começar agora, mas uma não vai chegar – tenho a certeza absoluta», diz.

Apesar de assumir que a água da dessalinizadora «não é barata», o administrador do Grupo Pestana considera que «temos de contar, cada vez mais, com água dessalinizada para consumo humano».

 

Fotos: Beatriz Bento | Sul Informação

 

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