Novo “bairro” a Norte de Lagoa suscita preocupações com a água

Rega dos espaços verdes deverá ser garantida por um furo já existente no terreno, mas o seu caudal terá de ser monitorizado

São 40 lotes, onde serão construídos 324 fogos, destinados a habitação unifamiliar e plurifamiliar, comércio e serviços, com 1363 lugares de estacionamento. Este é o resumo da operação de loteamento de Lagoa Norte, promovida pela empresa Carvoeiro Branco – Propriedades, numa área com 14,98 hectares, que irá fazer nascer uma nova zona urbana, a norte da Escola EB 2,3 Jacinto Correia, entre os limites atuais da cidade atual e o acesso à Via do Infante.

O loteamento irá ocupar cerca de metade do terreno, já que terá uma área de implantação e de construção de 22.868,1 metros quadrados.

Devido à dimensão do projeto e aos seus impactos sobre o solo e os recursos, nomeadamente a disponibilidade de água, este tinha sido sujeito a um procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), durante a fase de estudo prévio, que foi objeto de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA), com decisão favorável mas condicionada, emitida em 4 de Novembro de 2022.

Neste momento, está em discussão pública até 13 de Junho próximo, no portal Participa, a fase de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução da “Operação de Loteamento de Lagoa Norte”.

 

 

Nos documentos disponibilizados no portal Participa referentes ao RECAPE deste loteamento urbano, um deles diz respeito à necessidade de monitorizar o furo para captação de água aí existente, tendo em conta «a escassez hídrica verificada nos últimos anos na região sul de Portugal continental».

Esse «furo vertical para captar água subterrânea», que ainda carece de regularizar o seu licenciamento junto da ARH – Algarve, será usado para «a rega dos espaços verdes» da urbanização.

No entanto, devido à situação de escassez hídrica que o Algarve vive e à «existência de captações de água subterrânea privadas na envolvente da área de projeto», é necessário fazer uma monitorização cuidada do furo.

Mas, de forma que até pode parecer paradoxal, há também preocupações com a drenagem das águas da chuva, que poderão causar inundações na zona da Escola Jacinto Correia se não forem tomadas medidas corretivas.

Do estudo feito, «resultou a necessidade de se implantar um reservatório de amortecimento das águas pluviais».

Este enorme tanque, a ser construído no subsolo, «terá capacidade para reter uma chuvada com um período de retorno de 100 anos e uma duração de 15 minutos, o que corresponde a um volume total de 1391,3 metros cúbicos, executado em betão armado».

O período de discussão pública do RECAPE deste loteamento que irá ocupar quase 15 hectares de antigos terrenos agrícolas a norte da cidade de Lagoa começou a 22 de Maio e termina já no dia 13 de Junho.

 

 

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