Estudo contabiliza a contribuição das florestas marinhas para o sequestro de carbono

Em tempos de crise climática, esta é uma novidade importante

Um estudo publicado recentemente, no qual participa a docente do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Isabel Sousa Pinto, demonstrou que as florestas de algas (florestas marinhas) transportam 56 milhões de toneladas de carbono para o mar profundo por ano, tendo um papel mais importante do que imaginávamos nestas funções.

As algas castanhas que existem ao longo das zonas costeiras do planeta transportam, todos os anos, cerca de 15% do carbono capturado para o fundo do oceano, onde parte desse total pode ficar retido por pelo menos um século, revela o paper publicado na revista científica Nature Geoscience.

“Este é o primeiro artigo que procura contabilizar, a nível global, a contribuição das florestas de algas marinhas para o sequestro de carbono”, explica, em entrevista ao jornal Público, a docente da FCUP, também investigadora no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Ciimar).

De acordo com os autores do trabalho, estima-se que as algas castanhas grandes sejam capazes de transportar para o mar profundo, todos os anos, cerca de 56 milhões de toneladas de carbono (entre 10 a 170 milhões de toneladas). Desse total, calcula-se que entre quatro a 44 de milhões de toneladas possam ficar ali retidas durante pelo menos um século.

Em tempos de crise climática, esta é uma novidade importante, uma vez que o carbono que fica no fundo do oceano não se está a acumular na atmosfera.

Para além disso, sublinha Isabel Sousa Pinto, ainda em entrevista a este meio de comunicação social, estas algas prestam ainda vários serviços no ecossistema: são “habitat para outras espécies, absorvendo nutrientes que vêm da terra e que podem provocar problemas ambientais, limpando, portanto, a água”.

Os autores deste estudo recorreram a modelos oceânicos globais para simular o destino do carbono contido nas algas desde a costa até ao fundo do oceano. Este trabalho teórico considerou vários fatores como mapas globais de distribuição de espécies de macroalgas castanhas, o tempo de transporte de uma espécie de alga castanha até ao mar profundo e a taxa de decomposição destes organismos.

 

Importância de incluir as macroalgas nas representações do orçamento global do carbono oceânico

As florestas de algas, compostas principalmente por algas castanhas gigantes, como as famosas kelp, são o ecossistema costeiro vegetado mais extenso e produtivo do planeta. Estas florestas podem crescer tão rapidamente quanto as florestas terrestres, sendo, portanto, altamente eficientes na captura e armazenamento de carbono.

Estes organismos podem ser encontrados sobretudo em águas ricas em nutrientes, mais frias e próximas da costa, uma vez que, por dependerem da luz solar para realizar a fotossíntese e crescer, não prosperam em grande profundidade.

O estudo estima que a exportação de carbono das algas abaixo dos 200 metros de profundidade totaliza três a quatro por centro do sumidouro de carbono do oceano, de acordo com uma nota de imprensa do CIMAR-LA, o laboratório associado que une o Ciimar e o CCMAR.

Os resultados indicam, assim, a importância de incluir as macroalgas nas representações do orçamento global do carbono oceânico, que ainda não considera a vegetação marinha na equação climática.

O estudo da Nature Geoscience foi liderado por Karen Filbee-Dexter, investigadora do Instituto Norueguês de Investigação Marinha e da Universidade da Austrália Ocidental. Além de Isabel Sousa Pinto, participam ainda no estudo Jorge Assis e dois outros cientistas lusófonos: Ana M. Queirós, professora no Laboratório Marinho de Plymouth, no Reino Unido, e Carlos M. Duarte, professor na Universidade de Ciência e Tecnologia King Abdullah, na Arábia Saudita.

 

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