Recuperadas, “Ukiyo” e “Vanora” voltaram ao seu habitat natural

A devolução aconteceu numa lancha a 10 milhas da costa de Portimão

Foto: Cátia Rodrigues | Sul Informação

Ukiyo, cujo o nome significa mundo flutuante, e Vanora, a onda branca, foram as duas tartarugas que estiveram em recuperação no centro de reabilitação do Zoomarine e que voltaram ao seu habitat natural, esta quinta-feira, dia 16 de Maio.

Eram quase 11h00 quando elementos da equipa do Zoomarine arregaçaram as mangas e calçaram luvas para pegar na Ukiyo, que havia de ser a primeira das duas tartarugas a ser devolvida ao mar, pela enfermeira veterinária Antonieta Nunes com a restante equipa.

Seguiu-se a devolução de Vanora, pelas mãos do comandante Bruno Rendeiro, da lancha rápida NRP Orion, da Marinha Portuguesa, o navio que transportou as duas tartarugas, a equipa de tratadores e jornalistas até 10 milhas ao largo de Portimão.

Apesar de terem sido devolvidas ao mar ao mesmo tempo, a história destas duas tartarugas é bem distinta.

Ukiyo foi encontrada em Novembro do ano passado por alguém que passeava a cavalo, na ribeira da Carrapateira. Em estado muito debilitado e a pesar dois quilos, a tartaruga foi levada pelo Zoomarine, para ser avaliada. Feridas, anemia, desidratação e o facto de ter sido encontrada em água doce, algo que não é normal, ditaram que tivesse de entrar em processo de reabilitação.

Após terminar este período de recuperação, foi devolvida ao mar com 4,9 quilos.

A tartaruga mais pequena, a Vanora, foi encontrada há dois meses na Praia Grande, em Sintra, com 240 gramas. Muito debilitada devido às tempestades, foi trazida pela ondulação para terra. Chegou ao Zoomarine com problemas intestinais, anemia e desidratação.

Ontem, foi libertada no seu habitat natural com o dobro do peso.

Em ambos os casos, as tartarugas foram sujeitas a exames para despistar que problemas teriam e beneficiaram de um plano de recuperação feito à sua medida.

 

Foto: Cátia Rodrigues | Sul Informação

 

«Numa fase final, em que os animais já estão em boas condições, começamos a pensar que eles estão a ficar prontos para devolução. A alimentação já é feita à distância, já introduzimos alimento vivo, como o caranguejo, por exemplo. O caranguejo e as ameijoas são deixadas para que o animal tenha que “ir caçar” o próprio alimento», explica a enfermeira veterinária Antonieta Nunes.

Antonieta Nunes alertou, numa conversa com o Sul Informação, que estas táticas de conservação são importantes, pois fazem diferença para a espécie e os «pontos de conservação para tartarugas marinhas são sempre bem-vindos».

«Todas as tartarugas marinhas dos oceanos estão ameaçadas. Elas têm uma taxa de sobrevivência até à fase adulta muito pequenina. Está estimado que, por cada 1000 que nascem, só uma é que chega à fase adulta», acrescentou.

Para fazer a devolução, o Zoomarine contou, uma vez mais, com a ajuda da Marinha Portuguesa. Esta é uma parceria que as duas instituições pretendem manter, já que ainda há mais oito tartarugas em reabilitação.

«Estamos a falar de uma parceria que dura há muitos anos. Eles querem a preservação do mar, nós queremos defender o mar e, por isso, isto acaba por se misturar um bocadinho», diz o Comandante Bruno Rendeiro, realçando que a ajuda sempre foi mútua.

A devolução destes dois animais ao mar também está associada às comemorações do Dia da Marinha, que este ano se celebra em Aveiro.

 

Fotos e texto de: Cátia Rodrigues, que é finalista do Mestrado em Comunicação e Media Digitais da Universidade do Algarve e está a fazer o seu estágio curricular no Sul Informação.

 

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