Galp já produz em Alcoutim «eletrões verdes» para criar o combustível de amanhã

Parque fotovoltaico da Galp tem capacidade para produzir energia suficiente para abastecer «80 mil famílias»

Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação

«Um dia, este sol de Alcoutim ainda vai criar o combustível que faz os vossos carros andar!». Esta”previsão” foi feita ontem, sexta-feira, por Filipe Silva, presidente executivo da Galp, na inauguração do maior projeto solar desta empresa em território nacional, que já está a produzir energia verde neste concelho do Nordeste Algarvio.

O novo parque energético da Galp é composto por quatro centrais fotovoltaicas – S. Marcos, Viçosa, Pereiro e Albercas -, que, entre si, contam com 252.532 painéis solares, instalados numa área total de 250 hectares (descontinuados), capazes de produzir, em condições ideais, 144 MWp (megawatts pico) de energia.

O investimento ascendeu aos 70 milhões de euros.

Segundo a Galp, a energia que será produzida neste parque será «suficiente para abastecer 80 mil famílias, evitando a emissão de 75.000 toneladas de CO2».

E, apesar deste ser o primeiro parque feito pela Galp em Alcoutim, os planos da gigante energética portuguesa para este território estão longe de estar ultimados, assegurou Georgios Papadimitriou, vice-presidente executivo de renováveis da Galp, durante a sessão, que também contou com a presença de Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente e Ação Climática.

«Alcoutim está ligado ao futuro da Galp e do país. Está na linha da frente da transição energética. (…) O nosso trabalho aqui não está terminado. Na realidade, está apenas a começar», disse o membro da administração da empresa.

A Galp tem em mente, desde logo, «uma extensão de 12 megawatts (MW). Mas, mais importante que isso, é que é aqui em Alcoutim que estamos a pensar instalar a nossa primeira bateria, de 5 MW e 20 megawatts-hora, provando que é possível e que acrescenta valor ter capacidade de armazenamento de energia perto da fonte».

 

Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação

 

Georgios Papadimitriou deixou, ainda, a garantia que a empresa está neste concelho «para ficar e criar valor para esta comunidade», mas também para a envolver na transição energética, uma ideia que foi secundada por Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara,  que salientou a «disponibilidade da Galp para a intervenção em Alcoutim nas áreas sociais, de turismo e de proteção civil».

«Não é todos os dias que temos a oportunidade de inaugurar, aqui no concelho, um investimento com esta dimensão, que, embora não crie muitos postos de trabalho, ajuda a fixar os jovens no concelho», referiu o edil alcoutenejo, no seu discurso.

À margem da sessão, Osvaldo Gonçalves disse ao Sul Informação que, neste ponto da criação de emprego, há algum caminho a fazer, uma vez que, por agora, «parte da mão-de-obra que é necessária para a operação destes parques, tem de vir de fora».

«Há a possibilidade de nós nos organizarmos, em termos de estrututura económica, para criar aqui no concelho esse tipo de empresas, nomeadamente da parte da silvicultura, da limpeza de painéis, porque são trabalhos pontuais. Há algumas empresas de cá que fazem este serviço, mas não em número suficiente para a procura», acredita.

Ainda assim, o autarca não tem dúvidas em afirmar que investimentos como o que foi ontem inaugurado são «estruturantes para a economia do concelho», embora saliente que a ideia não é «fazer de Alcoutim um parque fotovoltaico gigante».

 

Osvaldo Gonçalves – Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação

 

Para Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, o projeto que foi inaugurado «está em linha com as prioridades do Governo em relação a uma transição energética que privilegia a soberania, a independência e a autonomia, que fornece eletricidade a preços competitivos e, sobretudo, que evita emissões de gases com efeito de estufa. Em poucas palavras: uma transição nossa, barata e sustentável».

Já Paula Amorim, chairman da Galp,  considera que, com este parque, a empresa «dá mais um passo na execução da sua estratégia de crescimento sustentado na geração elétrica renovável em Portugal».

No futuro, a Galp quer levar «estes eletrões verdes aqui produzidos» até Sines, que tem «uma necessidade desmesurada de eletrões deste tipo», desde logo para «descarbonizar o processo de produção de combustíveis», mas também produzir combustíveis mais sustentáveis, «o que fará com que este sol acabe dentro dos nossos depósitos. Esta é a verdadeira transição energética Made in Portugal», rematou Filipe Silva.

A Galp tem onze parques solares em operação ou construção em Portugal e Espanha. Estes ativos serão responsáveis pela produção de cerca de 2,4 TWh de energia renovável em 2023.

 

Fotos: Hugo Rodrigues | Sul Informação

 

 

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