A Câmara Municipal de Silves vai lançar, ainda este ano, o concurso para a elaboração do estudo prévio do espelho de água a criar no rio Arade, frente à cidade, da «ponte rodoviária até à zona das piscinas».
A novidade foi revelada ao Sul Informação por Rosa Palma, presidente da Câmara de Silves, que adiantou que o que se prevê é criar um açude, que permita manter um espelho de água permanente com 2,2 metros de profundidade.
A altura das águas do rio Arade mesmo frente à cidade de Silves, a cerca de oito quilómetros da foz, ainda é afetada pelas marés, o que faz com que, durante metade do dia, não haja água nessa zona.
Isso impede, por exemplo, que os barcos das empresas marítimo-turísticas que sobem o Arade desde o estuário, em Portimão, possam fazê-lo fora das horas de maré cheia.
«O estudo prévio vai definir as várias hipóteses para se criar esse espelho de água permanente. Depois, entre essas hipóteses, a Câmara de Silves escolherá uma», acrescentou a autarca.

O lançamento do concurso público para o estudo prévio já terá sido articulado, com a Agência Portuguesa de Ambiente, tendo ainda havido reuniões com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e com o diretor geral dos Recursos Naturais.
Para já, não se sabe ainda qual será o custo da intervenção, uma vez que tudo depende da solução apontada pelo estudo prévio.
Além disso, antes de ser feita qualquer obra e se, de facto, se concluir que é para avançar com a criação do espelho de água, terá ainda de ser feita a Avaliação do Impacte Ambiental da intervenção. «Depois caberá à Comissão de Coordenação Regional do Algarve e ao próprio Governo decidir se se avança ou não e como».
Quanto ao financiamento, Rosa Palma revelou que gostaria «que esta obra do espelho de água fosse incluída no Portugal 2030, até porque tem muito a ver com as suas linhas orientadoras, por se tratar de um investimento num território do interior, em acessibilidades».
O espelho de água, enquanto obra inserida num sonho mais vasto, o do desassoreamento do rio Arade, está previsto pela Câmara de Silves desde 1995, quando a autarquia era comandada por José Viola, também ele eleito pela CDU, tal como Rosa Palma, a atual presidente da Câmara.
Num extenso artigo publicado em Junho de 2022 no jornal local «Terra Ruiva», o antigo vereador comunista Francisco Martins recorda todo o atribulado processo do sonho de desassoreamento do rio Arade e «restabelecimento da sua navegabilidade iondependentemente da condição de maré».
Recorda que, num projeto datado de 1994, se previa já a criação do espelho de água na frente ribeirinha até à ponte rodoviária, através da «construção de um açude, dotado de sistema de comportas, galgável pela maré, para renovação da água».

O projeto de então, que previa estudo de impacte ambiental, avaliação do património arqueológico e local para deposição dos dragados, incluía também o desassoreamento de um troço do rio, através do «estabelecimento de um canal navegável entre a confluência com a Ribeira de Odelouca e uma secção transversal de 4,362 km, nas proximidades de Silves», garantindo a «navegabilidade de embarcações de recreio de pequeno calado, até 2 metros».
O projeto de execução foi aprovado «em reunião de Câmara realizada em 23 de Maio de 1995», sendo que a 1ª fase da obra, a do espelho de água, «foi candidata ao Programa Operacional do Ambiente em Março de 1996». Mas a candidatura foi rejeitada.
Desde então, outras tentativas de reanimar o projeto foram feitas, mas até agora sem qualquer sucesso.
Não querendo desistir, o executivo da Câmara de Silves presidido por Rosa Palma reuniu-se, no dia 1 de Março, com Carlos Miguel, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.
No encontro de trabalho realizado no âmbito do programa “Governo + Próximo”, estiveram em cima da mesa «temas como o projeto de espelho de água e a intenção de desassoreamento do Arade», salientou a autarquia, dias depois, em nota de imprensa.
Mas não se sabe se o governante saiu ou não sensibilizado da reunião, até porque este tema não está sob a sua tutela.
Certo é que a Câmara de Silves não parece disposta a desistir deste que é «um velho sonho que tem ficado na gaveta».
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