DiVaM com mais dinheiro e menos monumentos apoia mais projetos e associações do Algarve

“Património, Comunidade e Inclusão” são o mote dos projetos deste ano

Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe recebeu a abertura do DiVaM – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

Música, às vezes acompanhada por teatro, por instalação sonora ou mesmo por ilustração em areia, ou misturando géneros como fado, tango e clássicos, artes plásticas misturadas com passeios e conversas, exibição de documentários e curtas-metragens, circo contemporâneo, criação multidisciplinar com palavra, ilustração e música, fotografia com visita orientada e “convívio mediterrânico”, deambulação performativa, dança, arqueologia amadora, provérbios e saberes populares, teatro comunitário, visitas sensoriais, espetáculos multimédia e outros promovendo a inclusão, palestras sobre o Mundo Antigo.

É com tudo isto – e muito mais – que se constrói a programação desta que será a oitava edição do DiVaM, o programa de Divulgação e Valorização dos monumentos do Algarve, promovido pela Direção Regional de Cultura, e que foi apresentado este domingo, dia 23, na Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, perto de Vila do Bispo.

Este ano há boas e menos boas novidades: a primeira boa notícia é que o orçamento da Direção Regional de Cultura algarvia foi reforçado, o que permitiu apoiar mais projetos de mais associações.

«Houve um reforço orçamental de 175 mil euros para a Direção Regional de Cultura do Algarve, que se juntou ao que nós já tínhamos e assim pudemos reforçar quer o DiVaM, quer o Programa de Ação Cultural. Por isso é que conseguimos 100 mil euros para esta edição do DiVaM», explicou a diretora regional Adriana Freire Nogueira, em entrevista ao Sul Informação.

«Todas as associações e entidades que concorreram ao DiVaM e que estavam em condições de ser elegíveis foram apoiadas em pelo menos um dos seus projetos. Ao todo foram 36 associações e 38 projetos», acrescentou.

Isso significa também que há «mais onze associações que concorreram este ano ao DiVaM, que nunca tinham concorrido antes». É que «esta crise levou as associações a perceber que, já que existe a possibilidade de concorrerem com dois projetos ao DiVaM e dois à Ação Cultural, o deveriam fazer».

 

Adriana Freire Nogueira, diretora regional de Cultura – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

Mas o facto de haver mais dinheiro, logo mais projetos e mais associações, também garante que a programação, que se estende de 5 de Junho a 5 de Dezembro, terá «uma maior diversidade de projetos». Há uma «diversidade de associações, diversidade de projetos, todos eles com esta ideia da inclusão. Temos circo, temos teatro, temos exposição, temos música, muita ligação às comunidades, através de trabalhos performativos com inclusão», explicou ainda Adriana Nogueira.

Mas este ano há também menos monumentos – tudo se passará apenas na Fortaleza de Sagres e na Ermida de Guadalupe, no concelho de Vila do Bispo, e ainda nas Ruínas Romanas de Milreu, em Estoi (Faro). Os restantes monumentos que costumavam integrar o DiVaM, por estarem sob a alçada da Direção Regional de Cultura, passaram recentemente para a responsabilidade das Câmaras Municipais: os castelos de Aljezur, Paderne e Loulé, e ainda os Monumentos Megalíticos de Alcalar (Portimão).

«O que dissemos às associações que estavam habituadas a apresentar projetos ao DiVaM, por exemplo em Paderne ou em Alcalar, é que concorram à Ação Cultural e podem fazê-lo até com o mesmo projeto com que antes concorriam. Assim, poderão continuar a fazer, nos sítios do costume, as suas atividades», salientou a diretora regional de Cultura, na sua entrevista ao Sul Informação.

Este ano, o programa «fica concentrado em três monumentos, se bem que os outros também nunca tinham muitas propostas. Às vezes, tínhamos de ser nós a desafiar as associações para fazerem propostas para alguns dos monumentos que agora deixaram de estar sob a nossa alçada. Alezur, Paderne, Loulé e Alcalar tinham sempre menos propostas».

No entanto, avisa Adriana Nogueira, «este ano temos um novo fôlego, em termos orçamentais, mas vamos ver como será nos próximos anos. Este programa é excecional, depois poderá não haver tanto dinheiro».

Quanto à pandemia, que, em 2020, não deixou que a maioria dos espetáculos previstos se concretizasse, continua a impor regras mais rígidas. «Os espetáculos agora têm que ser todos com marcação. As pessoas têm que marcar antes, para reservar, para termos a certeza de que se mantém a distância». Apesar disso, a diretora regional considera que «Guadalupe é talvez o lugar mais difícil ou algum espetáculo que seja com lugares sentados».

Este ano, a temática “Património, Comunidade e Inclusão” constituiu o mote para a criação de vários projetos artísticos, culturais e educativos. A programação sustenta-se nos princípios basilares da Convenção de Faro, através de projetos culturais que promovem a inclusão das comunidades no processo de construção patrimonial, colocando as pessoas e os valores humanos no cerne deste processo. O DiVaM é coordenado por Raquel Roxo.

 

Intervenção de Luciano Rafael, diretor da Fortaleza de Sagres – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

Depois do espetáculo de abertura, este domingo, na Ermida de Guadalupe, com um Concerto no Feminino protagonizado por Ana Castanhito (harpa) e Rute Gomes (flauta transversal) e promovido pela Artis XXI – Associação de Educação Artística de Lagoa, a programação do DiVaM continua já no próximo dia 5 de Junho, às 10h30, mas nas Ruínas Romanas de Milreu.

Este monumento será palco do projeto «PA’mim, PA’ti… Património», que pretende proporcionar novos olhares sobre o património de Milreu, dando enfoque especial à inclusão de grupos diversos.

O projeto incluirá outras atividades ao longo dos meses, como a oficina «Arqueólogo por um Dia!», dirigida ora a estudantes de artes e artistas estrangeiros residentes, ora a pessoas com deficiência auditiva, ou ainda a visita sensorial “Sentir Milreu”, dirigida ao público invisual. A promoção está a cargo da Lais de Guia – Associação Cultural do Património Marítimo.

Também em Junho, no dia 25, às 17h30, Milreu acolhe a ComClusão, uma exposição / instalação sonora, resultante de um projeto artístico que parte de uma reflexão sobre os conceitos de “inclusão” e “exclusão”. A conceção e curadoria é de Nicole Lissy e a sonoplastia de Miguel Neto, sendo promovida pela Amarelarte – Associação Cultural e Recreativa.

No dia 29 de Junho, às 17h00, as portas do monumento romano abrem-se aos «Espaços de Património, Sabedoria da Comunidade, Estratégias de Inclusão», diálogos em torno das expressões e saberes proverbiais, com Rui Soares e Marinela Soares, da Associação Internacional de Paremiologia.

Ainda em Junho, mas na Fortaleza de Sagres, no dia 13, às 18h00, apresenta-se o ensemble de sopros e percussão “Tradição Filarmónica”, da Sociedade Filarmónica Silvense, que irá propor uma viagem musical pelas diversas sonoridades, desde a época medieval até à atualidade.

Este é apenas um primeiro resumo do DiVaM 2021, cuja programação completa pode ser descarregada aqui (PDF). Pode ainda ser vista clicando aqui.

Todas as atividades são de entrada livre, mas sujeita a inscrição obrigatória. Para mais informações, por favor contacte fortaleza.sagres@cultalg.gov.pt ou 282620140, bem como milreu@cultalg.gov.pt ou 289 997823.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

 



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