Diretor de Cirurgia Geral foi demitido, novo Conselho de Administração do CHUA já está em funções

O nosso jornal sabe que, desde quinta-feira à noite, não há cirurgiões no Hospital de Faro

Martins dos Santos, diretor do serviço de Cirurgia Geral do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), foi demitido do cargo que ocupava. O Sul Informação sabe que o novo Conselho de Administração, liderado por Ana Castro, ainda não tomou posse, mas já está a ter reuniões, nomeadamente na Administração Regional de Saúde (ARS). 

O Sul Informação soube, junto de fonte médica hospitalar, que, na passada sexta-feira, a nova administração esteve reunida na ARS Algarve para a passagem de dossiês, mesmo que ainda não tenha tido lugar a sua posse formal.

Um comunicado deste domingo, 19 de Julho, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), assinado por Jorge Salvador, médico ortopedista do CHUA e um dos representantes do sindicato no Algarve, confirma a demissão de Martins dos Santos.

«Esta demissão devia, no mínimo, envergonhar quem a praticou, pois revela-se fora de tempo e exímia de alguma cobardia», acusa Jorge Salvador.

Segundo o médico, esta decisão terá sido «tomada no último dia do mandato do Conselho de Administração» liderado por Ana Paula Gonçalves, pelas «21h27» de quinta-feira passada.

Entretanto, fonte médica hospitalar disse ao Sul Informação que, desde essa mesma quinta-feira à noite não há cirurgiões no Hospital de Faro.

As cirurgias estão a ser feitas no de Portimão, que tem até menos profissionais, uma vez que os cirurgiões de Faro…meteram todos baixa por doença. A situação é mais um exemplo do mal estar que se continua a viver nos hospitais algarvios.

Apesar de ter tentado esclarecer a questão, o nosso jornal não conseguiu estabelecer se a demissão de Martins dos Santos foi o último ato da administração cessante (liderada por Ana Paula Gonçalves) ou o primeiro da nova, que terá como presidente a lisboeta Ana Castro.

 

Martins dos Santos foi demitido de diretor da Cirurgia Geral – Foto Sul Informação | Arquivo

 

Contactado pelo nosso jornal sobre a demissão de Martins dos Santos, antigo diretor do Serviço de Cirurgia Geral dos hospitais algarvios e também ex-presidente da ARS/Algarve, o CHUA apenas respondeu que há, «desde a passada sexta-feira, um novo conselho de administração que já se encontra a trabalhar no sentido de encontrar as melhor soluções para melhor servir os nossos utentes».

Na sua tomada de posição divulgada hoje pelo SIM, o médico e sindicalista Jorge Salvador salienta que se tem assistido «nos últimos tempos, a uma tentativa de amordaçar e fazer calar as vozes que, de forma construtiva, colocam em causa decisões políticas que, na saúde, prejudicam fortemente a região».

«Esta gente, em vez de ser aproveitada como uma mais valia na prossecução de planos estratégicos estruturais que possam elevar para um patamar superior a saúde pública e os Hospitais que a servem, são simplesmente ignorados ou ostracizados», acrescenta o médico ortopedista.

A nova presidente do Conselho de Administração do CHUA é, assim, Ana Castro, uma oncologista de 43 anos natural de Lisboa que estava colocada na Administração Central dos Serviços de Saúde. A acompanhá-la estará Paulo Neves, antigo administrador do Grupo Hospitais Privados de Portugal e candidato derrotado à Câmara de Faro pelo PS em 2013, como vogal executivo para a área jurídica.

Patrício Rego, jurista que era até agora administradora do Hospital de Portimão, será a outra vogal executiva, neste caso, para a área da gestão.

Já o novo diretor clínico será o neurocirurgião Joaquim Pedro, atual diretor do departamento de Neurocirurgia do Hospital de Faro, e a enfermeira-chefe será Mariana Santos, que já havia desempenhado o mesmo cargo em 2006 no então Hospital do Barlavento Algarvio, quando Luís Batalau era diretor desta unidade.

Quanto à decisão do Governo de nomear Ana Castro para presidente do Conselho de Administração, o médico Jorge Salvador, do SIM, diz que, «para o exercício de cargos de liderança, têm os recursos humanos da região vindo a ser preteridos em detrimento de comissários políticos (aves exóticas) oriundos de outras regiões do país, desconhecedores dos problemas específicos dos algarvios e muitas vezes com competência técnico científica muito duvidosa».

 

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