Portugal não produziu eletricidade a partir de carvão pela 1ª vez em 35 anos

Governo já anunciou estar preparado para encerrar a central termoelétrica do Pego no final de 2021 e fazer cessar a produção da central de Sines em Setembro de 2023

A produção das centrais a carvão de Sines e do Pego foi nula no mês de Abril, o que aconteceu pela primeira vez desde a sua existência, em 1985, segundo a REN – Redes Energéticas Nacionais.

«A produção de carvão, que já era muito reduzida, foi mesmo nula em Abril, o que acontece pela primeira vez desde a existência das atuais centrais a carvão de Sines e Pego (desde 1985)», explicou a gestora da rede elétrica nacional, numa altura em que se perspetiva o encerramento das duas centrais.

Em Outubro, o Governo anunciou estar preparado para encerrar a central termoelétrica do Pego no final de 2021 e fazer cessar a produção da central de Sines em Setembro de 2023.

Segundo a REN, em Abril, as condições hidrológicas foram favoráveis, com o índice de produtibilidade hidroelétrica a situar-se em 1,17 (sendo a média histórica igual a 1), enquanto nas eólicas o índice situou-se em 0,85 (média histórica igual a 1).

A produção renovável abasteceu 69% do consumo nacional, a produção não renovável 17%, enquanto os restantes 14% foram abastecidos com energia importada de Espanha.

Já no acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o índice de produtibilidade hidroelétrica situou-se em 0,96 e a produtibilidade eólica em 0,86.

Entre Janeiro e Abril, a produção renovável abasteceu 69% do consumo (sendo hidroelétrica com 35%, eólica com 26%, biomassa com 6% e fotovoltaica com 2%) e a produção não renovável 28% do consumo, o que segundo a REN aconteceu praticamente apenas com gás natural.

O saldo importador, nos primeiros quatro meses de 2020, foi equivalente a cerca de 2,3% do consumo nacional.

O consumo de eletricidade caiu 12% em Abril, segundo dados da REN, que refere que é necessário recuar a Agosto de 2004 para encontrar um consumo mensal tão baixo como o do mês passado.

Se o consumo de energia for contabilizado corrigindo os efeitos de temperatura e o número de dias úteis do mês, a queda em Abril ainda foi ainda maior, de 13,8%, em relação ao período homólogo.

Já no mercado de gás natural, o consumo nacional teve em Abril uma quebra de 26%, com uma diminuição de 13% no segmento convencional (consumo doméstico) e uma redução de 66% no segmento de produção de energia elétrica, de acordo com a REN.

 




 

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