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Covid-19: ABC tem «total confiança» nos kits de testagem que Infarmed suspendeu

«Esta questão aparece agora porque há um pedido para a possibilidade de comercialização destes kits», revela Nuno Marques

O Algarve Biomedical Center (ABC) tem «total confiança» nos kits, produzidos em parceria com outras três entidades para testes à Covid-19, e cuja distribuição foi suspensa, este sábado, 23 de Maio, pelo Infarmed. 

A notícia foi avançada pelo Observador que dizia que o Infarmed «tem dúvidas quanto à segurança» dos kits, proibindo a sua distribuição «até ter respostas».

Contactado pelo Sul Informação, Nuno Marques, presidente do ABC, garantiu que estes kits, que já foram usados para fazer testes nas creches e lares do Algarve e Alentejo, bem como noutros pontos do país, «nos dão segurança e eficácia».

«O Infarmed o que fez foi um pedido de elementos que recebemos ontem à tarde, sábado. Com isso, suspendeu a distribuição, mas ainda não há um parecer», enquadrou.

Os kits são produzidos pelo Algarve Biomedical Centre, em parceria com o Instituto Superior Técnico e as empresas Logoplaste e Hidrofer.

O ABC, em específico, produz «o meio líquido de transporte, seguindo a receita do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA)», enquanto, por exemplo, a Hidrofer é a responsável pelas zaragatoas. O Instituto Superior Técnico faz a esterilização.

Apesar de Nuno Marques garantir «que temos experts em todas as áreas», o Infarmed decidiu fazer esse tal pedido de mais elementos.

«No fundo, é um pedido de esclarecimento que está relacionado com as zaragatoas, mas também com a própria receita do INSA. Nós vamos, obviamente, dar resposta, em princípio no início desta semana», adiantou Nuno Marques ao nosso jornal.

A notícia do Observador dá conta de que já foram distribuídos 48 mil kits, mas o presidente do ABC não tem a certeza desses números. «Foram milhares, mas não sei se esse número estará correto», explicou.

 

Nuno Marques

 

A verdade é que, por agora, a utilização desses kits está suspensa, algo que, ainda assim, não afeta a testagem no Algarve. «Nós ainda temos algumas zaragatoas, que tinham sido compradas e estão disponíveis. Não vamos parar os testes porque não temos, para já, essa necessidade», garantiu.

Relembrando o início desta parceria, entre ABC, Instituto Superior Técnico e as duas empresas, Nuno Marques acredita que, sem a solução encontrada, com a produção destes kits, a situação da pandemia em Portugal seria muito pior.

«Estávamos numa altura em que não havia zaragatoas no país. Os governantes pediram-nos uma mobilização nacional, os centros de investigação juntaram-se e criaram uma solução à disposição do país que permitiu realizar testes que, de outra forma, tinham sido impossíveis. Certamente teríamos tido mais mortes no país porque todos sabemos da importância de sermos dos países que mais testes fizeram», atira.

Por isso, Nuno Marques vê este pedido do Infarmed como um «pró-forma burocrático», deixando um novo ingrediente à história.

«Esta questão aparece agora porque há um pedido para a possibilidade de comercialização destes kits. Quando os kits começaram a ser utilizados, nós não tínhamos o parecer obrigatório para a comercialização, mas o que se passa é que, até à data de hoje, não fizemos nenhuma venda, apesar dos pedidos», contou.

De resto, a própria ministra da Saúde abordou este tema hoje, 24 de Maio, na habitual conferência de imprensa diária. Marta Temido disse que é necessário «distinguir» entre os «critérios de realização de testagem e critérios de introdução no mercado».

Portanto, este pedido de elementos não invalida a «produção de determinados resultados».

«A circunstância de nós termos as nossas autoridades reguladoras a referirem que determinados artigos ainda não estão em condições de serem comercializados é apenas sinal de que estão a funcionar e a fazer o seu papel», concluiu a ministra.

 

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