TPC: Diretor do agrupamento Pinheiro e Rosa diz que «90 minutos por dia, Basta!»

Francisco Soares defende que ligação à escola deve ser mantida, mas que há que ter o cuidado de não sobrecarregar os alunos com trabalhos durante a suspensão das atividades letivas

«90 minutos por dia, Basta!». É com esta afirmação que Francisco Soares, diretor do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, de Faro, começa uma carta à comunidade educativa, onde defende que há que ter cuidado em não sobrecarregar os alunos das escolas com Trabalhos Para casa (TPC), durante a suspensão das atividades letivas motivadas pela Covid-19.

Para Francisco Soares, «os professores devem propor aos alunos tarefas ligeiras que, no computo de todas as disciplinas semanais, nenhum aluno necessite de mais de 90 minutos diários dedicados ao trabalho autónomo e ao estudo».

«Os professores enviam propostas de pequenas tarefas aos alunos, de forma a que se cumpra o espírito supramencionado com que pretendemos manter os alunos ligados à escola. Conforme já tinha dado como orientação, cada professor estará disponível uma hora por semana e por turma, dentro do seu horário, para atendimento de alunos», lê-se na carta, que foi publicada na rede social Facebook pelo diretor da Pinheiro e Rosa.

Estas orientações têm em conta potenciais limitações, «que são inerentes à condição de cada família. O número de computadores e acesso à Internet pode ser limitado, o agregado familiar encontrar-se todo em casa com o desenvolvimento de teletrabalho, podendo por vezes um computador ser disputado pelos pais e filhos com necessidades laborais e de estudo».

«O medo e o stress que esta pandemia induz na dinâmica das famílias e em particular nos mais frágeis, deve ser tido em conta e atenuado na medida do possível. Este deve ser um momento de união e não de agravamento das assimetrias sociais e familiares», acrescentou Francisco Soares.

O também professor não enjeita, ainda assim, a importância dos alunos continuarem «a ter uma ligação à escola, sobretudo no plano emocional», nesta altura de crise.

«Devemos garantir o seu equilíbrio, estando disponíveis para lhes tirarmos dúvidas, fazermos aconselhamento, prestar apoio alimentar, apoiar as famílias de profissões fundamentais e, sobretudo, contribuirmos para lhes reforçar a segurança e a confiança neste período que é difícil», referiu, dirigindo-se aos professores.

«Também é importante mantê-los ativos com algumas tarefas pedagógicas, que não sendo uma substituição das aulas e muito menos do seu horário letivo, deve consistir em pequenos trabalhos ou atividades no âmbito das várias disciplinas, visando, principalmente, mantê-los ativos e estimular neles o prazer pelo conhecimento», acrescentou.

Francisco Soares termina a sua carta apelando a «um recolhimento generalizado daqueles que o possam fazer, limitanto os contactos presenciais de todos ao mínimo indispensável. É fundamental para o nosso futuro coletivo, que se interrompam as cadeias de transmissão do vírus».

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