Já está a começar a musealização dos Banhos Islâmicos de Loulé

Obras custam 1,3 milhões

A musealização dos Banhos Islâmicos de Loulé vai começar «dentro de dias», com o auto de consignação da obra a ter sido assinado esta terça-feira, 3 de Março.

Esta intervenção, naquele que constitui o mais completo edifício do género existente na Península Ibérica e único no país, tem por objetivo promover a valorização patrimonial e turística destes Banhos localizados em pleno Centro Histórico, no Largo D. Pedro I.

Trata-se de um complexo público de banhos do final do período da ocupação islâmica do Algarve (terão funcionado entre os séculos XII e XIII), tendo sido ocupados no século XV como habitação. Deste modo, esta intervenção pretende igualmente valorizar os vestígios arqueológicos da casa nobre do final do século XV e da muralha medieval e moderna, tornando, inclusive, o torreão aí existente visível do lado das Bicas Velhas.

Tal como o Sul Informação deu conta, em primeira mão, a organização funcional dos espaços vai contemplar uma receção/átrio, espaço expositivo, espaço para serviços educativos e área exterior de lazer, além da área musealizada, que terá informação no percurso da visita.

Organizado no piso térreo, o espaço dos banhos deverá manter-se delimitado pelas estruturas que permanecem da casa nobre quatrocentista.

O projeto vai integrar quatro áreas distintas: a zona de entrada, com um banco onde os visitantes poderão ter um momento de pausa antes ou após a visita ao núcleo, e a entrada interior que articula a receção com três áreas específicas, respetivamente os espaços museológicos, a sala dos serviços educativos e o núcleo de sanitários.

Haverá, ainda, uma terceira zona, composta pela sala de exposição, complementada com um conjunto de informações sobre os banhos islâmicos, a casa senhorial, o conjunto muralha-torreão e, por fim, um quarto espaço complementar, constituído pelo quintalão, ou seja, uma zona exterior onde até está previsto haver projeção de cinema.

A obra de musealização dos Banhos Islâmicos (ou hamman) terá uma componente inovadora: um levantamento 3D que dará ao possibilidade, ao visitante, de conhecer o complexo tal como era.

A obra arranca nos próximos dias e a acompanhar os trabalhos vão estar técnicos do Campo Arqueológico de Mértola, entidade que realizou as escavações arqueológicas do complexo desde 2016, assim como da Universidade do Algarve que estudou o paço quatrocentista.

O custo estimado desta empreitada é de 1,3 milhões de euros e o prazo de execução previsto de 730 dias.

Para o autarca Vítor Aleixo, esta é uma intervenção de grande relevância no âmbito daquela que tem sido a política de valorização do património cultural levado a cabo pelo Município. Por outro lado, é igualmente um elemento catalisador do dinamismo que nos últimos anos tem marcado a Zona Histórica de Loulé.

«Tempos houve em que o casco antigo da cidade estava afastado de toda a vivência da cidade mas hoje, fruto de um trabalho concertado que passa por exemplo pela reabilitação do património, valorização do espaço público, realização de eventos com destaque para o Festival MED, em complemento com a iniciativa dos proprietários em reabilitarem as suas habitações ou a fixação de novos negócios ligados por exemplo às indústrias criativas, podemos dizer que esta área é sem dúvida a alma da cidade», sublinhou o edil.

Descobertos em 2006, após as primeiras intervenções arqueológicas, os Banhos Islâmicos de Loulé viram a sua importância reconhecida ao nível da comunidade científica e do público em geral.

Já em 2013, na sequência das obras de reabilitação do Centro Histórico de Loulé, foram descobertas novas divisões destes banhos islâmicos, observando-se atualmente estruturas referentes a tanques frios, latrinas e vestíbulos.

A musealização dos Banhos Islâmicos de Loulé é «uma parte importante do projeto integrado e estruturante para o casco histórico da cidade de Loulé que é o “Quarteirão Cultural”».

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