Há uma nova ciclovia entre Castro Marim e VRSA e até Ricardo Mestre aprova

Ciclovia trará mais segurança a uma via onde já «houve vários acidentes»

A estrada tem só cerca de três quilómetros, mas é a única e muito movimentada ligação direta entre a vila de Castro Marim e a cidade de Vila Real de Santo António. Agora, é possível fazer este troço de bicicleta ou a pé, com conforto e segurança, na ciclovia que foi inaugurada na sexta-feira, que ladeia a EN122, desde a zona do Revelim de Santo António, até à passagem de nível à entrada de VRSA.

Na manhã de dia 28, sexta-feira, foram várias as dezenas de ciclistas e caminhantes que estrearam a nova ligação entre as duas sedes de concelho raianas, batizada como Ciclovia da Lezíria. Entre eles, esteve o ciclista castromarinense Ricardo Mestre, um dos poucos algarvios que já venceu a Volta a Portugal e dono de uma carreira de sucesso.

E, apesar de estar habituado à alta roda do ciclismo, Ricardo Mestre não esconde que é sempre bom pedalar perto de casa – para mais, se for em segurança.

«Já terei feito esta estrada centenas de vezes. Agora, a sensação de segurança é totalmente diferente», disse.

«Esta ligação já fazia falta, principalmente para a população de Castro Marim e Vila Real, que passam a ter todas as condições para fazer esta estrada de bicicleta, ou mesmo a pé. Eu próprio quando andava aqui à escola, juntávamo-nos três ou quatro colegas e íamos a pé. Agora, pode-se fazer isso de forma muito mais segura. Penso que é uma evolução», acredita Ricardo Mestre.

Uma ideia reforçada por Francisco Amaral, presidente da Câmara de Castro Marim. «Nas últimas décadas, era perigosíssimo andar de bicicleta ou a pé entre Castro Marim e VRSA. Houve vários acidentes. Finalmente, este trajeto poderá agora ser feito em segurança».

«Para mim, a intervenção só peca por tardia, já devia estar feita há dezenas de anos. Mas mais vale tarde do que nunca!», afirmou.

 

 

Francisco Amaral não esconde que esta ciclovia «é um sonho realizado» ou, pelo menos, parte dele. «Estamos já a lançar a obra que irá ligar Castro Marim à Praia Verde, que será posteriormente complementada com uma outra ciclovia até Altura, ao longo da EN125».

«Por outro lado, continuamos a acalentar o sonho de ligar a sede de concelho a Monte Francisco, à Junqueira e à sede da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim», acrescentou.

«E há outro sonho, meu e da alcaide de Ayamonte, que é o de ligar Castro Marim a Espanha por ciclovia, através da Ponte Internacional do Guadiana. Ficámos hoje a saber, pelo presidente da CCDR do Algarve, que o processo está a andar. As coisas estão bem encaminhadas e esperemos que se concretizem», desejou o presidente da autarquia.

Como foi notório no dia da inauguração, este tipo de infraestruturas podem dar uma grande ajuda ao turismo, principalmente na época baixa. Na sexta-feira, foram muitos os turistas, a larga maioria seniores, que aproveitaram para pedalar na ciclovia.

«Tenho percorrido aqui algumas das nossas ciclovias e tenho-me cruzado com muitos estrangeiros, que aproveitam para desfrutar das nossas fantásticas paisagens», contou Ricardo Mestre.

Também para os profissionais é mais agradável treinar em locais com boas vistas, «mas o que conta é, sobretudo,a  segurança». Daí que seja importante a existência de ciclovias bem delimitadas e sinalizadas, como a rede que está a crescer no Sotavento Algarvio.

 

 

Para que esta rede seja uma realidade, é preciso investir somas consideráveis de dinheiro.

«Estamos a falar de obras de centenas de milhares de euros. A que estamos agora a lançar e que se iniciará em breve custará cerca de 800 mil euros. Esta que inaugurámos hoje também rondou os mesmos valores. São, portanto, obras de vulto, que se não fossem cofinanciadas pela União Europeia, seriam impossíveis de executar», revelou Francisco Amaral.

Daí que o edil castromarinense agradeça à CCDR do Algarve, gestora do CRESC Algarve2020, programa operacional de onde vem o apoio para as intervenções, «por estar sensível a estas nossas necessidades».

Quem também agradece é Conceição Cabrita, presidente da Câmara de VRSA, neste caso, ao município vizinho de Castro Marim.

«Este é um percurso que há muito era desejado. Felizmente que Castro Marim avançou com esta obra. Esta é uma mais valia para a nossa zona, que tem um turismo e uma qualidade diferente», considerou.

«Esta obra vem dinamizar economicamente estes dois povos, que sempre estiveram tão ligados. Havia um divórcio motivado pela falta desta ciclovia», concluiu, por seu lado, Francisco Amaral.

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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