Há 52 «locais informais» de estacionamento ou pernoita dos autocaravanistas em Lagos

Município quer «fazer aprovar uma proposta de ordenamento e uma proposta de regulamento para o exercício desta prática»

Há 52 locais informais de estacionamento, parqueamento ou pernoita dos autocaravanistas no concelho de Lagos. Mais de metade dos autocaravanistas têm mais de 65 anos, sendo, na sua maioria, de nacionalidade Holandesa, Britânica, Francesa e Alemã.

Estes são alguns dos dados do “Levantamento, caracterização e diagnóstico da situação existente” sobre o autocaravanismo no município de Lagos, primeira parte de um estudo mais vasto, que foi apresentada e aprovada, na última reunião do executivo da Câmara daquele concelho algarvio.

O objetivo deste trabalho é, segundo a autarquia, «no final, fazer aprovar uma proposta de ordenamento e uma proposta de regulamento para o exercício desta prática, que tem crescido e evoluído nos últimos anos, sem descurar a utilização sustentável dos recursos existentes e favorecendo a salvaguarda do património natural, a par do desenvolvimento social, económico e cultural do concelho».

O diagnóstico quis saber onde param os autocaravanistas, quem são e quais as suas necessidades e, ainda, o que pensa a população sobre esta atividade.

As respostas estão no documento agora apresentado, o qual inclui a georreferenciação dos locais onde atualmente se realiza a prática do autocaravanismo, a identificação das principais particularidades dos locais e parques de caravanismo e autocaravanismo existentes, a avaliação da procura e o perfil tipo dos autocaravanistas, assim como a perceção da população, obtida através de um inquérito social online.

Apesar da existência de quatro parques de campismo, um parque de campismo militar e uma Área de Serviço de Autocaravanas (ASA), a equipa de trabalho identificou 52 locais informais de estacionamento, parqueamento ou pernoita dos autocaravanistas.

Na sua maioria, estes locais situam-se em parques de estacionamento no interior dos perímetros urbanos, nos parques de serventia às praias e nas áreas de estacionamento informal junto às zonas balneares, nas falésias e próximo de dunas e zonas lagunares, na envolvente de equipamentos coletivos e/ou empreendimentos, em loteamentos ainda não acabados e, por vezes em avenidas e arruamentos urbanos, confirmando-se a preferência dos autocaravanistas pelos locais mais perto das praias.

Quanto ao perfil, a maioria dos autocaravanistas que visita Lagos tem acima de 41 anos (54% tem mais de 65 anos), é de nacionalidade Holandesa, Britânica, Francesa e Alemã (por ordem de importância), tem escolaridade ao nível do ensino secundário e superior, um rendimento familiar entre os 1250 euros e os 2500 euros, optando, na sua maioria, por viagens de longa duração por períodos superiores a um mês, feita por duas pessoas (familiares sem filhos ou amigos).

Quase 60% destes turistas gasta em média entre 20 a 50 euros por dia e por pessoa.

Questionados sobre a Área de Serviço de Autocaravanas (ASA) municipal, situada junto ao estádio do Esperança, a maioria destes turistas avaliou-a com 3 estrelas (pelos serviços disponibilizados) sendo que 32% classificou este equipamento com 5 estrelas (atendendo sobretudo à localização e espaço disponível).

A internet e a recomendação por parte de amigos e/ou familiares são as principais formas de conhecimento da ASA, mas são as características da própria cidade, nomeadamente a sua história, cultura e gastronomia, assim como a relação de proximidade com o mar, as praias existentes e a amenidade do clima que suscitam a visita a Lagos.

O diagnóstico quis também saber o que pensam os lacobrigenses sobre esta atividade. Os resultados do inquérito aplicado revelam que mais de 70% dos inquiridos apreciam a prática do autocaravanismo, apesar de nunca o terem experimentado, e que este pode ajudar a combater a sazonalidade do turismo, promovendo a economia local.

Quanto aos aspetos negativos, a população destaca sobretudo o estacionamento diurno e a pernoita de autocaravanas em locais não autorizados, assim como o impacto sobre o património ambiental, natural e cultural, defendendo o aumento da fiscalização das práticas ilegais e a melhoria das condições de acolhimento destes veículos e turistas.

A equipa de trabalho vai agora «dedicar-se à construção de uma proposta de ordenamento que permita ao município uma melhor gestão desta atividade», conclui a autarquia.

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